Por: Ricardo Daniel Treis | 29/01/2014

Palavras do maestro Alex Klein:

Tarefa para 2014: encontrar um caminho para que um concerto orquestral seja apresentado para 1000 surdos, de modo que cada um possa sentir e aproveitar o evento, cada vibração. Recebemos a visita de um grupo de surdos na palestra e concerto da Orquestra de Professores do FEMUSC. Nós “temos” que encontrar uma maneira para que eles participem mais. Fracasso não é uma opção.

Maestro Alex Klein debate ideias com surdos na plateia - Foto: Tiba/We Art

Maestro Alex Klein debate ideias com surdos na plateia – Foto: Tiba/We Art

No release enviado pela assessoria:
Enquanto o público ouvia atentamente as obras regidas pela maestrina inglesa Catherine Larsen-Maguire no sábado (25), no FEMUSC – 9º Festival de Música de Santa Catarina, quem estava na primeira fila do Grande Teatro da SCAR – Sociedade Cultura Artística usufruía de outras sensações. A visita de 12 integrantes da Associação de Surdos de Jaraguá do Sul trouxe uma nova experiência ao Festival, que, nas palavras do diretor artístico Alex Klein, cada vez mais atenderá a estes espectadores especiais.

A cidade tem 1080 surdos, sendo 246 chamados de profundos, com nada de audição. Mesmo assim, eles podem aproveitar o que Jaraguá tem de melhor – a vinda ao FEMUSC foi uma ideia do voluntário Dino de Lucca. “Eles se emocionam quando têm essas oportunidades, porque até então nunca tiveram chance de participar de um evento assim. Mas hoje eles vão ver o concerto e sentir à sua maneira”, explicava Lucca antes do concerto.

Até aquele sábado, Paulo Sérgio Praxedes nunca havia visto uma apresentação musical. Tentou várias vezes pela TV, mas diz não ter sentido nada diferente. “Sempre quando tem algum som eu tento encostar a mão ou a cabeça, pra sentir a vibração”, explica. No FEMUSC, Paulo e os 11 amigos terão nova oportunidade de aproveitar o espetáculo: além de participarem como espectadores no sábado, eles estarão em mais duas apresentações, além do Zoológico Musical, no dia 1º (sábado), quando interagirão diretamente com músicos e instrumentos.

Para Alex Klein, a presença deste público oferece um novo desafio ao FEMUSC. “Aqui vocês devem se sentir em casa”, disse aos convidados na palestra Musicalmente Falando, que antecedeu ao concerto. Conforme o diretor artístico, para 2015 uma das ideias é criar uma plataforma com microfones, onde os surdos poderão colocar as palmas das mãos e perceber a vibração do som, mesmo as mais sensíveis. “Tenho toda a vontade do meu coração de fazer isso funcionar”, promete.

Ao final, a empolgação na primeira fila deixou claro como a ideia da Associação de Surdos funcionou. “Eu fiquei com os braços no encosto de madeira da poltrona e percebi a música. Senti a emoção”, comemorou Daiane Wiszenieiwski.


Da timeline de Alex Klein, outro momento bacana:
alex_surdosLegendou:

Trouxemos um xylophone e um contrabaixo e fizemos um teste de frequências. Nada novo quanto aos resultados. Após o concerto eles estavam todos felizes e sorrindo, dizendo que sentiram as vibrações através do chão e dos braços das cadeiras. Eu gosto da ideia dos balões (n.e: sugestão de uma seguidora, dos surdos segurarem balões nas mãos para captarem as vibrações com mais facilidade), obrigado Dianne. Vamos tentar algo mais tecnológico. Já contatei meu pessoal da técnica aqui e vamos listar alguns outros profissionais que podem ajudar. Eu quero que eles sintam o concerto tão alto quanto as janelas em minha casa vibram quando aqueles idiotas de mau gosto passam com seus subwoofers extra-grandes nos carros.
ÉPICO, hahahaha!