Por: Ricardo Daniel Treis | 19/07/2011

Edição de hoje, viram? Segue com alguns grifos meus e observações entre parênteses:

NEM TODOS QUEREM SAMBAR
Jaraguá do Sul comemora 135 anos no dia 25 de julho. Para celebrar a data, uma série de eventos foi programada pela Fundação Cultural. Mesmo assim, nem todos estão satisfeitos com as opções, e estão usando as redes sociais para avaliar as atrações, que incluem a participação de uma escola de samba de Florianóplis no desfile.

“A grande atração é direcionada a uma minoria”, diz o publicitário Ricardo Treiss sobre a contratação da Escola de Samba Protegidos da Princesa, de Florianópolis, e o 1º Encontro Nacional de Mestres-salas e Porta-bandeiras.

Ricardo também reclama do atraso na divulgação da programação, publicada há pouco mais de duas semanas. Ele tem um blog que fala da cidade e aguardava a programação no fim do mês passado.

Ricardo diz que não é contra incluir samba na festa, mas a programação deveria dar espaço a diferentes gêneros. “É claro que o samba merece mostrar seu trabalho, mas o sertanejo e o pop rock atinge bem mais pessoas, só para ilustrar”, avalia.

A polêmica chegou à Câmara de Vereadores, onde o projeto foi aprovado, mas três parlamentares foram contra. Jean Leutprecht (PCdoB) diz que a cidade merecia uma programação melhor, com um destaque nacional. “Não estou questionando o destaque para a cultura afro, mas a programação está pobre, acanhada, a divulgação foi tardia. Temos um espaço ocioso para grandes atrações, que é a Arena Jaraguá. Se os gestores municipais não se movimentarem, aquilo lá não terá serventia. Tem que correr atrás”, diz.

Para a vereadora Natália Petry (PSB), a Fundação Cultural só seu preocupou em privilegiar manifestações culturais de uma etnia no aniversário. “Gosto de lembrar que Jaraguá é constituída por cinco influências culturais. Alemã, italiana, polonesa, húngara e africana. Por conta do gosto pessoal dele (Jorge) só uma é priorizada“, lamenta.

O vereador Justino da Luz (PT) lembra que a cidade dispõe de dois espaços públicos – Arena Jaraguá e Parque de Eventos – que poderiam receber grandes shows. Também sugeriu transporte grátis para facilitar o acesso da população.

ATRAÇÃO NACIONAL CUSTA CARO
O presidente da Fundação Cultural, Jorge Luiz da Silva Souza, diz que por R$ 60 mil não conseguiria trazer nenhum nome de destaque no cenário nacional (cof, cof), porque, além do cachê, os custos com transportes, hospedagem e alimentação, encarecem a contratação.

Jorge Luiz acrescenta que o foco não é incluir Carnaval no desfile de aniversário da cidade, mas oferecer uma oportunidade de as pessoas mostrarem seu trabalho. “A resistência é de meia dúzia que não vê a programação como um todo” (um “todo” de quê?), afirma Jorge.

O presidente diz que o samba ganhou destaque este ano por causa do 1º Encontro de Mestres Sala e Portas-bandeiras (não: é porque vai custar R$77 mil), um pedido feito à prefeita há dois anos. “A escolha da Escola de Samba Protegidos da Princesa, de Florianópolis, teve a ver com o enredo este ano, a Oktoberfest. Com o convite procurei reunir as duas culturas”, explica. Jorge lembra que as comemorações começaram no início do mês e que a cultura das outras etnias não foi esquecida. “Teremos exposição de artesanato húngaro, shows de sertanejo e pop rock. No fim do mês, terá o Bee Gees cover, que é o único que estamos cobrando ingresso, mas é R$ 20 e R$ 10, por ser no Teatro da Scar”, ressalta.

Ao publicar a insatisfação no blog Por Acaso, o publicitário Ricardo Treiss atraiu descontentes. Um manifesto criado por ele há uma semana, no Facebook, intitulado “Jaraguá 135 anos – Reclame massivo à Ouvidoria do Município”, até ontem tinha 124 adesões. “A intenção é questionar o fato de a verba para os shows não ser repartida com todos os segmentos”, explica Ricardo.


Porra, erraram meu sobrenome.

Porra, não precisa ter show nacional. Só precisa ter show.

Porra, o Jorge não vai reconhecer mesmo. 

E até agora não recebí resposta à minha solicitação da tabela de custos dos eventos.