Por: Cláudio Costa | 2 anos atrás

Paciente e amigo, essas são as definições que os ex-alunos fazem do bem humorado e brincalhão Venicio Pacher. Na juventude, ele estudou em um seminário dos salesianos e, após estudar em Lorena, no Estado de São Paulo, foi trabalhar no seminário em Ascurra, no Vale do Itajaí. O professor chegou na cidade em 1976, onde por 25 anos atuou no Colégio Marista São Luis, e por 32 anos na Escola Educação Básica Roland Harold Dornbusch. Natural de Rio dos Cedros, Pacher é formado em filosofia pelo Centro Universitário Salesiano, em Lorena, e matemática pela Furb (Universidade Regional de Blumenau).

Segundo o professor, atualmente aposentado, é difícil escolher qual é a escola preferida. “Olha, trabalhei apenas nos dois colégios, e fica difícil escolher só um deles. A minha vida foi trabalhar como educador, sempre foi o meu objetivo e não trocaria por outra profissão”, confessa Venicio. “Dizem que é difícil, mas venci como professor. É uma paixão, estou muito feliz e muito satisfeito”, completa, ao ressaltar que não há nenhum arrependimento na sua carreira.

Alunos em visita ao Zoológico de Pomerode. Foto: Cláudio Costa

Alunos em visita ao Zoológico de Pomerode em 1979. Reprodução: Cláudio Costa

Pacher conta que a sua intenção sempre foi ser educador. “Nunca quis ser apenas um professor de matemática. Eu sempre quis ser um educador (…)meu objetivo principal foi de educar o jovem, a criança. Esse foi o meu objetivo maior”, confidencia.

Alunos em visita ao Zoológico de Pomerode. Foto: Cláudio Costa

Alunos em visita ao Zoológico de Pomerode em 1979. Reprodução: Cláudio Costa

“Os meus ex-alunos sempre falam que eu era paciente, que eu sabia compreender a turma”, reflete. Venicio ajudava os alunos em horas em que deveria haver cobrança, como na entrega dos deveres.  “Eu dizia: não tem problema nenhum, traz amanhã”, lembra o educador. “Quando acontecem os encontros de alunos, eu sempre sou convidado, graças a Deus”, festeja.

Foto: Venicio e a mulher em foto dos anos 70. Reprodução: Cláudio Costa

Foto: Venicio e a mulher em foto dos anos 70. Reprodução: Cláudio Costa

Durante o seu trabalho como educador, Venicio teve alguns alunos ilustres. Um deles é o jogador do Atlético de Madrid e da Seleção Brasileira Filipe Luís. Pacher lembra que o jogador era “um cara legal e bem pacato. Ele sempre sentava do lado esquerdo da sala lá no São Luis”. Políticos passaram pelas salas de aula comandadas por Pacher. Um deles é o atual prefeito de Jaraguá do Sul, Dieter Jansen. “Ele loirinho e muito quieto”, disse, ao garantir que nunca imaginou que Dieter se tornaria político. Outro político que estudou sob a tutela de Venicio foi Jean Leutprecht.

O pregador de peças

Foto: Venicio a frente da fanfarra do Colégio Marista São Luis: Reprodução: Cláudio Costa

Foto: Venicio a frente da fanfarra do Colégio Marista São Luis. Reprodução: Cláudio Costa

Sobre ensinar matemática, Venicio diz que é como dar aula sobre qualquer outra disciplina. “Eu acho que é a mesma coisa que ensinar português, história ou geografia. Mas a matemática sempre teve o estigma de ser uma matéria difícil. Eu lembro que, no Roland Dornbusch, os alunos preferiam matemática a outra disciplina qualquer. Eles preferiam porque eu sempre levava na brincadeira”, define.

Muitas vezes o professor Venicio Pacher pregava peças durante as aulas. Dando risadas, ele contou ao menos duas brincadeiras. “Algumas vezes eu marcava uma prova e, quando chegava o dia, eu dizia que não me lembrava. Eles ficavam loucos de raiva”, relembra. “No dia 1º de abril sempre tinha prova em todas as minhas turmas. Quando chegava no final, eu perguntava o dia e saia da sala sem pegar os testes”, emenda o professor.

A música

Apesar de lidar com números durante toda a vida, Venicio tem uma forte ligação com a música. Apesar de nunca ter exercido a atividade de músico profissional, o professor de matemática sempre esteve com um pé em algum canto em que as notas musicais eram a principal matéria. A sua paixão pelos sons dos diversos instrumentos acabou fazendo parte de momentos marcantes da sua carreira de educador. “Eu sempre trabalhei com música, mas nunca foi o meu ganha pão”, frisa. “Sempre foi um hobby. Se precisasse de alguma coisa, eu estava lá”, relembra.

