Por: Ricardo Daniel Treis | 4 anos atrás

Para quem não sabe do fato, eis nota publicada na coluna Plenário, jornal O Correio do Povo, em 11 de fevereiro deste ano:

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Segue artigo do psicólogo Gilmar de Oliveira quanto ao fato, publicado ontem no mesmo jornal:

ESPERTO, BURRO OU PECADOR?
Imagine a situação: uma cidade elege um vereador satânico. Agora, uma de suas propostas é consolidar o dia de Satã, para que as pessoas conheçam sua religião e a ela se faça um monumento, com dinheiro público. O leitor, como cidadão eleitor, aprova? Não. Mas espere: não aprova por não defender Satã ou porque vereador não tem de legislar sobre assuntos religiosos? Ou pelos dois motivos?

O vereador de Jaraguá do Sul, Jocimar de Lima (PSDC) apresentou um projeto para que o município tenha o Dia da Bíblia, solicitando, inclusive, um monumento para o livro sagrado cristão.

Um vereador não pode legislar em favor de um time ou de uma crença. Pouco importa sua religião ou time; o vereador deve montar leis para TODOS, garantir que todos tenham os mesmos direitos! Nem se governa para a maioria, como quer o fascista Bolsonaro. Governa-se para garantir a todos os mesmos direitos, é essa a Lei. E nós, como cidadãos, mesmo que um projeto favoreça algo que gostamos, devemos (por Justiça) ser contra o favorecimento de uma classe em detrimento de outra.

Se a Bíblia é santa ou não, não vem ao caso. Não é na esfera pública que se louva algo religioso, mesmo que a maioria seja cristã. O vereador tem de saber disso! Isso é caso de pouca inteligência ou, sem trocadilhos, má-fé? Pois isso é uso de verba pública para agradar seus eleitores. O dinheiro público não pode favorecer nem Deus, nem Diabo. Para isso existem Igrejas!

Mesmo na fé cristã, o vereador patinou feio: deveria interpretar de forma mais ampla a frase dita por Jesus: Dai a César (Estado) o que é de César e a Deus (Igreja) o que é de Deus: é provável que Cristo tenha se referido além de dízimos e impostos.