Por: Tita Pretti | 4 anos atrás

Ao longo dos anos, a globalização, o êxodo rural e as inúmeras tecnologias influenciaram fortemente as profissões exercidas pela sociedade, especialmente as mais tradicionais. Enquanto algumas profissões surgem, outras desaparecem de vez diante de nossos olhos… Não tinha um alfaiate logo ali? Onde foram parar aquelas escolas de digitação?

Foi justamente para provocar esse tipo de questionamento que o fotógrafo Álvaro de Azevedo Diaz criou o projeto Retratos do Comércio. A saga do fotógrafo começou em novembro de 2011, quando ele começou a percorrer cidades catarinenses com sua câmera fotográfica analógica (modelo Rolleiflex 3.5F de 1965, imagem abaixo) para retratar personagens do comércio local das cidades.

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Segundo Diaz, o projeto tem como objetivo explorar a visibilidade e invisibilidade dos comércios, oferecendo uma compreensão mais ampla do trabalho manual no mundo contemporâneo.

Ao retratar profissões que preservam o trabalho manual na atualidade, o fotógrafo se insere nesse contexto, registrando cenas “do modo antigo”: andando por uma cidade, caça potenciais personagens que representem a dualidade entre tradição e inovação no comércio. Além de fotografar, Diaz também é responsável por fazer a revelação dos filmes.

Foto da foto: Álvaro se prepara para fazer o retrato na Rua Jerônimo Coelho, Centro de Florianópolis Foto: Daniel Conzi / Agencia RBS

Foto da foto: Álvaro se prepara para fazer o retrato na Rua Jerônimo Coelho, Centro de Florianópolis
Foto: Daniel Conzi / Agencia RBS

Achado o personagem, faz o convite, conversa um pouco, espera por uma pose e tira uma única foto. E esse retrato posado diz muitas coisas sobre essas pessoas. “A possibilidade de construir sua própria imagem e identidade social através da pose diz muito mais sobre esses comerciantes do que se eles tivessem sido retratados sem saber”, comenta.

Nessas andanças pelo estado, o fotógrafo visitou Jaraguá do Sul no ano passado (foi  a décima quinta cidade a ser registrada) e finalizou o trabalho em dois dias. O resultado? Ficou lindo demais…confere abaixo:

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Bebel - Du Chocolat

Ivair Nicocelli - Curupira Rock Club

Madri

Tito

No total, o fotógrafo percorreu 27 cidades, mais de 15 mil quilômetros de Santa Catarina e tirou mais de 250 retratos de pequenos comerciantes, artesãos e prestadores de serviços para o projeto “Retratos do Comércio”. Cada sessão de fotos rendeu, em média, uma exposição de cerca de 12 quadros, com as imagens ampliadas.