Por: Tita Pretti | 3 anos atrás

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Catorze mil, oitocentos e sessenta e seis quilômetros. Contrariando os manuais de redação, decidi escrever esse número por extenso mesmo pra você ter uma ideia da distância que hoje separa o atleta Leonardo Mendonça da Rosa da sua cidade natal, Jaraguá do Sul.

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O novo lar? O Cazaquistão. O país foi a última das repúblicas a declarar independência após a dissolução da União Soviética, em 1991, e está localizado na Ásia Central, além de ter uma pequena parte situada na Europa. A nação faz divisa com a China, com o Quirguistão, com o Usbequistão e o Turcomenistão. Lá, são falados dois idiomas: o russo e o cazaque.

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Consegue imaginar as enormes diferenças culturais que existem, literalmente, do outro lado do mundo? Pois foi representando esse país que o jaraguaense Leonardo conquistou no dia 26 de abril o UEFA Futsal Cup, o maior campeonato de futsal disputado entre equipes da Europa. Seu clube, o Kairat Almaty venceu o Barcelona: 3 a 2 no marcador, com três gols brasileiros, em partida realizada em Lisboa.

“Este é, sem dúvida nenhuma, o melhor momento da minha carreira. Conquistamos com o Kairat dois títulos europeus: um na temporada 2012/2013 e outro agora na temporada 2014/2015. Profissionalmente falando, foram os momentos mais felizes até hoje”, conta o atleta.

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O jaraguaense recebeu o reconhecimento da UEFA por ser o artilheiro da fase final da competição. Ele ainda foi premiado com o título de “Homem da Partida”, pela final contra o Barcelona. Hoje a fase é de conquistas, mas o jogador precisou ralar muito para viver do futsal.

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“Iniciei jogando no Clube de Campo Beira Rio e logo em seguida, com 10 anos, fui jogar pelo Colégio Evangélico Jaraguá com o professor Augustinho, onde defendíamos a cidade nos campeonatos estaduais. Nunca fui um jogador habilidoso ou fora do normal, sempre tive que trabalhar muito e lutar pelo meu grande sonho que era ser jogador de futsal”, conta.

Leo teve passagem pela Malwee, por Tuburão e por Foz do Iguaçu. O momento mais complicado da carreira aconteceu em 2008.

“Não estava conseguindo equipe para jogar e pensei várias vezes em parar, mas graças a Deus outras portas se abriram e agora estou aqui feliz na equipe do Kairat”, diz. Em 2009, Leo recebeu um convite para jogar no Cazaquistão, através de um amigo que jogou no Kairat. Ao chegar no país, o contrato era para ficar apenas por um mês, mas ele está lá até hoje.

Em 2014, o jaraguaense tirou a cidadania Cazaque, para poder atuar pela seleção do país. As dificuldades culturais enfrentadas no início já foram superadas e Leo consegue falar o idioma sem problemas.

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“Somos em 11 brasileiros no Kairat. Isso ajuda a matar um pouco as saudades de casa. Mas a distância da família é realmente a pior parte. A presença da minha esposa aqui comigo também ajuda muito”, comenta.

Agora, Leo confessa que no momento quer relaxar, aproveitar as férias e comemorar o bi-campeonato da equipe. O jaraguense que conquistou a Europa tem um outro sonho, mais ousado: ele quer conquistar o mundo.
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“Meu grande sonho é levar a seleção do Cazaquistão para um mundial e fazer história aqui neste país que me acolheu muito bem.”іске сәт! Boa sorte!