Por: João Marcos | 4 anos atrás

Na madrugada de sexta pra sábado, Luke Rockhold e Michael Bisping duelam em Sydney, num card que tera os brasileiros Vagner Rocha e Guto Inocente. No sábado a noite o UFC chega pela primeira a Uberlândia, com o ex campeão dos meio pesados Mauricio Shogun na luta principal. Confira a análise das principais lutas do final de semana:

Luke Rockhold x Michael Bisping (categoria dos médios): Muito, mas muito trash talk cerca essa luta. Bisping disse ter dado uma surra numa sessão de sparring em Rockhold quando esse ainda era campeão do Strikeforce, e Rockhold não gostou da brincadeira. De lá pra cá as farpas vem comendo soltas e eles se encontram no cage no final de semana em Sydney. Bisping vem a anos batendo os medianos da categoria, mas quando precisa vencer para chegar ao title shot, perde. Vencer o embalado Rockhold, que vem com moral alta após duas excelentes vitórias, e mais uma contra Bisping pode o colocar muito próximo da luta pelo cinturão.

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Com uma das maiores envergaduras da categoria, Rockhold é um striker de muito perigo. Ele costuma usar de seu tamanho para imprimir um ritmo de chutes seja baixos, no corpo ou na cabeça, fazendo seu adversário tem que mudar a angulação dos socos e abrindo espaço para seu contra ataque perigoso, com o seu ótimo gancho de direita. Bisping também usa bem as combinações chutes baixos e socos, mas prefere lançar jabs longos com o direto de direita como arma principal. No clinche, os dois têm muita qualidade, mas novamente a maior envergadura de Rockhold pode lhe dar boa vantagem. Mesmo caso no jogo de quedas em que ambos são muito bons ofensivamente, mas Bisping novamente leva leve desvantagem na defesa, as vezes demorando a fazer o sprawl. Por cima Bisping usa bem o ground and pound, mas se cair por baixo, sua guarda apenas lhe proporciona sobrevivência. Já Luke, mesmo por baixo é ativo, tem boas raspagens e por cima bate sempre buscando uma brecha para finalizar, com bons ataques ao pescoço.

Palpite: Os dois têm boas qualidades em todos os aspectos, mas Rockhold parece estar sempre um passo a frente. Vou de Rockhold por finalização no terceiro round.

Ian McCall x John Lineker (categoria dos moscas): O co main event em Uberlândia pode definir o novo desafiante ao cinturão dos moscas. E se você gosta de velocidade, bom boxe e algumas quedas, não perca essa luta. John Lineker é aquele clássico boxeador, da mão pesada, mas que na sua última soube dosar o boxe, trabalhou bem as defesas de quedas contra um wrestler e caçou o mesmo com inteligência até conseguir o nocaute. McCall tem aquele boxe da escola mais inglesa, um boxe mais polido, com menos poder de nocaute, mas muito trabalho de pernas, combinações rápidas e uma fortaleza defensiva. Ele vem agregando ao seu jogo boas quedas, controle posicional e ground and pound, que e não define a luta, ajuda muito a pontuar. Lineker tem que evitar trabalhar os golpes muito cruzados para não ser derrubado, trabalhando mais os diretos e jabs retos.

UFC on FX: Johnson v McCall

Palpite: Lineker tem muito potencial e uma patada pode acabar com a luta. Mas experiência de McCall deve contar e ele levar por decisão.

Maurício Shogun x Ovince St-Preux (categoria dos meio pesados): Fica sempre aquela incógnita: Qual Shogun vem por ai? Aquele fora de forma das lutas com Vera e Chael ou o Shogun no gás que atropelou Forrest, Liddell e Te-Huna? Apesar de ter sido nocauteado pela H-Bomb de Dan Henderson na sua última luta, Shogun estava bem, mostrando boa movimentação e combinações. Seu adversário não é dos mais polidos tecnicamente falando, mas é um monstro em capacidade física. St-Preux foi moldado no futebol americano, tem todas as qualidades de um wrestler, usando e abusando das quedas (que mais parecem tackles de futebol americano), controle de posições, com algumas finalizações na grosseria (vide a “asa de frango” em Ryan Jimmo) e muito ground and pound.

UFC Fight Night: Hunt v Bigfoot

Shogun precisa se movimentar, usar bem os jabs e golpes de aproximação, evitando uma luta próxima, no infight. Bem mais polido e com uay thai de alto nível, Shogun mesmo com a menor envergadura tem qualidade para evitar essa aproximação e causar estragos em OSP, que se frustrado tem a ter brechas no seu striking. Uma vez de costas no chão, Shogun pode se complicar, mas suas boas raspagens da meia guarda e seus ataques nos leglocks podem inibir OSP

Palpite: Eu sempre acredito que Shogun virá bem. Um nocaute no segundo round o colocará no eixo novamente.