Por: Ariston Sal Junior | 4 anos atrás

 

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Fotos Eduardo Montecino/OCP

Os artigos e enfeites nas cores verde e amarelo já começaram a aparecer nas vitrines das lojas de Jaraguá do Sul. A Copa do Mundo 2014 dá o pontapé dentro de 16 dias, encerrando em 13 de julho, e o comércio tem nos artigos da seleção uma oportunidade de vender mais. As expectativas são positivas e alguns setores já sentem o impacto.

De acordo com o presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), Eduardo Schiewe, o setor que tem registrado um aumento significativo nesta época é o de eletrônicos, principalmente envolvendo televisores. Ele explica que pesquisas nacionais apontam um crescimento de 200% em comparação aos anos sem o evento. “Podemos confirmar este aumento aqui no município, pelo que temos conversado com os lojistas”, diz. O gerente de uma loja do calçadão, Genoir de Oliveira, afirma que este segmento tem mantido as vendas da loja em alta, além dos últimos lançamentos de celulares. “Hoje em dia as pessoas têm muitas opções de pagamento, mas a venda só está garantida a partir do momento em que o cliente não tenha juros”, explica. A concentração é na venda de televisores de 40 polegadas, que abrange as classes B e C.

Muitas pessoas não pensam duas vezes em garantir um maior conforto em casa na hora de acompanhar os jogos da seleção com a família e amigos. A exemplo disso, o consultor comercial Adelmo da Silva, 40, foi até uma loja do Centro para comprar uma televisão de 42 polegadas. “A ideia é trocar um dos televisores da casa e levar para a churrasqueira. Assim poderemos chamar os amigos e fazer um churrasco assistindo aos jogos”, planeja.

A Febre das Figurinhas

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Quem decidiu adquirir o álbum da Copa deste ano está determinado a completá-lo com as mais de 300 figurinhas dos jogadores das 32 seleções participantes. Em diversas cidades estabelecimentos especializados organizaram o dia da troca e em Jaraguá do Sul não foi diferente. Desde a chegada dos álbuns, todo sábado, a Revistaria Hott, na Avenida Getúlio Vargas, Centro da cidade, cede o espaço para os clientes que queiram comprar ou trocar figurinhas.

“Chegamos a vender aproximadamente duas mil figurinhas por dia”, revela o proprietário da revistaria, Luciano Nicolodi. Ele conta que aos sábados o local reúne cerca de 200 pessoas, chegando a faltar material para a venda. “O mais interessante é que apenas 10% dos participantes são crianças. O resto são adultos.”
Outro lugar de venda e troca é a Revistaria Jaraguá, no shopping. O proprietário, Joelson Figueiredo da Costa, diz que o local fica lotado todo domingo. “Temos uma programação de estoque para que não falte com este movimento pela busca das figurinhas”, diz. “O movimento neste ano está superior à última Copa. Vem gente de todas as idades”, revela. Ele conta que chega a vender 1,2 mil pacotes por dia, passando de 53 mil desde o início de abril.

Pela primeira vez, o comerciário José de Ávila, 50, resolveu entrar na febre do álbum das seleções. Ele explica que as duas filhas mais velhas não se interessavam por futebol, mas agora ele têm a oportunidade de curtir este momento com o filho Felipe, 7, e o colega dele, Thiago Braga, de oito anos. “O álbum proporciona momentos de interação familiar e integração das pessoas”, analisa.

No último domingo (25), o pequeno Vitor Odorizzi, de nove anos, comemorou ao comprar as últimas figurinhas que faltavam para completar a coleção, junto com o pai Jaime, de 43 anos. “Ter este tempo com meu filho é muito bom. Não tive isso com meu pai”, conta Jaime.

O engenheiro Thiago Elias Bastos, 29, também saiu do shopping no domingo com as últimas figurinhas que faltavam; apenas duas. Ele dedicou cerca de um mês para completar o álbum, participando das trocas que acontecem na cidade. “O bacana disso tudo é ver a união da família nessa hora. Não é só a criançada, os pais se empolgam mais que os filhos”, diz a esposa Sabrina Cordeiro, 28, consultora de RH.

