Por: Ricardo Daniel Treis | 5 anos atrás

CSI Brasil: um mês depois ainda não sabe-se quem é o responsável, e a apuração do caso só continua em novembro quando a promotora voltar de férias.

"Vamos precisar de mais amostras de saliva"

“Vamos precisar de mais amostras de saliva”

Nesta quinta vai fazer um mês que uma nuvem gigante de fumaça colocou São Francisco do Sul nas manchetes dos noticiários nacionais e forçou a retirada de parte da população da cidade por risco de intoxicação. Se o tempo foi suficiente para que São Chico retomasse seu ritmo normal, o mesmo não se pode dizer em relação à busca por respostas sobre o que aconteceu.

Ainda não há certeza do que provocou a reação química com as mais de 10 mil toneladas de fertilizantes armazenadas no galpão da empresa Global Logística, no bairro Paulas. Cabe ao Instituto-geral de Perícias (IGP) a tarefa de esclarecer o evento por meio de análises científicas, feitas em parceria com os bombeiros militares, mas o trabalho é considerado complexo e não há prazo de conclusão.

Sem o laudo do IGP, as apurações dos ministérios públicos Estadual, Federal e das polícias Civil e Federal continuam pendentes. Responsável por um inquérito civil público em andamento, a 1ª Promotoria de Justiça de São Francisco do Sul avançou em um ponto: conforme resposta dos bombeiros militares ao MP, o galpão da Global Logística não teria condições de funcionamento.

Segundo o ofício da corporação, a empresa não solicitou nem passou por vistoria dos bombeiros. Por outro lado, a Prefeitura de São Chico informou à 1ª Promotoria que a empresa tinha alvará de funcionamento. O Ministério Público também solicitou documentos à Global Logística. A documentação já foi entregue, mas ainda aguarda avaliação.

Quem cuida do caso é a promotora Luciana Schaefer Filomeno, que está de férias e retomará a apuração em novembro. Ela também requisitou laudos da Fatma e do Ibama para estimar a extensão dos impactos ambientais. As solicitações foram enviadas no dia 30 de setembro, com prazo de um mês para resposta.

Se for concluído que houve dano ambiental, o próximo passo é o MP ajuizar uma ação civil pública para cobrar reparações de eventuais responsáveis pelo acidente. Criminalmente, o caso já é investigado pela Polícia Civil da cidade. Conforme o delegado Leandro Lopes de Almeida, cerca de 15 pessoas foram ouvidas. Mais testemunhos precisam ser tomados. Mas é a perícia, diz o delegado, que sustentará a conclusão do inquérito.

— O norte final é alcançado com os laudos. Sem eles, não temos como definir o enquadramento jurídico e eventuais sanções.

O delegado diz já ter uma avaliação prévia dos fatos, mas prefere não se antecipar. O procurador da República em Joinville, Mário Sérgio Ghannagé Barbosa, também acompanha um inquérito civil na esfera federal. Por enquanto, diz Mário Sérgio, a procuradoria aguarda documentos de Fatma, Ibama e PF.

Via AN, continue lendo