Por: João Marcos | 2 anos atrás

Emicida mais uma vez vai a público armado de sua metralhadora de palavras distribuindo “tapas” no rosto da sociedade preconceituosa e opressora em que vivemos.

Tapa esse que vem sendo dado a muito tempo, e não só por ele. Vou usar um trecho de uma publicação que fiz tempos atrás com as palavras de Leonardo Araújo, só que agora, ilustrado:

Esse tapa começou com Rosa Parks sentada onde não podia.

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Um tapa representado pelos braços negros cor Pantera de Tommie Smith e John Carlos.

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Um tapa que passou pelo Brasil nas vozes de Tim Maia, Thaíde e DJ Hum e Racionais MC`s

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E porque não, um tapa dado em alto e bom tom por esse cara aqui:

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Pra quem não pode dar play no vídeo por qualquer motivo, eis as palavras de Emicida no programa:

Caruso, eu sinto que o Brasil tem uma dívida com a diversidade. Mais do que uma vocação, porque ele não exerce essa vocação.

Ele aplaude a miscigenação quando ela clareia, quando ela escurece ele condena essa miscigenação. 

Esse é o problema principalmente do negro do exterior quando ele vem pro Brasil, isso fica mais claro, mais gritante. Porque essa ideia de democracia racial que foi construída, de que o Brasil é o paraíso das três raças isso não é uma verdade quando você tem a pele escura.

E a gente tem essa cultura no Brasil da opressão gritar e o oprimido ficar calado se sentindo errado, então a garota foi estuprada e a culpa é dela que usou uma minissaia. Isso é uma doença, isso precisa ser combatido. Entendeu?

A pessoa foi discriminada e colocada pra fora de um banco porque a pele dela é preta e aí vão dizer: Ah mas não foi assim, mas porque você estava de boné, é porque você estava de tênis, é porque você estava de moletom, é porque você estava com uma mochila… E não, você sabe que o táxi não para pra você e a viatura para. 

Esse é o problema urgente do Brasil.

Precisa de complemento? Não, apenas palmas.

Obrigado, Emicida.