Por: Sistema Por Acaso | 6 anos atrás

Acontece vez por outra do pessoal dizer que vai pra um lado e ir pro outro. Em muitos casos, não se caracteriza um adultério propriamente dito, tratando-se apenas de uma tentativa de evitar rusgas entre o casal.

Com o Rodrigão foi assim. Como a namorada dele morava no RS, era hábito um telefonema por volta das 22h, antes de dormir.

Sabedores disso, os parceiros dele passaram lá no apartamento mais tarde e o convenceram a ir numa balada em Joinville. Quando estavam na altura das arrozeiras de Guaramirim, o inesperado: o celular do Rodrigão tocou. Como ele estava no banco de trás, jogou-se no colo dos outros, deitando-se. Para um sujeito homem e hetero, esta situação não é muito agradável, mas o amor pela gaúcha falou mais alto. Estando ele na horizontal, sua voz sairia idêntica à do quarto. Se tivesse um cobertor no carro, seguramente ele teria jogado por cima, só para garantir a legitimidade do sono:

– Oi amor! (bocejo forçado)
– Tava dormindo querido?
– Sim! Tava vendo um filme e peguei no sono. (com voz sonolenta e bocejo forçado)
– E que filme estavas vendo?

Pausa

– Reféns. (bocejo forçado)
O Rodrigão esqueceu que a guria era cinéfila:
– Ué, amor! ? O ‘Reféns’ nem chegou no cinema!

Pausa

– Ahh! Acho que o nome era parecido com isso… já tinha começado quando liguei a tevê. (voz normal, com gagueira e esqueceu do bocejo forçado)

A ligação acabou normalmente, mas ele ficou apreensivo. Teria ela percebido algo estranho? Uma mulher com raiva é capaz de qualquer coisa.

Num outro caso, outra mentira. Tenho dois amigos cujas esposas têm restrição que um saia com o outro. Ambas acham que o outro não é boa companhia. Mas uma não sabe que a outra tem o mesmo sentimento. O cara até pode sair com a galera, mas se “aquele um” estiver lá, vai ter DR depois.

Os dois comparsas tiveram uma ideia para poder tomar uma cervejinha juntos: criaram um amigo imaginário. E com o “Valdir” tá liberado, ele é ficha limpa. Depois, eu descobri que o tal Valdir existe. É primo de terceiro grau de um deles. Só que o cara mora lá na Tifa da Pólvora e trabalha como representante comercial. Ele nunca está na cidade, não tem namorada conhecida e nem perfil nas redes sociais. Por ora a mentira está colando.

A intuição está para elas, assim como a malandragem está para eles. Até nisso elas levam vantagem, pois a malandragem é possível aprender.

Marcelo Lamas, autor de “Mulheres Casadas têm Cheiro de Pólvora”.
marcelolamas@globo.com