Por: João Marcos | 4 anos atrás

Não nasci, mas moro há 19 dos meus 23 anos em Guaramirim. Cresci nessa cidade e cara, se tem um lugar que a zoeira prevalece, É LÁ.

Já ouvi tanta história, tanto conto, tanta, mas TANTA lenda urbana de Guaramirim que vou aproveitar esse espaço aqui para compartilhar algumas delas com vocês (inclusive aceito sugestões de pesquisa na caixa de comentários).

A primeira dessas lendas de Guaramirim, que lembro ter me assustado ainda quando criança, foi a do Morro do Defuntinho… Pra quem não conhece, segura, que essa daí é bizarra.

O Morro do Defuntinho visto da BR 280

O Morro do Defuntinho, visto da BR 280

Vou compartilhar um fragmento de artigo que encontrei no Cronológicas, escrito pela Luciana de Aguiar, cuja versão bate exatamente com a história que eu já tinha escutado – inclusive a parte do guardanapo com docinhos, que já pratiquei (haha). Vê só:

Conta meu avô que, antes mesmo de ele nascer, um garoto observava todas as manhãs de sábado o seu pai se preparando para caçar ‘onça’ no morro atrás de casa. Aquilo virou objeto de desejo do menino. Aos finais de semana, ele acordava mais cedo e, já vestido, implorava ao pai para ir junto. “Ainda não. Vai chegar sua vez.” De tanto ouvir a mesma desculpa, resolveu ir à caça. Num domingo, se vestiu com as roupas do pai, pegou os canivetes e encheu o cantil de água, seguindo a mesma rotina que tanto ansiava. Ia trazer a cabeça da onça para provar. Como era de se esperar, o garoto nunca mais voltou. Mas a lenda e o nome do morro continuam ainda hoje: Morro do Defuntinho, em Guaramirim.

Admito que meu vô, homem de poucas palavras e de muita disposição, não contou a história. Mas ele confirmou tudo. O que deixou meus irmãos e eu, na época crianças a procura de significados (quanto mais surreal, melhor), muito assombrados. Sabíamos que no morro não tinha onça. Uma das nossas teorias era de que o Defuntinho morreu por inanição. Se perdeu na trilha e não encontrou comida. Era por isso que, toda vez que fazíamos piquenique no Morro, deixávamos um guardanapo com comida e guloseima (toda criança gosta de doce). Obviamente, a intenção tinha pouco de solidária. Queríamos era ter provas concretas de que o Defuntinho ainda abrigava aquela região.

Fiz contato com o pessoal do Arquivo Histórico da cidade, e segundo eles não tem nenhuma morte assim confirmada por lá nos registros oficiais. O que se tem mesmo é apenas essa história contada no boca-a-boca durante gerações… Agora convenhamos, mesmo que seja falsa, ainda prefiro ela à realidade. Senão, como fazer a imaginação voar ao passar pela redondeza? Huehaueauea.

defuntinho

#nope

Pra um exercício, o Morro do Defuntinho não chega a ser lá um grande desafio já que tem apenas 428m de altura, mas a trilha dele é linda! Confesso que levei um tempo pra ter coragem de encarar a brincadeira depois dessas histórias, mas a pernada é válida.

O acesso à trilha fica (ou ficava, pois faz muito tempo que não vou) ali pela rua Otto Lemke, no Bairro Amizade em Guaramirim. Sabe a Sociedade Diana? Era por lá, mas não tenho certeza se o caminho é usado ainda hoje.

diana

Tem que ir na raça!

A caminhada é divertida e lá no topo, passando pelos córregos e inícios de cachoeira, o morro fica liso igual um sabão… Mas mesmo assim já ouvi história de nego que saiu do Curupira bebaço e subiu o ponto só pra ver o sol nascer, só não sei quem fui. Hahaha.

defuntinho03

Tem alguma história de Guaramirim pra compartilhar ou alguma lenda que queria ver por aqui? O espaço tá aberto aqui na caixa de comentários, ou então envia lá no email contato@poracaso.com. 🙂