Por: Ariston Sal Junior | 28/07/2014
Reprodução Cabine Liter'ria

Reprodução Cabine Liter’ria

Uma coisa é certa: Assim como não gosto de emprestar minhas coisas, também não peço emprestado. Não tem jeito, por mais caprichoso que aquele seu amigo seja, ninguém vai cuidar melhor de algo seu do que você mesmo. Claro que eu falo isso de coisas que tem um valor especial, seja sentimental ou que represente uma conquista pessoal, ou mesmo aquele ítem bacana de uma coleção. Explico:

Quando eu leio um livro muito bom, morro de vontade de compartilhar a experiência com alguém e, se a pessoa não leu, prefiro dar um livro igual de presente do que emprestar aquele meu.

Lembro nos idos dos anos 1990, só pra citar um exemplo, quando consegui adquirir com muito custo a biografia do Jim Morrison (do The Doors), importada, pois não havia sido lançada no Brasil. Era a época do filme do Oliver Stone, que contava a história da banda e do Rei Lagarto. O livro, inclusive, foi referência para o filme.

Pois bem, li o livro de cabo a rabo em questão de poucos dias e precisava conversar sobre aquilo. Na época um amigo, que também gostava da banda, se mostrou interessado em  ler. Como era um livro “raro” e caro, ele não iria comprar. Emprestei o meu. Uns quatro meses depois, após muita cobrança minha pela devolução, recebi o livro de volta… em frangalhos. Eu não sei como o cara manuseou o livro, só sei que ele devolveu com vááááááárias folhas soltas, despencadas, uma dó. Eu fiquei sem ação com o livro naquele estado nas mãos e ele, sem graça, não sabia explicar o motivo de estar daquele jeito. Resultado? Não empresto mais livros para ninguém! Cedo a minha casa se a pessoa quiser ir lá ler alguns dos volumes de minha coleção, mas emprestar…

Disco também era a mesma coisa. Na época dos LPs sempre vinha com uma faixa pulando (quando não vinha arranhada mesmo), com a capa suja ou amassada e isso quando devolviam. Minha coleção de vinil era para contar com muito mais do que tenho hoje, mas, infelizmente, muitos não me foram devolvidos. Com os CDs os arranhões eram mais raros, mas a caixinha plástica quebrada ou o encarte com orelhas era comum, e isso sem contar também os que não foram devolvidos. Resultado? Não empresto mais. Faço uma cópia do disco e dou de presente, mas emprestar…

Livros, discos, DVDs, Blu-rays, roupas, nada disso eu empresto e não é por que sou ruim, mas é porque só eu sei o duro que dei para conseguir aquelas coisas e tenho um carinho por todas essas peças. Alguém pode me acusar de “materialista”, ok. Minha consciência está tranquila… Aprendi a lição de que emprestar algo sempre acarreta em três consequências: Você fica sem o objeto, pois nunca mais o receberá de volta; você recebe o objeto danificado; você perde o amigo(?). Por isso, salvo raríssimas exceções, eu não empresto nada. Mas, fiquem tranquilo, pois como disse inicialmente no texto, também não peço emprestado.

Ah, e se você é daqueles que pegam emprestado e não devolvem, ou “se esquecem” de devolver, saiba que isso é feio, é muito feio… (alguém aí falou em furto?)

por Ariston Sal Junior