Venicio e o acordeão que ganhou do amigo Antídio Lunelli. Foto: Cláudio Costa

Venicio e o acordeão que ganhou do amigo Antídio Lunelli. Foto: Cláudio Costa

Pacher foi o mestre da fanfarra do Colégio Marista São Luis. Durante cerca de cinco anos, ele foi o responsável por ensaiar e comandar o grupo musical. “Em uma edição do Jasc (Jogos Abertos de Santa Catarina), a gente foi com a fanfarra do São Luis para fazer a abertura”, conta Venicio. Segundo ele, a experiência de trabalhar a música com os alunos da instituição de ensino durante aquele período foi gratificante. A música também proporciona uma das atividades mais prazerosas para Pacher. Ele trabalha em dois corais do Círculo Italiano de Jaraguá do Sul e em Nereu Ramos. “Nós temos três discos gravados”, destaca.

[youtube_sc url=”https://youtu.be/oS6ylqBSbNc” width=”650″ autohide=”1″]

Outra lembrança do professor é relacionada às gincanas realizadas no Colégio Marista São Luis. O evento agitava toda a cidade nos anos 90. “Lá, a gente via o pessoal trabalhar em equipe. E isso motivava muito a gente a fazer todos os trabalhos. O colégio chamava a polícia para orientar o pessoal e evitar algum incidente”, observa. Durante uma das provas, ele deu uma grande demonstração de suas habilidades musicais. “Em uma gincana, eu toquei o Tema de Lara em 16 instrumentos diferentes, um seguido do outro”, afirma.

Venício toca acordeão no Círculo Italiano de Jaraguá do Sul. Reprodução: Cláudio Costa

Venício toca acordeão no Círculo Italiano de Jaraguá do Sul. Reprodução: Cláudio Costa

Mensagem

Aos 64 anos, o professor está aposentado. Para os seus alunos, Pacher tem uma mensagem importante. “Não leve a vida apenas para si, leve a vida para ser útil para o outro”, indica.

“Ajudando os outros, automaticamente todo o resto vem como consequência. O sucesso na vida vem, a felicidade vem. Alguém sempre vai lhe dar a mão pra lhe auxiliar”, ressalta.

Além do trabalho desenvolvido no Círculo Italiano, Venicio ainda se dedica a dar aulas particulares de matemática. Em muitos casos, ele não cobra pelas lições dadas em sua casa. “Eu só peço para a escola me trazer a prova. É um grande prazer ver a felicidade do aluno com um oito na prova”, declara.

IMG_6595 (2)

Venicio e a mulher em desfile de 7 de setembro na rua Reinoldo Rau. Reprodução: Cláudio Costa

Amigos

Um dos grandes valores da vida é a amizade. Segundo Pacher, há três pessoas muito importantes para a sua vida fora do seu círculo familiar. Eles são Antídio Lunelli, Udo Wagner e Adalberto Bortolini. “São três pessoas as quais tenho muito respeito e grande admiração”, salienta. Como presente, Lunelli deu um acordeão italiano para o professor. Instrumento que ele toca com muito carinho. Wagner ajudou Venicio durante a época dos estudos. “Na época, eu não tinha dinheiro para a pós-graduação e ele bancou quase toda a minha pós-graduação na Furb”.

Há ainda uma pessoa especial, um verdadeiro irmão. Venicio conheceu Adalberto durante a época do seminário de Ascurra em 1958. Foram juntos para o interior de São Paulo para estudar e foram parceiros no Colégio Marista São Luis. “Ele foi quem arrumou o trabalho para mim aqui nos maristas”, conta. Adalberto dava aulas de matemática e também trabalhou na coordenação da instituição. “É uma pessoa que eu não tenho palavras para descrever. Hoje, eu me dou bem com a mulher dele, com a família também. É uma vida que a gente constrói junto e que não tem preço”, finaliza.


Este post faz parte da série “Grandes Mestres de Jaraguá” e se você ainda não conferiu, dá uma olhada nas outras histórias que já saíram por aqui:

– Rosane Vera, a professora que ensinava com música

– O filósofo e sociólogo Oswaldo Mabba

– Sirley Schappo, a professora que ensinava a gostar de ler

– Ito, o entusiasmo do padrinho do basquete

– Arizinho, o ídolo do futebol que inspirou gerações

Colabore, você também pode enviar a sugestão de um mestre que marcou sua vida! O e-mail é contato@poracaso.com, ficaremos muito gratos por sua contribuição. 🙂