Por: Ariston Sal Junior | 22/07/2014

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Dunga volta ao comando da Seleção Brasileira. O treinador foi apresentado pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, em entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (22), na sede da entidade, no Rio de Janeiro. O gaúcho de 50 anos treinará o selecionado nacional pela segunda vez: ele esteve à frente do time entre agosto de 2006 e julho de 2010, encerrando sua primeira passagem após a queda nas quartas de final.

“Atleta que foi campeão do mundo, foi capitão de uma seleção campeã, demonstrou capacidade para dirigir a seleção brasileira”, declarou Marin ao apresentar Dunga.

Carlos Caetano Bledorn Verri chega para substituir Luiz Felipe Scolari, que não teve contrato renovado depois das vexatórias goleadas sofridas diante da Alemanha e Holanda na Copa. A primeira convocação que o técnico fará será para os amistosos contra Colômbia e Equador, nos dias 5 e 9 setembro, respectivamente, nos Estados Unidos.

Sobre a convocação, Dunga foi enfático ao afirmar: “Meus números, o trabalho que realizei, foram os indícios que o presidente Marin e Del Nero me chamaram. Injustiça? A gente usa essa palavra, mas não existe, tanto que estou aqui novamente”.

A nova comissão técnica não foi anunciada. Na semana passada, Gilmar Rinaldi já havia sido confirmado como coordenador técnico das seleções. “Começamos agora efetivamente nosso trabalho. Começamos a conversar sobre a comissão técnica, que não será divulgada hoje. A ideia é justamente essa, voltar algumas coisas importantes em uma reformulação”, disse Rinaldi.

“Não precisamos fazer dessa Copa do Mundo terra arrasada, há coisas que podem ficar”, enfatizou o técnico da seleção. Dunga ressaltou que, quanto ao futebol, o Brasil tem o talento, mas que deve ter como exemplo a estratégia da Alemanha. “A gente viu na Copa que é importante o talento, mas o planejamento também. Como é importante o marketing, mas que o resultado dentro de campo também”, completou.

“Conheço muito como ele pensa, age. Tem uma visão muito parecida com a minha. A seleção brasileira é muito importante, então não é um convite, é uma convocação”, destacou Rinaldi.

Sobre o desempenho da seleção, o técnico destacou: “Não podemos passar para o torcedor que somos os melhores. Quando o adversário vê que você não dribla, ele te dribla. A camisa do Brasil sempre será respeitada, mas eles nos respeitam tanto que querem ganhar de nós de qualquer forma”.

Histórico de Dunga

Como treinador da Seleção, Dunga coleciona 60 jogos, sendo 42 vitórias, 12 empates e seis derrotas, com aproveitamento de 76,67%. Dunga liderou o time na conquista da Copa América, em 2007, na medalha de bronze nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, e na Copa das Confederações, em 2009. Sob seu comando, o Brasil terminou em primeiro lugar nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2010, com nove vitórias, sete empates e duas derrotas, tendo o melhor ataque (33 gols) e a melhor defesa (11 gols sofridos).

“Na minha primeira passagem, foi me pedido para resgatar o valor da seleção brasileira e obter resultados. Na segunda passagem, a tendência é preparar a seleção para a Copa de 2018”, explicou Dunga.

Na Copa da África do Sul, foi duramente criticado por não convocar Neymar e Paulo Henrique Ganso, que começavam a despontar no Santos. Com estilo linha-dura, impôs disciplina, limitou o acesso a jogadores na concentração e ficou marcado por seu relacionamento conturbado com parte da imprensa. Com a derrota para a Holanda por 2 x 1 – o time chegou a estar ganhando por 1 x 0 no primeiro tempo e cedeu a virada –, foi tirado do posto pelo então presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

Sobre os planos para a seleção, Dunga afirmou que a equipe tem pelo caminho a Copa América e que a maior ideia é preparar uma equipe para as Olimpíadas e depois para as eliminatórias.

Em seu site oficial, Dunga definiu o time que armou para a Copa do Mundo de 2010: “os ataques são rápidos, estrategicamente organizados e executados com precisão. A defesa é forte e confiante. O coletivo é eficaz, com toques precisos e objetivos, soberano na posse de bola”. De acordo com o texto que consta no portal, “o Brasil teve uma excelente atuação até as quartas de final contra a Holanda, onde apesar da superioridade tática, coletiva e individual, acabou não avançando”.

O Internacional foi o único clube treinado por Dunga depois de se desligar da Seleção. O treinador foi contratado pelo clube colorado, onde é considerado ídolo, em janeiro do ano passado e ficou à frente do time por nove meses, quando foi demitido. No time do sul, foram 53 partidas, com 26 vitórias, 18 empates, nove derrotas e um título – o Campeonato Gaúcho.

A trajetória de Dunga como jogador é mais extensa e vitoriosa: formado nas categorias de base do Internacional, o capitão do tetra passou por Corinthians, Santos, Vasco, Pisa, Fiorentina, Pescara, Stuttgart e Júbilo Iwata. Disputou três Copas do Mundo – 1990, 1994 e 1998 – e se aposentou em 1999, vestindo as cores do clube que o revelou.

Fonte: EBC
Via OCP