Por: Gabriela Bubniak | 8 meses atrás

Depois dos posicionamentos e lançamento de ferramentas contra o suicídio e a violência na internet, será mesmo que o Facebook permitiria que situações assim continuassem sendo publicadas ou transmitidas ao vivo?

Pois o jornal britânico “The Guardian” teve acesso aos manuais de moderação confidenciais distribuídos aos moderadores e a resposta é, no mínimo arrepiante. Tirem suas própria conclusões!

Com dois mil milhões de utilizadores em todo o mundo, o Facebook é a maior e a mais popular rede social do mundo. Todos os dias, os moderadores da plataforma decidem sobre o que deve ou não ser removido da rede.

Segundo o jornal, há permissão, por exemplo, para a transmissão ao vivo de tentativas de suicídio, autoflagelação, violência , discurso de ódio, terrorismo, pornografia, racismo e até canibalismo. A rede diz que não quer “censurar ou punir pessoas que estão sofrendo”, pois elas podem ser ajudadas por quem as esteja assistindo.

Esta seria a recomendação de especialistas que dizem que o melhor para a segurança dessas pessoas é deixá-las transmitir isso ao vivo, desde que elas estejam envolvidas com os espectadores”.  Os vídeos, no entanto, devem ser depois removidos, já que não haverá mais oportunidade de prestar auxílio.

– Trump está livre disso –
Entre as diretrizes indicadas nos manuais, devem ser deletados os comentários que remetem a ameaças de morte ao presidente dos EUA, Donald Trump. Como chefe de Estado, ele está em uma categoria protegida.

Por outro lado, um comentário que ensina a “quebrar o pescoço de uma vadia” aplicando a pressão correta sobre a garganta dela é admissível, porque isso não é visto como uma ameaça crível.

– Mortes violentas são permitidas –
Também consta que vídeos de mortes violentas, embora assinalados como preocupantes, nem sempre precisam ser excluídos porque, em tese, poderiam ajudar na conscientização sobre doenças mentais e autoflagelação.

– Bullying –
Fotos de bullying contra crianças também não precisam ser apagadas, a menos que exibam elemento sádico ou celebração. Escrever “vamos bater em crianças gordas”, por exemplo, também é permitido.

– Maus-tratos contra animais –
Neste caso também podem ser compartilhados, com exceção de casos extremos apontados como “perturbadores”.  Também são permitidos vídeos de aborto, desde que não mostrem nudez, ainda segundo a reportagem.

Não é triste e assustador? E teve posicionamento da empresa com relação a essas informações:

Monika Bickert, chefe de gerenciamento de políticas globais do Facebook, disse que é difícil chegar a um consenso sobre o que permitir ou não na rede. “Temos um público muito diversificado, e as pessoas têm diferentes ideias sobre o que é correto compartilhar. Sempre vai haver zonas cinzentas. Um exemplo é identificar se algo é satírico ou de conteúdo inapropriado.”

O Facebook tem sido alvo de críticas por não tomar providências para proibir a publicação de imagens abusivas, propaganda extremista e notícias falsas.

Em abril, por exemplo, um americano matou a tiros uma vítima escolhida aleatoriamente e transmitiu o crime ao vivo pelo Facebook, em um vídeo de pouco menos de um minuto.

O presidente-executivo da empresa, Mark Zuckerberg, disse que a empresa faria tudo o que poderia para evitar novos casos.

Fontes: FolhaO Globo, TVi24 e Midia Max