Por: Gabriela Bubniak | 2 semanas atrás

Impossível esquecer as manhãs de 6 e 9 de agosto de 1945. A terrível tragédia em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, ainda causa sentimentos de tristeza e revolta no mundo. E não é pra menos, o lançamento de bombas nucleares por lá aconteceu há quase 73 anos, mas os estragos ainda têm efeitos visíveis na vida daquele povo.

São inúmeros os relatos do terror e milhões de mortos: em Hiroshima, cerca de 140 mil, e em Nagasaki, outros 74 mil.

Mas você já parou para pensar se uma dessas bombas tivessem atingido Jaraguá do Sul? Para entender os efeitos e limites dessas ‘armas’, a Outrider Foundation bolou um infográfico explicando as etapas por trás da implosão.

Com essa ferramenta, “jogamos bombas nuclear” na cidade, para analisar a devastação com base em perímetros de risco semelhantes aos do evento no Japão.

O resultado é assustador! Para a simulação, vamos supor que a Tsar Bomba – maior detonada na União Soviética – tenha caído no Centro. Ela literalmente faria Jaraguá desaparecer, assim como destruiria cidades vizinhas. Ao todo, seriam aproximadamente 200,2 mil mortos e 257,3 mil feridos.

Estragos da radiação (raio de 80,23 km²)

Logo após a detonação, os materiais nucleares emitem uma explosão de radiação na forma de raios gama e nêutrons. As pessoas que absorvessem as partículas em um curto período teriam envenenamento por radiação aguda.

Poderiam morrer dentro de algumas horas ou semanas. As vítimas experimentariam sintomas, incluindo náuseas e fadiga. Seu cabelo cairia e seus glóbulos brancos morreriam, aumentando o risco de infecção.

A radiação pode permanecer no ambiente por décadas. O efeito sobre os seres humanos é principalmente através da alimentação: as culturas absorvem a radiação e a transmitem aos animais – incluindo o gado – que comem as plantas.

As pessoas que comem estas plantas ou animais contaminados sofrem riscos de saúde a longo prazo. Crianças e bebês são mais suscetíveis e podem desenvolver hipotireoidismo e câncer.

Essa área compreende vários bairros, como o Centro, Czerniewicz, Vila Nova, Águas Claras, Ilha da Figueira, Jaraguá Esquerdo e até o Rau. A devastação seria tanta que atingiria até mesmo o nosso querido Morro das Antenas, e também a WEG II.

Bola de fogo (raio de 113,3 km²)

Mais devastador que a radiação, é a bola de fogo desta bomba. O raio máximo da bola de fogo faria praticamente toda a cidade desaparecer. De acordo com a Fundação, essa bola de fogo é 10 mil vezes mais quente que a superfície do Sol.

No primeiro milionésimo de segundo após a detonação, os materiais da bomba aqueceriam a temperaturas extremas. A bola de fogo se formaria imediatamente, e emitiria uma enorme quantidade de energia como raios X, luz e calor, expandindo-se enquanto esfria. Qualquer coisa – ou qualquer outra pessoa – dentro da bola de fogo seria vaporizada em um instante.

Este trecho atingiria: além da área de radiação. Chegaria aos bairros dos arredores, como João Pessoa e Estrada Nova. Chegaria inclusive a destruir por completo o Parque Malwee.

Onda destrutiva (raio de 893,6 km²)

À medida que a bola de fogo se expandisse rapidamente, ela forçaria o ar ao redor, criando uma onda de choque.

Neste raio, a pressão da onda de choque é forte o suficiente para destruir a maioria dos edifício. Ventos com força de furacão acompanham a frente de choque, aumentando a destruição.

Embora o corpo humano possa sobreviver a um salto de pressão significativo e a ventos fortes, pessoas dessa área, provavelmente seriam feridas ou mortas em baixo dos escombros ou detritos arrastados pelo vento.

O trecho compreenderia uma área ainda maior: os arredores da cidade, chegando aos outros bairros mais afastados, como Jaraguá 84, Rio da Luz, Braço Ribeirão Cavalo e Santo Antônio. Atingiria também as cidades vizinhas, como Guaramirim (até os bairros Guamiranga e Corticeira), Corupá, Schroeder e Massaranduba.

O calor nos arredores (raio de 8.289,2 km²)

A explosão produz calor intenso que causa danos catastróficos. Qualquer pessoa dentro deste raio teria queimaduras graves ou fatais de terceiro grau.

Dentro do raio mostrado aqui, madeira, roupas, papel e plásticos pegariam fogo. Mesmo fora desse limite, o calor ainda seria intenso o suficiente para causar queimaduras de primeiro e segundo graus.

Atingiria cidades ainda mais distantes, como Campo Alegre, São Bento do Sul, Rio dos Cedros, Pomerode e Barra Velha – siiim, chegaria no Litoral! E ainda muitos bairros de Joinville, chegando também a São Francisco do Sul.

Outras bombas:

Bomba Little Boy (atingiu Hiroshima): Bola de fogo – 0,18 km² | Onda destrutiva – 4 km² | Radiação – 5,6 km² | Onda de calor – 8,9 km².
– Mortos: 29.374
– Feridos: 26.424

Bomba Hwasong-14: Bola de fogo – 1 km² | Radiação – 11,8 km² | Onda destrutiva – 18,5 km² | Onda de calor – 68,4 km²
– Mortos: 66.666
– Feridos: 31.988

Bomba W-87: Bola de fogo – 1,8 km² | Radiação – 14,4 km² | Onda destrutiva – 29,4 km² | Onda de calor – 125,7 km²
– Mortos: 79.925
– Feridos: 34.079

-> Faça a simulação você mesmo, neste link!

Leia também:

Já fizemos outra simulação bem parecida com esta. Não deixe de conferir! 😉