Por: Ricardo Daniel Treis | 6 anos atrás

Dizendo-se ameaçado pelo ladrão que levou o carro do seu filho e prejudicado pelo Judiciário, que decidiu soltar o suspeito menor de idade, um morador de 57 anos do bairro Petrópolis, na zona Sul de Joinville, resolveu protestar publicamente pela situação ontem. Sem gritar palavras de ordem, nem empunhar cartazes, ele acorrentou o braço esquerdo ao corrimão da escadaria principal do Fórum de Joinville, no Centro, por volta do meio-dia.

Passou o cadeado na corrente e sentou na escada, mantendo-se em silêncio até que alguém fosse perguntar o porquê do ato. Polícia Militar e até um juiz foram chamados para intervir. Foi quando ele explicou o que o motivou: “É o desespero”. A chave do cadeado havia sido deixada em casa. O homem ficou acorrentado por menos de uma hora – um funcionário do Fórum serrou a corrente com uma ferramenta.

A decisão do homem veio ao saber que o Ford Escort de cor azul metálico do filho dele, de 18 anos, ficaria retido pela Polícia Civil para ser submetido a perícia. Em contrapartida, o adolescente apreendido com o carro furtado, no sábado de madrugada, foi encaminhado para a Delegacia de Proteção à Mulher, à Criança e ao Adolescente, e depois liberado para a família.

A decisão do Juizado da Infância considerou que o rapaz de 17 anos não representa ameaça à sociedade no momento e que o crime – furto – não era grave.

O pai da vítima discorda. “O rapaz (suspeito) já tinha roubado outros carros. É o quarto neste mês”, afirmou o manifestante. A informação não foi confirmada pela Polícia Civil. O carro permanece detido na Central de Polícia.

“Meu filho trabalha em uma distribuidora de alimentos. Se faltar ao trabalho para correr atrás disto, vai perder os benefícios”, argumentou o idoso.

O juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Civil (até então sem relação com o caso), conversou com o manifestante e se comprometeu a analisar o que pode ser feito para agilizar a liberação do veículo.

Segundo a Polícia Civil, o carro poderia ser periciado ontem ou hoje para ver se não há adulteração. Se não houver nenhuma mudança, poderá ser imediatamente liberado.

Via AN.