Por: Isah Sanson | 16/12/2011

Lembram da pesquisa que fizemos sobre a interação dos políticos da nossa região com seus eleitores através de redes sociais?

O pessoal do Correio do Povo também fez uma matéria interessante. Dá uma olhadinha:

Apesar do uso da internet fazer parte da realidade atual, alguns políticos da região ainda resistem à comunicação pelas mídias sociais e às possibilidades de interação. Uma pequena parcela dos prefeitos do Vale do Itapocu e dos vereadores de Jaraguá do Sul até possuem perfis, sites próprios, blogs, mas não interagem com o público cotidianamente.

Na região, apenas os prefeitos de Corupá, Luiz Carlos Tamanini (PMDB), e de Guaramirim, Nilson Bylaardt (PMDB), utilizam os recursos do meio digital. Dos 11 vereadores de Jaraguá do Sul, Natália Petry (PMDB), Ademar Possamai (DEM), Francisco Alves (PT), Amarildo Sarti (PV) e Jean Leutprecht (PC do B) estão conectados na rede. A maioria se tornou adepta ao uso da internet mais frequentemente de 2009 para cá.

Porém, a parcela de representantes políticos que possui um endereço virtual não mantém contato com seus eleitores. Tamanini, por exemplo, procura se inteirar sobre ações de parlamentares e dos governos, mas não há o intuito exclusivo de estabelecer um contato com o público até porque muitas pessoas da cidade têm acesso restrito à internet em casa. “Acho ainda que o contato pessoal com o eleitorado deva ser mais valorizado para conseguir conquistar a confiança e o voto”, opina.

No Estado, o representante político da região Carlos Chiodini (PMDB) desde a sua campanha eleitoral possui endereços virtuais e ainda hoje utiliza as ferramentas diariamente. Os senadores catarinenses Paulo Bauer (PSDB), Casildo Maldaner e Luiz Henrique da Silveira (PMDB) também estão conectados com seus eleitores pela internet.

De acordo com a professora especialista na área da comunicação do Ielusc de Joinville, Marília Maciel, não há como escapar do uso da internet atualmente, pois a prática já faz parte da rotina dos brasileiros. “Então, o político que não utilizar esses meios para comunicar suas propostas e ações já está fatalmente atrasado em relação aos demais”, afirma.

Na leitura de Marília, os políticos devem utilizar os recursos que as novas tecnologias oferecem para mostrar serviço, ou seja, informar as ações, interagir com o eleitor, solicitar opinião dos eleitores acerca de determinado assunto, divulgar gastos públicos e opinar.

Mas, é preciso evitar exageros. “Já vi político que passa o dia todo postando futilidades no Facebook ou no Twitter. Ora, é sinal de que o sujeito não faz nada na vida, tem tempo para ficar o dia todo na internet”. Para saber mais sobre o assunto, confira a entrevista completa com a especialista abaixo.

O Correio do Povo – Quais os cuidados que os políticos devem ter ao expor sua imagem na internet, pois muitas vezes se envolvem em discussões polêmicas?
Marília Maciel – O bom senso deve prevalecer em qualquer situação de comunicação, mas com relação à internet, o cuidado deve ser ainda maior, afinal, é um modo de rápida disseminação das informações e de longo alcance. Um dos principais riscos é a propagação de mensagens fora do contexto, ou seja, recortes de falas ou situações que, deslocadas da situação completa de enunciação, adquirem significações prejudiciais ao seu emissor. Assuntos complexos demais, por exemplo, são de difícil abordagem no twitter. Resistir à tentação de efetuar comentários ou postagens instantâneas, sem reflexão, é um hábito que os políticos precisam adquirir, pois é sempre mais complicado tentar corrigir o que já foi veiculado na rede.

OCP – No período de campanha eleitoral, é mais frequente o uso da internet pelos candidatos. Qual sua opinião sobre isso?
Marília – O uso da internet deve ocorrer durante todo o mandato, não só em época de campanha eleitoral, pois isso causa o mesmo efeito daquele candidato que só cumprimenta os mais humildes alguns meses antes da eleição. O eleitorado tende, naturalmente, a rejeitar mensagens de candidatos ou a desconfiar delas, por isso é preciso conquistar o interesse desse eleitor bem antes das eleições. É claro que, no período eleitoral, as informações e apelos por meio da internet se acentuam – isso é normal – mas só surtirão efeito se a relação com esse usuário das redes sociais tiver se construído com antecedência.

