Por: Deivis Chiodini | 5 anos atrás

Belfort x Hendo. Duas lendas que já se enfrentaram no Pride, agora estarão frente a frente no cage do UFC em Goiânia, num card como sempre acontece no Brasil, recheado de brazucas. Dana White já sinalizou que se Belfort vencer Hendo, mesmo a luta sendo na categoria dos meio pesados, será o próximo postulante ao cinturão dos médios, contra o vencedor de Weidman x Anderson Silva. No card preliminar, destaque para a volta do catarina Thiago Tavares, após cumprir suspensão por uso de doping.

Capa-Belfort-Hendo

Rony Jason x Jeremy Stephens (categoria dos penas): O campeão do TUF Brasil 1, Rony Jason tentará mais uma vitória em casa para finalmente chegar próximo ao top 10 da categoria, Ele terá pela frente o veterano do UFC Jeremy Stephens, que ganhou sobrevida no evento ao vencer sua primeira luta nos penas, após 3 derrotas consecutivas nos leves. Stephens tem o chamado “coração de leão”, é um lutador duro, que não se entrega e tem bom poder de nocaute, além de ter um bom nível no chão. Rony tem um jogo de solo mais ajustado, tanto por cima quanto por baixo (seu triângulo é mortal) e em pé vem mostrando uma grande evolução, usando bem as combinações de 3 golpes e esperando o momento certo para dar o bote. Ainda apresenta algumas falhas nas defesas de quedas e precisa ficar mais atento nos golpes de encontro, pois um contra ataque de Stephens entrando pode o surpreender.
Palpite: O Jason de Quixadá leva essa por finalização no 1° round.

Santiago Ponzinibbio x Ryan LaFlare (categoria dos meio médios): O argentino “xente boa” do TUF Brasil 2 estréia após se recuperar da lesão que o deixou fora da final do programa. Santiago, que é radicado em SC, conquistou a simpatia do público brasileiro durante o programa, mostrando muita raça e também muita simpatia. Ele enfrentará Ryan Laflare que fará sua segunda participação no evento, após vencer Ben Alloway em sua estréia. LaFlare se mostra um lutador bem completo, que gosta do jogo na curta distância, usando o clinche e a grade e trabalho golpes curtos, como joelhadas e socos no corpo. Santiago também costuma aceitar a luta no corpo a corpo, tem boa movimentação e muito gás, além de ter um chão bem afiado, principalmente na sua guilhotina. Uma luta interessante entre dois iniciantes no evento.
Palpite: Vou de Santiago por pontos, numa luta onde o gás fará diferença.

Paulo Thiago x Brandon Thatch (categoria dos meio médios): O que essa luta faz no card principal? Bom, vamos a ela. O conhecido “caveira” Paulo Thiago tenta reencontra o rumo de sua carreira. Nas suas últimas 6 lutas venceu apenas 2, e ainda assim sem empolgar (a não ser pela tradicional entrada com o tema de Tropa de Elite, que é alucinante). Do outro lado, Brandon Thatch, um lutador que busca o nocaute o tempo todo e tem todas as suas 10 vitórias na carreira no 1° round. Thatch tem bom jogo de pé, com trocas constantes de base, oriundas do caratê e usa bem os chutes no corpo, para abrir brechas na guarda de seu adversário. Thiago até tem um bom boxe, mas costuma ser muito suscetível aos contragolpes e já mostrou não ter um queixo dos mais confiáveis. Sua melhor estratégia para essa luta é encurtar. Clinchar e derrubar, onde no chão brasileiro tem um jogo sólido, com bom ground and pound e um jiu jitsu afiado, com boas passagens de guarda e ataques ao braço.
Palpite: Acho que o caveira esta com a vida no fim no UFC. Vou de Thatch por nocaute no 2° round.

