Por: Ricardo Daniel Treis | 9 anos atrás

O comando do 14º Batalhão da Polícia Militar apresentou nesta quinta-feira o resultado do Inquérito Policial Militar (IPM) que apurou a denúncia de agressão por parte de dois policiais de Guaramirim contra o vereador da cidade Gilberto Junckes (PPS) na noite do dia 13 de fevereiro, sábado de Carnaval.

Segundo o relatório, os policiais agiram estritamente de acordo com as normas de abordagem a veículos suspeitos. O IPM foi conduzido pelo major Rogério Vonk. Ele apresentou várias provas que demonstram que o vereador insultou os policiais, reagiu à abordagem e até tentou agredir os policiais.

Cada uma das lesões identificadas em Gilberto recebeu uma análise sobre o possível momento que ocorreram para mostrar que os policiais em nenhum momento o agrediram deliberadamente.

Segundo o relatório, o corte no supercílio foi uma batida no capô do carro quando os policiais tentavam imobilizá-lo para a revista, os hematomas no abdômen são frutos de estocadas do cassetete para diminuir a força do vereador no momento em que o algemavam e o corte atrás da cabeça teria sido o próprio vereador quem fez quando estava no camburão e tentou chutar os policiais.

— De acordo com o que apuramos, os policiais podem ter se excedido no uso da força, mas é de difícil diagnóstico precisar a medida necessária para controlar o vereador e realizar o procedimento — disse o major Vonk.

Apesar disso, como em processos de crimes militares se há dúvida a decisão deve sempre pender para a sociedade, o IPM conclui que podem haver indícios de crime de lesão corporal culposa, ou seja, sem a intenção proposital. Para o comandante do 14º Batalhão, Rogério Kumlehn, os policiais seguiram as normas e as técnicas da PM e o caso só aconteceu por causa da truculência apresentada pelo vereador Gilberto.

— Eles já tinham o comunicado de um veículo branco suspeito de assaltos na região. Além disso, naquele lugar isolado, escuro, se o policial faz a abordagem e a pessoa vem ao seu encontro na tentativa de intimidar ele deve seguir sempre o procedimento que é primeiro fazer a revista pessoal, depois a revista do veículo, e só então identificar o abordado. Os policiais não têm a obrigação de conhecer o vereador. E se fosse um bandido querendo se passar por autoridade? E se ele puxa uma arma? — questiona o comandante.

Agora o inquérito deve ser encaminhado para a auditoria da Justiça Militar e para a Promotoria Militar, onde será decidida pela abertura de uma denúncia ou arquivamento do caso. Por enquanto os dois policiais seguem em atividade normalmente na corporação.

Este ano já foram abertos seis inquéritos como este, todos por acusação de abuso da força por parte de policiais.

Vereador deve recorrer à Justiça comum
O vereador Gilberto não quis falar muito sobre o assunto, mas garantiu que solicitou o adiamento da apresentação do relatório na Câmara de Guaramirim pelo simples motivo de que não estaria na sessão de desta quinta-feira.

— Eu não estaria presente por motivos particulares e não vejo o menor sentido de que o comandante da PM vá até a Câmara e exponha seu relatório aos demais vereadores, sendo que eu sou o principal interessado, senão o único interessado.

Sobre o que foi apontado na investigação, quem se manifestou com mais força foi a advogada do vereador, Lúcia Gesser. Ela considerou uma vergonha o relatório apresentado pela PM. Ela deve entrar com uma representação criminal contra os policiais na Justiça de Guaramirim.

— Nós estávamos esperando a conclusão do inquérito interno para ver que providências íamos tomar. Talvez estaríamos satisfeitos com uma punição disciplinar interna, mas agora vamos levar a ação na Justiça até o fim — promete Lúcia.

O caso aconteceu na noite do dia 13 de fevereiro, quando Gilberto saiu de casa para dar uma carona a uma funcionária sua. Na volta para casa ele foi abordado por uma viatura da PM. Ele diz que foi agredido, os policiais dizem que foi uma operação padrão.

Via AN