OCP – Muitas vezes não é o político que participa das redes, mas seus assessores. É correto esse tipo de ação?
Marília – É praticamente impossível ao político (assim como aos artistas ou esportistas famosos) monitorar toda a gama de redes e mecanismos de contato com o eleitor pela web. Os assessores precisam auxiliar, mas, para que isso funcione, é necessário um perfeito entrosamento da equipe. A comunicação interna (entre político e assessores) precisa ser sólida o bastante para saber exatamente o que o político responderia ou como trataria determinado assunto. Do mesmo modo, as informações para a assessoria precisam ser atualizadas constantemente. É importante ser honesto com o eleitor e deixá-lo ciente de que existe uma assessoria que ajuda o político na tarefa de atender os cidadãos.

Sugestões enviadas pela rede que viraram projetos de leis

O deputado Carlos Chiodini (PMDB) e o senador Paulo Bauer (PSDB) tornaram sugestões enviadas por eleitores nas mídias sociais em projetos de leis. A indicação dada ao peemedebista tem a ver com fixação da nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) nas escolas de Santa Catarina. Já a dica aceita pelo tucano veio de um eleitor de Chapecó, que pediu a inclusão de micro e pequenas empresas de comunicação no Programa Simples Nacional.
A possibilidade de estabelecer uma ponte com o eleitor é vista com bons olhos pelo deputado e pelo senador. Mas, eles sabem que o cuidado deve ser dobrado com o que se diz e mostra na rede. Por isso, tucano e peemedebista contam com assessores que monitoram o conteúdo e os comentários postos no Facebook e no Twitter.

Os dois aderiram ao uso da internet na campanha eleitoral de 2008 e desde então se fazem presentes nos meios digitais. “Tenho utilizado bastante as mídias sociais porque são muito eficientes para comunicação com a sociedade. Mas é preciso ainda estar mais presente nos diversos mecanismos”, destaca Paulo Bauer.

Chiodini afirma que seu mandato deve ser interativo, por isso mantém as redes sociais ativas para receber críticas positivas e negativas. “Acho importante ter essas ferramentas para interagir com o público, saber o que as pessoas pensam sobre vários assuntos. Não tenho receio de me envolver em discussões polêmicas. O político precisa se posicionar, mas sempre ouvindo a opinião dos eleitores”, ressalta o deputado.

Prefeitos da região

Prefeito de Schroeder, Felipe Voigt (PP) ainda resiste ao uso da internet e das mídias sociais. Para ele, a comunicação por meios digitais toma muito tempo o que torna difícil conciliar com os deveres de administrador público. Mesmo assim, ele vai estudar a possibilidade de ter um endereço virtual no ano que vem.

Prefeito de Corupá, Luiz Carlos Tamanini (PMDB) aderiu o twitter no ano passado. Além de divulgar suas ações, utiliza a ferramenta para acompanhar os debates sobre política.

Prefeito de Massaranduba, Mário Fernando Reinke (PSDB) não utiliza os recursos da rede. Teve um site exclusivo para o período de campanha eleitoral em 2008, mas logo depois foi desativado.

Prefeita de Jaraguá do Sul, Cecília Konell (PSD), não possui ferramentas na internet, mas estuda a possibilidade para o ano que vem.

Prefeito de Guaramirim, Nilson Bylaardt (PMDB) possui Facebook e Twitter. Na maioria das vezes, é ele mesmo quem usa as ferramentas. A assessoria de imprensa auxilia na postagem de conteúdos e ações do governo.

Eles preferem o contato pessoal e não o virtual

José Ozório de Ávila (PSD), conhecido popularmente como Zé da Farmácia, e Ademar Winter (PSDB) admitem preferir o contato pessoal com o eleitorado. Os dois não utilizam os recursos da rede e seus e-mails da Câmara de Jaraguá do Sul ficam sob a responsabilidade de seus assessores.
“Uso apenas o telefone por ser mais prático. Não tenho interesse em aderir a ferramentas virtuais. Acredito que é mais interessante uma visita na casa do eleitor. O povo gosta da visita do candidato”, afirma o vereador Winter. Zé da Farmácia, que compartilha da mesma opinião do tucano, fala que é preciso ter muito cuidado ao usar a internet porque o conteúdo postado pode ser usado a favor e também contra o político.

Vereadores conectados

Possuem conta no Facebook: Natália Petry (PMDB), Amarildo Sarti (PV), Jean Leutprecht (PC do B), Francisco Alves (PT) e Ademar Possamai (DEM). Sarti possui um blog, para divulgar suas ações. E Leutprecht utiliza o Twitter.