Por: Cláudio Costa | 3 anos atrás

Não é nenhum segredo que o hábito da leitura aumenta o intelecto da pessoa. Ler dá novas visões de mundo, outras perspectivas de pensamento e também faz a mente viajar. Nesta quinta-feira, 29 de outubro, é comemorado o Dia Nacional do Livro. O Por Acaso procurou três escritores de Jaraguá do Sul para saber um pouco mais do cenário literário formado há pouco mais de dez anos na cidade. Carlos Henrique Schroeder, João Chiodini e Charles Zimmermann falam do passado, do presente e do futuro desse pedaço da cultura jaraguaense.

Carlos Henrique Schroeder

Com 11 livros publicados, Carlos Henrique Schroeder (foto do topo) é um dos grandes personagens da literatura de Jaraguá do Sul. Coordenador de eventos da Design Editora, Schroeder faz o acompanhamento e a curadoria de feiras e outras promoções da empresa. “Minha vida toda é interligada através da leitura. Meu lazer é ler, o meu ofício é escrever e também trabalho com os livros”, descreve.

Em 2006, Schroeder montou as primeiras oficinas literárias da cidade. “A gente trouxe escritores para dar essas oficinas e a gente criou um círculo de leitura”, lembra. Ele um é dos idealizadores da Feira do Livro de Jaraguá do Sul, evento que atrai milhares de pessoas e entrou no calendário cultural da cidade. Carlos vê com reticência e otimismo o mercado literário de Jaraguá do Sul.

“Otimismo porque há muita gente escrevendo na cidade, a gente tem um mercado legal, temos várias associações. Também com reticência porque os autores têm que levar com mais seriedade o processo da escrita, ler muito, ler de tudo e ter no ofício de escritor também a leitura. Não acredito em um escritor que não leia ao menos um bom livro por semana”, comenta Schroeder.

João Chiodini

Foto: Cláudio Costa

João Chiodini é escritor e coordenador editorial da Design Editora. Foto: Cláudio Costa

João Chiodini integra a lista das pessoas que fazem a movimentação do cenário literário em Jaraguá do Sul. Desde 2005, Chiodini entrou em contato com o mundo da escrita e já publicou livros infantis, adultos e biografias. “Hoje estou mais focado na crônica e no romance”, conta. Coordenador editorial da Design Editora, ele trabalha há anos na Feira do Livro de Jaraguá do Sul ao lado de Carlos Henrique Schroeder. “Esse é o dia a dia, ler e escrever”, define o escritor.

Na sua visão, o cenário literário da cidade evoluiu e tende a ficar melhor. “Eu acho que acontece um movimento bacana, porque ele está começando a evoluir e não é mais aquela coisa embrionária. Os leitores começaram a evoluir, eles têm um gosto mais apurado, estão lendo coisas melhores. Acontece um movimento na cena, tanto na escrita como na leitura. As pessoas estão buscando escrever, estão mostrando, estão publicando, estão perdendo a vergonha”, relata.

Chiodini projeta um novo rumo para a literatura em Jaraguá do Sul. “Agora, eu acho que é o momento de uma nova guinada, uma nova evolução. As pessoas que estão produzindo precisam buscar um novo, um mais, um plus. É isso que a gente faz, é isso o que a gente busca fazer aqui na cidade. É se aprimorar cada vez mais e mostrar que Jaraguá não está só no Estado, está no Brasil e acontece”, reflete.

Charles Zimmermann

Foto: Cláudio Costa

Charles Zimmermann é professor universitário e um dos escritores do atual cenário de Jaraguá do Sul. Foto: Cláudio Costa

O professor universitário Charles Zimmermann leu Monteiro Lobato na juventude, mas começou o seu real interesse pela leitura aos 20 anos de idade. “Comecei a ler tarde”, revela, ao explicar que cresceu em um ambiente em que não havia o hábito da leitura. Zimmermann conta que atualmente dedica de duas a três horas por dia para a leitura.

Ele se deu conta de que tinha traquejo para a escrita quando fez o vestibular para o curso de direito. “Tirei uma nota super bacana na redação. O tema era ligado aos escravos no Brasil. Eu nunca esqueço. Coincidiu justamente com a leitura de um livro que eu recém tinha lido, ‘No Coração da África’. A partir daquele momento eu me dei conta que gostava de escrever, literalmente”, recorda Zimmermann. O escritor lembra que alguns dos seus cinco livros surgiram a partir de diários de viagens. O livro “Nos Confins do Oriente” foi inspirado em uma viagem que Charles fez até a Ásia.

O escritor explica que o atual cenário literário começou entre os anos de 2003 e 2004. “Começou com o Carlos Schroeder, o Gil Salomon e outros escritores que estão aí. Noto que esses caras foram meio que revolucionários aqui no cenário. Esses caras criaram também a Feira do Livro aqui em Jaraguá do Sul. Então, sem dúvida nota-se que criou-se um ambiente pra isso”, analisa, ao frisar que as pessoas são incentivadas a escrever vendo que há uma movimentação literária.