Por: João Marcos | 3 anos atrás

Amigos e não é que virou? Depois do primeiro post da série, onde contamos da lenda sobre o Morro do Defuntinho, recebemos uma grata colaboração em nossa caixa de emails que me sinto na obrigação de compartilhar com vocês por aqui.

A história da “Porca que virou Santa” eu não conhecia, mas achei demais. Quem compartilhou conosco foi a dona Imelde Maria Testoni, que redigiu o livro Perfil Cultural de Guaramirim (PRECISO desse livro) juntamente com o professor Dorly. Lembram dele? Figuráça.

Essa lenda foi escrita de acordo com as histórias contadas pelos antigos moradores do Bairro Rio Branco, em Guaramirim. E tem como base um fato que é muito comum na cidade:

A TRETA ENTRE VIZINHOS

Dá só uma olhada em como terminou essa daqui:

Entre vizinhos frequentemente ocorrem brigas e desavenças motivadas por divisas de terras, animais invadindo roças e pastagens, quando não são outros os motivos.

Aconteceu que Tio Vitor vendeu suas terras e então veio morar, no lugar, outro vizinho de índole perversa, chamado Vicente Sibirino. A fim de não acontecerem desavenças, uma cerca de ananases com arame farpado separava as propriedades para que os animais não passassem de lá pra cá, nem de cá pra lá, e se isto acontecesse, um avisaria o outro numa boa. Mas seu Vicente não quis saber e ameaçou matar o animal que viesse às suas terras. Como não podia ficar vigiando, encheu a encosta do morro com enormes fossos que ele cobria de ramos e cujos fundos eram forrados com cacos de vidro. Algum animal passar e cair ali eram o nosso medo.

Um dia, meu irmão Pedro e eu fomos ver os buracos e ficamos apavorados. Passamos então, a amarrar nossos porcos e animais. Não demorou, ouvimos uns gritos. Eram os velhos (homem e mulher vizinhos) à beira de um fosso onda havia caído um filho adotivo deles, nojento como os velhos e provocador. Quando o tiraram, viram que estava todo cortado com os cacos de vidro e pontas de facas. “Bem feito”!, Pensamos, mas…

Nós tínhamos uma porca que amamentava treze porquinhos. Um dia ela com a filharada, passou a cerca de ananases e… até escutamos o tiro. Fomos espiar, de curiosos, e ainda vimos homem e mulher, jogarem a porca para o outro lado da cerca. Os porquinhos voltaram pelo buraco aberto na cerca e vieram correndo mamar nas tetas da mãe morta. Minha mãe, apesar de muito ofendida, nada falou, nem foi reclamar com o vizinho.

Seu Vicente ainda mandou que enterrássemos a porca e prendêssemos os porquinhos. Pedro e eu gostávamos de fazer carniça – colocar o animal morto em certo lugar próximo da cerca para espiar os urubus refestelando-se. Dias depois, fomos ver, e a porca permanecia inalterada. Meses depois, a mesma coisa.

Espalhamos a notícia… e os meninos todos foram correndo até lá, inclusive os adultos. A história espalhou-se pelo povoado todo. Com o tempo, o animal transformou-se em múmia, sem exalar cheiro ou apodrecer. Pediram para arrastar a porca até a porta de seu Vicente, mas mamãe não permitiu.

Seu Vicente ia à igreja, no Bananal do Sul. Numa missa dessas contaram o fato para o padre – que a porca era santa – o padre fez uma prática sobre o entendimento entre os vizinhos e o pecado que era matar os animais, principalmente os de vizinhos, e, referindo-se ao caso da porca, afirmava que aquilo não era milagre, mas podia ser um castigo para o vizinho. Seu Vicente estava no banco da frente, ouvindo calado e resignado.

Mamãe não quis saber de reatar relações e desafiou a todos de não porem os pés no nosso pasto, para não se incomodarem.

O número de devotos, após aquela missa foi aumentando dia a dia… e passou a constituir problema para nossas roças e cercas – tudo arrebentado e pisoteado pelos curiosos.Mamãe mandou – nos,então,achar um lugar para enterrar a santa (a porca).

Hoje continuamos curiosos em descobrir se, sob as raízes da árvore, ainda se encontra a porca mumificada, depois de mais de 50 anos de sua morte, cujo jacatirão, em sua homenagem, floresce exuberante, a cada fim de ano.

Sêo Vicente, pra que fazer isso cara? Tomou dura do padre, viu só!

Com todo respeito a memória da Porca Santa mas, que demais! Hahaha. Eu sabia que me divertiria com essa série.

E olha só, uma dica pra quem talvez esteja acessando nosso site pela primeira vez. Se você gostou desse post aí, talvez também goste desses:

Lendas urbanas da região: o Morro do Defuntinho, em Guaramirim

Algumas coisas que só quem já morou em Guaramirim vai saber

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Nossa caixa de emails continua aberta para quem quiser compartilhar alguma Lenda da região conosco, viu?

É a segunda que escrevemos sobre Guaramirim. Mas moradores de Jaraguá, Schroeder e Corupá, caso sintam-se a vontade e queiram nos enviar algo, óae o endereço: contato@poracaso.com. 🙂