Por: João Marcos | 4 anos atrás

A modelo Brenda M. Garutti, 20 anos, de Timbó, procurou a reportagem do jornal Página 3 para denunciar o que ela e a família acreditam ser um esquema de tráfico de mulheres em Balneário Camboriú.

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Segundo a mãe da modelo, Soraia Maragno, a filha foi contatada para realizar um casting para a produção de um catálogo de uma marca catarinense, mas nacionalmente conhecida. Ela enviou seu portfólio e na sexta-feira (24) foi informada que havia sido selecionada e que deveria estar em um hotel localizado na Avenida Alvin Bauer, no centro de Balneário Camboriú, pois haveria um jantar para as modelos, contratantes e a imprensa.

Até então a família não havia desconfiado de nada, porque o falso contratante teria inclusive enviado contrato com a marca da empresa, informações sobre cachê e hospedagem.

Soraia contou que chegaram ao hotel e que ela viu a reserva da filha e das outras supostas modelos, em nome da empresa. Foi ver o quarto onde a filha ficaria e lá foi informada que não poderia ficar, porque a empresa não cobrira os gastos.

“Eu estranhei, mas tudo bem. Descemos para o saguão e eu continuei questionando aonde estavam as outras modelos. Elas ficariam lá até domingo, e quis esperar as modelos chegarem, quando o suposto contratante, de nome Cleiton, veio perguntar para a recepcionista se as modelos haviam chegado. Ele me cumprimentou e disse que poderia ir embora e minha filha ainda falou que eu era super desconfiada”, contou.

Momentos de terror

Ela relatou que estavam saindo, mas o filho viu o suposto contratante levando Brenda para o elevador e não para o restaurante. “Naquela hora a feição da minha filha não era a mesma e já pensei no pior. Não havia evento nenhum”, pontuou. Ela pediu informações à recepcionista, porém ela alegou que o homem nem tinha reserva ali e que não sabia do que se tratava.

Brenda revelou que quando subiram ela pensou que ele ia para o quarto dela, mas o homem entrou com ela e fechou a porta do apartamento, pedindo para ela abrir as malas e colocar uma roupa “mais intima”. “Nesse meio tempo meu celular tocou e eu entrei no banheiro e fechei a porta,pedindo ajuda para o amigo da família no telefone e minha mãe ja chegou no quarto nesse momento”, relembrou a jovem.

Depois de orientação de um amigo da família, Soraia e o filho foram até o andar do apartamento onde a filha estava. De acordo com ela, a garota estava trancada. O irmão arrombou a porta, mas o contratante conseguiu fugir. “Com certeza iam levar ela para fora do país. Parece que Deus me falava ‘não saia daí’”, afirmou Soraia.

Próximos passos

A família foi embora com medo de que fossem perseguidos ou que no caso de uma denúncia, todos negassem, mas entraram em contato com a empresa que teve o nome usado e juntamente com um advogado retornam a Balneário esta semana para fazer o relato para a Polícia Civil. A polícia deverá apurar quem é o falsário e se há envolvimento do hotel no falso casting, como suspeita a família.