Artigos para a Copa

Outro segmento já preparado para o evento é o de acessórios, como bandeiras, vuvuzelas, chapéus e apitos. Segundo a gerente de uma loja de artigos gerais, Valdinete Bertoso da Silva, o movimento ainda está começando, mas a expectativa é vender tudo. “Há quatro anos, na última Copa, as vendas foram ótimas e esperamos o mesmo para este ano”, afirma. A loja possui mais de 15 artigos para chamar a atenção da torcida.

Descontentamento com o evento

Faltando menos de um mês para o início da Copa do Mundo, a maioria dos brasileiros não tem mostrado animação para o torneio. É o que levanta uma pesquisa da Datafolha divulgada em março deste ano. De acordo com os dados, apenas 46% dos 2.091 entrevistados acham que o Mundial será bom ou ótimo. A maioria (54%) acha que a competição será regular (30%) ou ruim e péssimo (24%).

Os protestos anti-Copa que já aconteceram e vêm se repetindo nas últimas semanas, começaram a ganhar repercussão internacional. Jornais de todo o mundo passaram a informar sobre as mobilizações que aconteceram há alguns dias em 14 capitais do país. As manifestações simultâneas foram batizadas de «15M», em alusão aos protestos que aconteceram no dia 15 de maio de 2011, na Espanha.

As movimentações aconteceram em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre. Em Santa Catarina, um protesto foi registrado na metade do mês, com cerca de 30 pessoas. Elas se organizaram em frente ao hotel Costão do Santinho, em Florianópolis. No local a Fifa realizava o congresso técnico.

Os manifestantes reclamavam dos gastos para a realização do Mundial no país e pediam que a verba fosse investida na infraestrutura da capital catarinense. Cerca de 40 oficiais da Força Nacional e da Polícia Militar fizeram a segurança do protesto pacífico.

Pontos de encontro para a torcida

A Copa do Mundo vai ganhar uma atenção maior do setor de gastronomia de Jaraguá do Sul. Diversos locais estarão disponíveis para as famílias e grupos de amigos se encontrarem para comer algo e assistir aos jogos do Mundial.

De acordo com o coordenador do Núcleo de Gatronomia da Acijs-Apevi, Odinei Schappo, é importante investir e entrar no clima da Copa, mas as expectativas de aumento significativo dos lucros não são muito grandes. “Além dos horários dos jogos não favorecerem, as pessoas aqui preferem se reunir em casa”, diz. “Com certeza esperamos um aumento, mas não temos muitas apostas.”

A Cachaçaria Água Doce é um dos estabelecimentos que já está com tudo pronto para receber os torcedores. Os dois telões e mais três televisores estão posicionados e a decoração está por toda parte. Segundo o sócio-proprietário do local, Gilmar Pereira Lourenço, 37, a partir do primeiro dia de junho os clientes encontrarão a cachaçaria toda em verde e amarelo, inclusive os funcionários, com boné, camiseta e avental com as cores da seleção.

As expectativas dos proprietários são positivas para o mês de junho, com um aumento de 20% no movimento. A intenção, também, é atrair os clientes com a promoção que a casa fará no mês: a cada gol do Brasil, os clientes ganharão um copo de choppe. “Mas esperamos que a seleção não exagere no número de gols”, brinca Gilmar.

A também socio-proprietária do local, Maria Aparecida Firmino Alves, 58, conta que ainda serão colocados mais enfeites, mas garante que tudo estará pronto no mês da Copa. De acordo com os planos, será colocada uma bandeira na torre do estabelecimento. O local comporta de 280 a 300 pessoas.

No shopping da cidade também será possível assistir aos jogos da Copa. Dois telões serão instalados na Praça de Alimentação e ficarão ligados das 10h às 22h com exibição ininterrupta. A expectativa é de que o local seja transformado em ponto de encontro dos torcedores.

O que vai fechar?

Prefeitura, secretarias e escolas devem liberar funcionários e alunos uma hora antes da cada jogo. A excessão fica por conta dos serviços essenciais que deverão ser mantidos.

Os grandes supermercados, como Angeloni, Fort Atacadista e Cooper, abrem normalmente.

Via OCP