Por: Ariston Sal Junior | 06/08/2014

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“Conheci” Fabiana Passoni pela Internet. Nos “curtimos” pelo Facebook e entrei em contato com o trabalho dela aos poucos, seguido por sua história. Cantora, compositora, com um repertório calcado no Jazz e na Bossa-Nova, Fabiana é a encarnação da fibra, coragem, emotividade, sentimento e perseverança, típicos nas melhores mulheres do signo de peixes. Vida e arte se misturam na biografia dessa mineira de Poços de Caldas, de maneira que não sabemos onde começa uma e termina a outra.

Paralela a uma carreira musical de sucesso, onde realizou o grande sonho de gravar um disco, desde que trocou o Brasil pelos Estados Unidos, em 1999, Fabiana Passoni também tem em seu histórico uma vitória importante contra um câncer de mama, diagnosticado quando ela havia finalmente gravado o seu primeiro disco, É Minha Vez, em 2007, aos 31 anos.

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Após um pesado tratamento para combater a doença, que levou um ano, e fez com que a cantora interrompesse sua carreira, incluindo aí uma turnê pelo Japão, finalmente a doce Fabiana retornou a música com um sabor a mais. Durante o período em que ficou afastada para cuidar de si, ela começou a compor e foi pela força que não imaginava possuir que ela seguiu em frente, na fé e na determinação.

O ano de 2010 foi um ano de contrastes. No mês de abril, em seu quarto mês de gestação, uma “bomba” se abateu outra vez sobre a cantora. “Descobri outro nódulo e não podia fazer nada por conta da gravidez. Tive que esperar até julho [para iniciar novo tratamento] quando tive os trigêmeos”, recorda Fabiana. Foram mais seis meses de tratamento, iniciados em agosto , incluindo a radioterapia. “Ainda faço uma ‘químio’ hormonal, então posso dizer que ainda estou em tratamento. Graças a Deus [estou em] meu terceiro ano [após o tratamento] que o câncer não voltou”.

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Com novo fôlego e ainda mais forte que antes, em 2011 Fabiana lança seu primeiro trabalho autoral. Naturalmente Brasil contém 12 músicas originais que representam personagens encontradas na cultura brasileira. As músicas são sobre coisas cotidianas: a busca pela felicidade, as dores de amor e as tristezas. “Meu marido teve papel fundamental no meu início como compositora. Ele me incentivou a compor. Eu queria sair da realidade. A situação que eu estava era muito deprimente, aí entrei nessa de fazer musicas com ‘personagens’ do Brasil, foi onde criei. os ‘Joãos’, ‘Marias’…”, explica.

Por causa da doença, Fabiana diz que sua vida ganhou em qualidade. Uma nova mulher veio à tona pedindo para respirar. Sem deixar-se abater e tendo o marido e os trigêmeos como pilares, a artista não sucumbiu no momento em que muitos pensariam em desistir. “É mais fácil ficar louca do que enfrentar o ‘lance’ de frente, com prudência”, diz, num quase desabafo. “Fiz 10 cirurgias usei muitos remédios, mas para o momento certo, nunca usei pra esquecer algo, acho porque eu me vi uma mulher melhor e queria descobrir mais de mim mesma”, completa Fabiana, que afirma que ver o lado bom da vida é sempre o caminho.

“Uma amiga me disse que há duas opções de lidar com o câncer: ou você deixa ele tomar conta ou batalha para tirá-lo e continua vivendo. Fiz a segunda opção. Sou muito agradecida por ter passado por isso tudo. [Hoje] sou uma mulher tão, tão, tão forte… E eu falo sempre isso: O Câncer me curou!”

 

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Música desde sempre
Foi aos seis anos de idade, na cidade de Poços de Caldas, interior de Minas Gerais, que Fabiana destilou as primeiras notas em sua voz.  Filha de pai músico, que lhe ensinou que interpretação é tudo em uma música. “Meu pai se sentava no sofá e escrevia músicas e eu estava ali juntinho dele cantando”, recorda.

Na adolescência seguiu cantando em comícios de políticos e passou por muitas bandas com um repertório variado, de Pop, Axé e Sertanejo. E foi justamente uma “crise” com o repertório que interpretava, que lhe fez questionar sobre o rumo da carreira. O objetivo da artista era simples, cantar músicas que lhe dessem prazer. “Eu passei alguns anos de minha vida em Nova York, cantando Bossa-Nova com fusion de Jazz. Naquela época, Ella Fitzgerald e Leny Andrade influenciaram meu estilo. Infelizmente, as ‘gigs‘ que pagavam bem eram para Pop, Rock e Axé. Demorou um tempinho para que eu me achasse como cantora/compositora.”

Sobre a atual música brasileira ela mantém os olhos céticos no mercado. “O comércio brasileiro de música  está do jeito que a massa brasileira quer. As pessoas reclamam da música ser ruim mas é isso que eles escutam no rádio, postam no youtube, é isso que eles compram… O artista precisa dos ouvintes, e hoje em dia, se você não estiver em uma gravadora que comanda a mídia popular, é bem mais complicado fazer sucesso,” avalia.

Fabiana é uma artista independente e se diz realizada com sua carreira e os rumos que decidiu percorrer. “Sou muito grata por ser independente e me avalio como uma profissional de sucesso, porque ser independente hoje em dia e ter uma música sua nos charts americanos entre as Top 20, é quase um milagre!”, diz sem conter a gargalhada.

Sobre o seu trabalho ser mais aceito fora do Brasil, Fabiana diz que, diferente dos ritmos da moda no país, o Jazz e a Bossa-Nova, ou mesmo o Chorinho, requerem uma calma de espírito, uma concentração maior, “é algo mais profundo, denso, que requer atenção, tempo e postura absorta, aliada a um sentimento muito intrínseco que a mera euforia, para se chegar ao patamar de apreciação na forma que por si só [esses ritmos] exigem”, acredita. Isso, aliado ao fato do Jabá que rola solta em terras tupiniquins, é que faz Fabiana acreditar que seu público maior está realmente fora do Brasil. Por enquanto, as músicas e a carreira vão de vento em popa nos EUA e Europa. Para saber mais sobre a história e a obra de Fabiana Passoni, a cantora e compositora mineira possui um site bilíngüe, no www.fabianapassoni.com.

Ouça o mais novo single de Fabiana Passoni
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