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Após Ronaldo Raulino, ex-secretário de Turismo, Cultura e Esporte e presidente da comissão organizadora da Schützenfest, fazer acusações contra o secretário de Administração e Finanças, Ivo Konell, e a prefeita Cecília Konell, o dia de ontem foi de explicações na Prefeitura de Jaraguá do Sul.

Raulino foi convocado a depor na comissão especial de inquérito (CEI) que investiga as contas da festa, mas acusou Konell de uso irregular do Refis municipal e apresentou supostas notas frias de contribuições de dinheiro para a campanha da prefeita.

Sobre a denúncia do Refis, que é o plano de refinanciamento para quem tem dívidas com a Prefeitura, Konell diz que não vê nada de irregular no pagamento que fez. Na fatura que Raulino disse que tinha na Câmara e foi considerada pelo denunciante como prova do crime, consta que os pagamentos são referentes a uma ação no Tribunal de Justiça e a uma multa aplicada a Konell pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE). A ação é relativa a uma dívida de tributos relativa ao ano de 1992, mesmo ano em que o Refis foi aprovado em Jaraguá. Este programa permite renegociar a dívida com descontos a todos que tivessem sido intimados antes de 2008. “Como o caso se encaixava, fiz uso da ferramenta”, diz Konell.

Porém, o questionamento de Raulino durante o depoimento foi de que como uma multa aplicada pelo TCE poderia ser paga usando-se o Refis. Ivo explica que esta dívida era com a Prefeitura.

“Quando eu saí do governo da cidade em 1992, eu fiz um jornal para prestar contas à população. Na época, o TCE entendeu que eu não poderia ter usado dinheiro público nisso e determinou que eu pagasse os cerca de R$ 8 mil usados de volta. Assim, eles transformaram o valor em uma dívida municipal. Entre recursos e apelações, fui mesmo obrigado a pagar essa multa e também não configura ilícito nenhum, já que era uma dívida contra a municipalidade”, explica Konell.

Sobre a questão das supostas notas frias de campanha da prefeita Cecília, foi Konell quem defendeu a mulher desafiando Raulino a apresentar estes documentos e entrar com um processo no Ministério Público. “Primeiro, eu queria saber que notas são essas. Se ele tem alguma nota fria na mão, que apresente ao MP ou ao TRE. Enfim, a quem possa julgar. A prestação de contas da campanha da prefeita foi apresentada e aprovada em todas as instâncias.”

Após fazer as denúncias na CEI da Schützenfest com papéis nas mãos, Raulino não deixou nada na Câmara e também não os apresentou à imprensa. À reportagem do “AN Jaraguá”, disse ontem que só entrega os documentos quando for intimado pelo Ministério Público. A promotora Andréa Machado Speck explica que quem deve ter a iniciativa de entregar os documentos à Justiça é Raulino, que está fazendo as denúncias.

“Ele teria que encaminhar ao MP ou por meio de um processo judicial. Só falar não adianta. E nós não podemos intimar pessoas a apresentarem documentos sem que haja uma denúncia oficial”, diz a promotora.

Via AN Jaraguá.