Por: Ariston Sal Junior | 4 anos atrás
Prefeitos apontam perdas de cerca de R$ 111 milhões após cheias do último final de semana (Lúcio Sassi)

Prefeitos apontam perdas de cerca de R$ 111 milhões após cheias do último final de semana (Lúcio Sassi)

O governador Raimundo Colombo (PSD) esteve em Jaraguá e prometeu a liberação de recursos para a recuperação das cidades da microrregião do Vale do Itapocu afetadas pelas enchentes do último final de semana. Jaraguá do Sul, Corupá e Guaramirim registraram perdas de aproximadamente R$ 111 milhões. A cifra é resultado de levantamento prévio das prefeituras. O encontro foi organizado pelo deputado estadual Carlos Chiodini (PMDB).

Os prefeitos Dieter Janssen (PP), Luiz Carlos Tamanini (PMDB) e Lauro Fröhlich (PSD) solicitaram a quantia inicial de R$ 53,8 milhões para a recuperação prévia dos municípios e custeio dos atendimentos emergenciais que vêm sendo realizados desde sábado. Em contrapartida, a primeira oferta do governo do Estado para os 32 municípios catarinenses atingidos pelas enchentes se aproxima dos R$ 35 milhões. Governo Federal disponibilizou R$ 3 milhões, R$ 2 milhões virão do Governo Estadual e R$ 30 milhões do Fundo Estadual de Defesa Civil. Cerca de R$ 1,3 milhão estão sendo liberados gradativamente aos municípios desde o início das cheias. “Este pequeno valor é apenas para os serviços de emergência para o enfrentamento do problema, como óleo diesel, aluguel de máquinas, compra de cestas básicas, telha e é suficiente, mas se existir necessidade podemos aportar uma quantia maior”, argumenta Colombo.

Investimento em duas etapas

Segundo Colombo a liberação dos recursos se dará em dois momentos. O primeiro, será o financiamento dos atendimentos humanitários de resgate das vítimas, de provimento das necessidades primárias e de realização das obras emergenciais. “São R$ 5 milhões que estarão à disposição dos prefeitos mais tardar na segunda-feira para serem utilizados nesta fase emergencial de acordo com as necessidades de cada um”, afirma.

Para a segunda etapa de reconstrução das cidades é preciso respeitar trâmites burocráticos para a liberação de recursos que, prometeu Colombo, serão minimizados. Os prefeitos deverão apresentar levantamento dos prejuízos contabilizados. “Vamos auxiliar as prefeituras com as documentações e saber quais são as intervenções necessárias para então levantar o volume de recursos”, conclui.

FGTS deve levar pelo menos 30 dias

As famílias que foram afetadas pelas chuvas e aguardam para receber o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço precisarão ter paciência. Mesmo com o governador afirmando que “todo o diálogo com o Governo Federal é realizado para que a liberação aconteça o mais rápido possível”, a burocracia deve levar cerca de 40 dias. “O trâmite na Caixa Econômica Federal leva de 20 a 30 dias, mas os municípios costumam preparar a documentação em 10 dias por estarem envolvidos na resposta às enchentes”, pontua o secretário estadual de Defesa Civil, Rodrigo Moratelli. O órgão ajudará os municípios no processo.

Jaraguá do Sul

Jaraguá do Sul foi o município que solicitou a maior quantia de recursos. No ofício apresentado, o prefeito Dieter Jansse (PP) solicita R$ 43 milhões, montante que inclui recursos para obras de prevenção. (Veja no quadro). “Nos preocupamos principalmente com as obras de enrroncamentos nas laterais dos rios para contê-lo onde ele teima em avançar, como em Nereu Ramos, e com desassoreamentos dos rios Itapocu e Jaraguá”, enfatiza Janssen. Além dos recursos para prevenção, há pedidos urgentes para o restabelecimento de acessos à localidades isoladas.

Empresas

Segundo o presidente do Instituto Jourdan, Benyamin Parham Fard, até o momento foi possível entrevistar 100 das quase 14 mil empresas instaladas. Apenas 57 computaram os prejuízos causados pelas chuvas. “Elas nos acusaram o montante de R$ 8 milhões”, afirma. “Mas esse número pode crescer porque muitas não calcularam o prejuíso”, completa. Ele apela que os empresários procurem o Instituto Jourdan. “Elas precisam constar no relatório que será entregue ao Estado solicitando financiamento emergencial com juros subsidiados e a prorrogação do pagamento do ICMS”, conclui.

Guaramirim e Corupá 

O prefeito Lauro Fröhlich solicitou mais de R$ 4 milhões, que recurso deve ser utilizado para que Guaramirim consiga retomar a normalidade. “Preciso do recurso imediatamente para poder dar continuidade aos trabalhos. Estamos fazendo o básico”, alega Fröhlich. O recurso financiará obras de recuperação das cabeceiras das pontes, de macadamização de todas as ruas do município e retirada das barreiras de pontos de deslizamentos. Há ainda creches, postos de saúde e escolas completamente danificadas. “Só o prejuízo em estrutura pública soma R$ 17 milhões”, pontua Lauro. O município ainda não calculou o prejuízo total ocasionado pelas cheias em relação ao comércio, agricultura e indústria.

Em Corupá o prejuízo inicial está orçado em R$ 15 milhões considerando apenas as estruturas municipais. “Temos um levantamento prévio dos danos públicos. Mas, a princípio as perdas são de R$ 55 milhões na indústria e R$ 5 milhões na agricultura”, afirma o prefeito Luiz Carlos Tamanini, que solicitou R$ 7 milhões. “É o que preciso para voltar a normalidade. Para aquisição de horas máquinas para limpeza de barreiras, a dragagem de rios e a recuperação de bueiros e de pontes”, conclui.

Prejuízos em Jaraguá somam R$ 7,5 milhões
R$ 200 mil para postos de saúde
R$ 200 mil para quatro unidades educacionais
R$ 30 mil para Conselho Tutelar.
R$ 30 mil para Procon
R$ 20 mil para Ginásio Arthur Müller e áreas de lazer
R$ 970 mil para Samae
R$ 243 mil para recuperação de pontes
R$ 1,8 milhão para aquisição de nove kit’s de transposição e restauração das cabeceiras.
R$ 3,460 milhões para cinco novas cabeceiras de pontes, desobstrução de 35 áreas com barreiras e recuperação de vias;
R$ 600 mil para a ponte Luiz Bortolini
R$ 300 mil para distribuição de kits de limpeza, higiene pessoal e atendimento emergencial disponibilizados às famílias afetadas.

Prevenção

Foram solicitados ainda recursos para realização de obras de prevenção na ordem de R$ 36 milhões. São R$ 8 milhões para obras de contenção de encostas, R$ 10 milhões para obras de enrroncamento e R$ 16 milhões para o desassoreamento dos rios Itapocu
e R$ Jaraguá.