Por: Deivis Chiodini | 24/10/2014

Tem Glover Teixeira e José Aldo. Não preciso nem dizer que é imperdível. O Maracanazinho tremerá! Vamos lá:

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Carlos Diego Ferreira x Beneil Dariush (categoria dos leves): Ex campeão do Legacy e ainda invicto, Carlos Diego estreou muito bem no UFC com duas vitórias rápidas que lhe deram bônus da noite. Do outro lado o iraniano pupilo de Rafael Cordeiro, Beneil Dariush. Os dois são donos de um belo jogo de chão, com muitas raspagens e ataques ao pescoço. Na luta de pé, Beneil terá a vantagem de ser mais alto (acho que Diego cairia bem nos penas). Dono de um bom muay thai, ele pode usar seus chutes nas pernas para controlar a distância. Diego deverá aproveitar sua movimentação e usar seu bom boxe para tentar encurtar. Diego tem um bom jogo de grade e isso pode ser um diferencial a seu favor.
Palpite: Apesar de sua menor envergadura, vejo Diego com mais qualidade, nocauteando no 2° round

Darren Elkins x Lucas Mineiro (categoria dos penas): Lucas Mineiro vem impressionando e dessa vez ele terá uma dura batalha que pode o colocar no top 15 da categoria. Trata-se do veterano Darren Elkins. Mineiro, cria da Chute Boxe, tem um muay thai de alto nível, com boas combinações de socos no corpo e chutes altos, e grande poder de nocaute. Mas ele terá que estar com o jogo de grappling em dia, já que Elkins é um wrestler de gabarito, que adora o jogo de clinche na grade e tem boas quedas, com controle posicional e bom ground and pound. Lucas terá sua defesa de quedas e o jiu jitsu testados de forma eficaz pela primeira vez, o que poderá fazer dessa luta um divisor de águas para ele.
Palpite: Lucas tem potencial e ainda evoluirá. Mas no sábado dará um passo para trás, com Elkins vencendo por decisão.

Fábio Maldonado x Hans Stringer (categoria dos meio pesados): Maldomito esta de volta após ser nocauteado na categoria de cima por Miocic. Ele terá o holandês parceiro de Vitor Belfort na Blackzillians, Hans Stringer, como seu adversário. De Maldonado espera-se aquela coisa de sempre: Pouco gás, boxe efetivo, queixo de pedra e nenhum jogo de grappling. Coração puro até o fim da luta, o que o faz ser um dos lutadores favoritos do público. Em pé, Stringer tem jogo para trocar tranquilamente com Maldonado, com boxe de bom footwork e muay thai alinhado. No grappling ampla vantagem para o holandês, que deve colocar Maldonado de costas no chão como estratégia.
Palpite: Sou fã de Maldonado, mas não temos como negar suas limitações. Stringer por decisão.

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Glover Teixeira x Phil Davis (categoria dos meio pesados): Glover Teixeira e Phil Davis. Uou, que quebra cabeça. De um lado o estilo visceral, de um cara que quer sempre arrancar cabeças como Glover, mas que apresenta algumas deficiências em seu jogo. Do outro o extremamente técnico e estrategista Phil Davis, mas que em muitos momentos padece da falta de uma “alma de guerreiro”. Os dois em busca de reabilitação. Phil Davis terá a vantagem de sua maior envergadura, o que pode fazer com que Glover tenha que encurtar e seja vítima de suas quedas. Apesar de Glover ter bom jogo de defesas, Phil é muito eficiente e tem um jogo redondinho por cima, como se espera de um all american wrestler, trabalhando bem no ground and pound e com perigosos triângulos de mão. Glover tem um nível altíssimo no jiu-jitsu, mas cair por baixo e tentar fazer guarda não será uma boa ideia. Agora por cima (quem sabe aproveitando-se de um dos telegrafados chutes do americano para quedar), Glover tem boas condições de trabalhar estabilizando posições, batendo e quem sabe buscando seu famoso katagatame. No jogo de grade e clinche, boa vantagem para Davis que usa bem o dirty boxing e as joelhadas no corpo. Em pé, Glover é amplamente superior e essa deve ser sua estratégia, tentar forçar o ponto fraco de Davis, a trocação. Abusar de combinações corpo e cabeça, chutes baixos e muita movimentação serão a chave. O gás também terá que estar em dia, pois Davis tem de sobra. Uma luta em que um erro pode por uma estratégia toda abaixo e consequentemente a vitória também.
Palpite: Aquele palpite sem tanta convicção. Glover numa decisão dividida.

José Aldo x Chad Mendes (cinturão dos penas): O último campeão brasileiro no UFC vai ceder a revanche a Chad Mendes na mesma cidade em que ele derrotou o americano e correu pra galera em 2012.

Mendes fez por merecer essa revanche, vencendo suas últimas 5 lutas, sendo 4 por nocaute. Antes um wrestler de alto nível apenas, “Money” evolui na trocação com Duane Ludwig e mostrou mão de pedra, além de melhor na movimentação lateral, ajuste de ângulos para golpear, etc. Mas me desculpem, ele não enfrentou nenhum trocador de alto gabarito para vir a imprensa e se dizer tão bom quanto Aldo de pé. E eu duvido que ele aceite a trocação, ele irá pro jogo de abafa, tentando clinche e quedas. Já Aldo é mais do mesmo. E isso é muito, muito bom, pois na humilde opinião desse colunista, ele é o melhor lutador pound for pound do mundo. 92% de defesas de quedas, tendo enfrentado Faber, Mendes, K-Flo, Frankie Edgar. 75% de defesa de golpes, nunca foi a knockdown desde que chegou ao WEC/UFC. Uma verdadeira máquina de bater, dono de um muay thai primoroso, com os chutes na perna devastadores e muito poder de nocaute nos punhos. Além disso, é muito versátil, como na luta contra ao Zumbi Coreano, em que quebrou o pé no primeiro round e passou a quedar o adversário e passar a guarda, mostrando seu bom jiu-jitsu. Seu único problema porém pode ser o gás, já que pelo corte dramático de peso, ele costuma cansar nos últimos dois rounds.
Palpite: Chad está cheio de moral, mas acho que provará do veneno que seu mestre Faber já provou. Saraivada de chutes nas pernas, combinações rápidas e defesa de quedas que minaram seu jogo, até que numa tentativa desesperada, bum! Aldo por nocaute no 4° round