Por: Anderson Kreutzfeldt | 4 anos atrás

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Infelizmente, eu tenho esse hábito desagradável (cigarro) e sempre fiz o possível para que ele não prejudicasse as pessoas ao meu redor – tanto os próximos quanto os desconhecidos – mas aparentemente parece não ser o suficiente. Agora entendo porque “não existem medidas seguras para o consumo dessa substância” (nem pra você, nem para os outros):

Você pode até não fumar em locais fechados e deixar o hábito apenas para quando está em casa ou dirigindo, mas, ainda assim, sua fumaça vai ser prejudicial para quem não fuma. Uma nova pesquisa revelou que camundongos submetidos a fumo de “terceira mão” — como são chamadas as substâncias tóxicas deixadas pelo cigarro em móveis e roupas — sofreram danos “significativos” no pulmão e no fígado, além de terem má cicatrização e hiperatividade.

A equipe por trás do estudo ainda sugere que esse último sintoma, combinado com as atuais evidências envolvendo o fumo passivo a problemas de comportamento em crianças, pode significar que os seres humanos correm o risco de desenvolver distúrbios neurológicos “graves” se continuamente exposto à fumaça de terceira mão durante a fase de desenvolvimento.

Esse é o primeiro estudo desse tipo, já que o termo foi cunhado apenas recentemente, por Jonathan Winickoff do Centro de Câncer de Harvard, em 2009. Ele destacou em sua análise que a natureza tóxica da nicotina deixada em objetos pode durar horas ou até mesmo dias. Winickoff defendeu que isso poderia representar um perigo, sobretudo para crianças pequenas.

Mais tarde, outro estudo, publicado em 2010, mostrou que a fumaça se fixa em mesas, tapetes, roupas e pode se transformar em uma substância cancerígeno. “O fumo de terceira mão representa um perigo a saúde por meio da exposição [da pele], inalação de poeira e ingestão”, explicou na época Mohamad Sleiman, do Laboratório Nacional de Lawrence Berkeley, na Califórnia, que liderou a pesquisa.

Agora, um estudo realizado por uma equipe da Universidade da Califórnia mostra em que a exposição contínua pode acarretar. Os cientistas utilizaram como base objetos normalmente presentes em casas e carros durante seis horas por dia, cinco dias por semana, por cerca de seis meses. Eles usaram ratos com idade de três semanas para refletir os efeitos sobre as crianças. As gaiolas foram mantidas em ambientes bem ventilados, como uma residencial comum.

Durante esse tempo, a equipe notou que as feridas nas cobaias levaram muito mais tempo para cicatrizar do que o normal e elas também apresentaram comportamentos hiperativos. Por fim, no final dos seis meses, os ratos foram, nas palavras dos autores, “sacrificados” para uma avaliação dos eventuais danos causados aos órgãos.

Os pesquisadores se depararam com altos níveis de lipídios no fígado. Nos pulmões, a equipe encontro uma produção de colágeno excessiva e altos níveis de citocinas inflamatórias, que sugerem uma probabilidade maior de o indivíduo desenvolver doenças pulmonares. “Ainda há muito a aprender acerca dos mecanismos específicos pelos quais os resíduos de fumaça de cigarro prejudicam os não fumantes, mas o fato de existir tal efeito agora é claro”, avalia Manuela Martins-Green, principal autora do estudo.

via @Galileu

Se você conhece pessoas que fumam e que dizem que o hábito só faz mal para elas mesmas, mande esse link para elas.