Por: Ricardo Daniel Treis | 5 anos atrás

larissa_paivaHá três anos, Larissa Paiva, 23, passa grande parte do dia sobre duas rodas. Mas antes não era assim. O desemprego e a falta de ânimo para realizar qualquer atividade, até mesmo conversar, eram suas companhias em uma rotina solitária dentro da própria casa, onde vivia com a família. Era o estágio já avançado de uma doença que muitas pessoas enfrentam, mas poucas conseguem vencer: a depressão. O caminho mais fácil, sem esforço e rápido para se livrar do problema ficou ao seu alcance, após uma consulta médica. Mas, Larissa sabia que os medicamentos não eram os únicos meios para lhe salvar de uma vida triste. O receio de tornar-se dependente, despertou a jovem para o esporte. E o ciclismo foi o responsável pela grande transformação do seu futuro.

Em julho de 2009, Larissa mudou-se para Uberaba para iniciar a faculdade de educação física na Universidade Federal do Triangulo Mineiro. Mas, devido a um problema pessoal, em setembro do mesmo ano, os primeiros sintomas da depressão começaram a surgir. No início ela pensou que seria uma fase e logo passaria, mas a vontade de ficar só e isolada cresceu. Ela deixou a faculdade e voltou a morar com a mãe em Araxá. O contato com o mundo já não era mais prioridade para ex-gerente de uma empresa de distribuidora de bebidas. O problema pessoal tornou Larissa prisioneira na sua própria casa. A única ajuda que ela conseguiu pedir foi à mãe.

“Ela me levou ao médico e ele receitou antidepressivos, mas fiquei com medo de ficar dependente. Um dia comentei esse problema com um amigo e ele me convidou pra andar de bicicleta. Eu não tinha, mas logo consegui uma emprestada e acabei gostando da sensação. Passei a pedalar com mais frequência, sempre acompanhada. O médico ficou um pouco preocupado, porque eu não estava consumindo os remédios e continuou a me acompanhar. Foram cerca de dois anos até eu conseguir me recuperar totalmente”, contou Larissa.

Com a melhora, surgiu ânimo e com ele o emprego. Mas Larissa não queria deixar a companhia da magrela de lado. Resolveu ir de bicicleta para o novo trabalho e percebeu que, pedalando, poderia aproveitar mais o dia.

“Transformei a bicicleta como meio de locomoção e fui vendo que podia andar mais vezes durante a semana”, disse.

999098_641475352537269_93705154_nPara Larissa, olhar para atrás é ver uma sequência de vitórias em sua vida. Primeiro conseguiu se livrar da doença através do esporte, depois voltou a cursar a faculdade de educação física e, agora, coleciona títulos em competições de mountain bike. De exercício para combater a depressão, o ciclismo se tornou hobby e ela se profissionalizou. A mineira foi prata na Copa Internacional de Mountain Bike, na Costa do Sauípe; 4º lugar no campeonato brasileiro em Juiz de Fora e campeã da Copa Inconfidentes de MTB, em Itabirito. Larissa ainda compõe a Tripp Aventura, equipe de MTB de Belo Horizonte.

“O mundo nunca acaba pra ninguém! Se uma situação cai em nossas mãos é porque temos capacidade de superar. Hoje tenho objetivos e consigo me relacionar melhor com as pessoas. Hoje, sei o que quero e onde quero chegar: ser campeã brasileira da elite feminina e também participar de campeonatos mundiais. Mostrar meu trabalho pelo Brasil e pelo mundo”, finalizou.


Fonte: Globo Esporte.