Por: Ricardo Daniel Treis | 5 anos atrás

A Mostra Internacional de Instrumentos Medievais de Tortura volta à Jaraguá do Sul, neste ano. A exposição, única no mundo, reúne trinta tipos de objetos originais, usados desde o ano de 1100. A mostra está aberta à visitação no Museu Histórico Emilio Silva até 18 de agosto.

Foto: Lucio Sassi

O esmagador de cabeças, a cadeira de inquisição e a mesa de estiramento foram meios cruéis de punição durante muitos séculos. Eram usados por reinos e igrejas como um método ético de correção a criminosos e hereges. Atualmente, esses mesmos objetos servem de exemplo sobre uma história que não deve se repetir. “A exposição tem objetivos histórico e social. É uma aula de história viva e faz refletir sobre como fomos no passado. Naquela época era bárbaro, mas era ético. Isso mostra como o ser humano evolui e como tem que evoluir”, diz a coordenadora da exposição Carla Andrade. Segundo ela, no período medieval, acreditava-se que a tortura era o caminho para a “salvação” e as punições eram acompanhadas de festa em praças públicas.

No Museu Emílio Silva o visitante poderá conhecer um dos instrumentos mais antigos de tortura, a cadeira inquisitória. Construída em 1189, o acusado sentava-se e tinha o corpo perfurado por estacas de ferro. Outro instrumento de perfuração é a “Virgem de Nuremberg”, também chamada de “dama de ferro”. Construída em 1515, é semelhante a um sarcófago de madeira e contém furos para passar lâminas. Como os torturadores conheciam a anatomia humana, os furos eram estratégicos e as lâminas não atingiam áreas letais – o que provocava a morte lenta.

A mostra é fruto de um trabalho da Associação de Pesquisadores de História de Verona, na Itália. Com o objetivo de disseminar o conhecimento sobre a brutalidade humana, esse grupo selecionou instrumentos de tortura em diferentes museus da Europa e organizou uma única exposição. Foram cerca de dez anos de pesquisa e arrecadação dos itens.

A exposição começou na Itália, em 1985, com o slogan “Tortura nunca mais”. Nos anos seguintes passou, principalmente, em castelos onde se praticavam a tortura: na França, Espanha, Alemanha, Áustria e Polônia. O acervo chegou ao Brasil em 1996 por iniciativa do historiador Franco Gentili, da Associazione Ricercatori Storici D’Itália, de Florianópolis. A exposição esteve em Jaraguá do Sul naquele ano e voltou neste mês ao Museu Emilio Silva.

O ingresso da mostra custa R$ 6. Estudantes e idosos pagam R$ 3,00. Grupos acompanhados de professores pagam R$ 2,00, mediante agendamento prévio.

Via O Correio do Povo.


O Museu Histórico Emílio da Silva fica na Avenida Marechal Deodoro da Fonseca, 247, Centro. O horário para visitação do espaço é de terça à sexta-feira, das 8 às 11h30 e das 13h30 às16h30. Aos sábados, das 9 às 12 horas; aos domingos, das 15 às 18 horas. O telefone para contato é (47) 3371-8346.