Rafael Feijão x Igor Pokrajac (categoria dos meio pesados): O pupilo de Minotauro e ex campeão do Strikeforce, Rafael Feijão tenta se recuperar da derrota sofrida para Thiago Silva em sua estréia no UFC. Já o croata está na corda bamba do evento, com 3 derrotas seguidas (uma delas virou “no contest” devido ao doping de seu oponente) e precisa da vitória para manter o emprego. Pokrajac é um trocador nato, que gosta da luta franca e não tem medo de cair pra dentro. Feijão também prefere a luta de pé, mas controla melhor a distância e o ímpeto e tem melhor variedade de golpes, usando bem as joelhadas e chutes rodados, enquanto o croata é mais unidimensional, usando basicamente o boxe. Porém, o croata já mostrou que assimila melhor os golpes, enquanto Feijão tende a desmoronar quando castigado. No chão,
vantagem para o brasileiro, que tem boa técnica de jiu jitsu.
Palpite: Numa luta onde o gás vai acabar, Feijão na guilhotina no 2° round.

Cézar Mutante x Daniel Sarafian (categoria dos médios): A final do TUF Brasil 1 que não aconteceu (Sarafian se lesionou) acabará acontecendo no co main event de Goiânia. Mutante após quase um ano e meio fora por lesão, estreou arrasando Thiago Marreta e Sarafian também vem de boa vitória. Uma luta em que os dois lutadores tem boa qualidade na luta de solo, mas Sarafian leva uma pequena vantagem por ter mais paciência nas transições e na guarda, enquanto Mutante fica um pouco perdido quando está por baixo, expondo um pouco em demasia o braço principalmente. Em pé, Daniel tem boa desenvoltura, mobilidade, trabalha bem os chutes frontais e as joelhadas voadoras, além de ter boas combinações de boxe (mas as vezes deixa as mãos baixas de mais), mas Mutante é mais imprevisível em pé, com chutes rodados, cotoveladas e bons overhands. Além disso, Mutante tem a seu favor a vantagem do controle da distância, pois sua envergadura é 17 cm maior que a de Sarafian (que pra mim, deveria lutar nos meio médios).
Palpite: Mutante vai controlar o ímpeto de Sarafian e conseguir um nocaute no 3° round.

Vitor Belfort x Dan Henderson (categoria dos meio pesados): Se existem dois caras que merecem a alcunha de “lendas do MMA”, com certeza são esse dois. Quando entrarem no octógono, veremos ali dois lutadores que somados tem 29 nocautes na carreira. Já foram detentores de cinturões do UFC (Belfort), do Pride e Strikeforce (Hendo). Já venceram os maiores nomes da história. Man, esses dois caras vão pro Hall da Fama com muita justiça. Eles já se enfrentaram em 2006 no Pride e Hendo venceu, derrubando Vitor e controlando no ground and pound no chão, conseguindo uma decisão unânime. Mas as coisas mudaram. Nenhum lutador de se reinventou tanto após se tornar um veterano como Vitor. Dono de uma das mãos mais pesadas do MMA desde de sempre, Vitor melhorou seu ponto fraco, as defesas de queda, e mesmo quando no chão voltou a utilizar bem seu antes adormecido jiu jitsu, mas o mais importante: incorporou novos e perigosos chutes, sejam rodados, altos, na linha de cintura, conseguindo dessa maneira dois espetaculares nocautes nesse ano, contra Bisping e Rockhold. Hendo não vive a melhor fase da carreira,mas merece e muito, respeito. Ele tem o overhand de direita capaz de quebrar uma rocha e um golpe desses pode colocar Vitor para dormir. Wrestler do mais alto gabarito, Hendo gosta de usar os takedowns e trabalhar seu ground and pound visceral e deve tentar isso contra Vitor. Além disso, esse cara nunca foi nocauteado e tem um verdadeiro queixo de aço, coisa que Vitor não tem.
Palpite: Eu espero uma guerra, talvez no nível de Hendo x Shogun. Não acho que Vitor vai ser capaz de “derrubar o disjuntor” de Hendo, mas conseguirá o suficiente para deixá-lo vulnerável e finalizar no 4° round.