Por: Deivis Chiodini | 3 anos atrás

Dois campeões voltando de lesão colocam a cinta em jogo na mesma noite. Johny  Hendricks concede a revanche a Robbie Lawler, revivendo uma das melhores lutas do ano, enquanto Anthony Pettis enfrenta o ex campeão do Strikeforce, Gilbert Melendez. No card preliminar vale a pena dar uma olhada na luta entre Urijah Faber e Francisco Rivera.

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O evento tem transmissão do Canal Combate a partir das 22 horas.

Vamos a análise das principais lutas.

Travis Browne x Brendan Schaub (categoria dos pesados): Dois dos pesos pesados mais atléticos do UFC se enfrentam em busca de recuperação. Browne estava a um passo do title shot, mas foi dominado por Fabrício Werdum, inclusive na trocação, onde era favorito e agora precisa vencer para voltar a corrida. Já Schaub, vem de polêmica derrota para Andrei Arlovski, onde só os juízes viram sua derrota.

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Browne deve tentar voltar ao que vinha conseguindo antes de Werdum. Trabalho de pernas extremamente eficiente para categoria, com kickboxing agressivo controlando a distância, usando e abusando das cotoveladas no clinche e defesa de quedas apuradas. Já Schaub, que já mostrou não ter o queixo muito confiável, como nas derrotas para Minotauro e Rothwell, vai trocar somente o necessário, usando seu boxe de qualidade em golpes de linha reta, para tentar as quedas e controlar no chão. Seu atleticismo pode dar uma boa chance, caso consiga a queda, de controlar a posição e pontuar no ground and pound.

Palpite: Schaub até tem boas chances, mas Browne me parece um passo a frente. Browne por pontos.

Anthony Pettis x Gilbert Melendez (cinturão dos leves): Finalmente Anthony Pettis fará sua primeira defesa do cinturão dos leves, quase um ano e meio após o conquistar. E terá uma pedreira pela frente, Gilbert “El Niño” Melendez. Os dois foram treinadores do último TUF americano. Melendez é um lutador de altíssimo nível, talvez não tão conhecido do público mais jovem por ter feito sua carreira como o campeão mais dominante do extinto Strikeforce. Wrestler de alto nível, com quedas precisas, ground and pound sufocante, que não brechas a guardeiros (onde Pettis é muito bom). O jiu jitsu não foi posto a prova ainda, mas o background de ser faixa preta de César Gracie lhe garante respaldo. Na trocação, algumas limitações, poucos chutes, mas um boxe que na curta distância produz seus estragos.

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Já Pettis é um dos trocadores mais criativos do MMA. Chutes saem de todos os ângulos, atingindo cabeça, corpo ou pernas. O kickboxer fica por conta de Duke Roufus, e isso é garantia de alta qualidade. Pettis gosta de andar pra frente, soltar combinações que começam com as mãos e terminando em chutes espetaculares. Além disso, costuma sentir o cheiro de sangue e não dar brechas para recuperação dos seus adversários. A defesa de quedas ainda é um pequeno calcanhar de Aquiles, mas sua agressividade no chão, mesmo por baixo sempre lhe traz resultados positivos e inibe seus oponentes, como visto em seu triângulo contra Ben Henderson, que lhe garantiu o cinturão.

Palpite: Luta com potencial para umas melhores do ano. Vou com o campeão Pettis na decisão.

Johny Hendricks x Robbie Lawler (cinturão dos meio médios): Esses dois caras se enfrentaram pelo cinturão vago em março desse ano. E meus amigos, que luta insana! Talvez a melhor do ano, com troca de vantagens e porradaria comendo solta. No final Johny levou o cinturão por decisão e o defenderá na revanche contra Lawler, que venceu suas duas lutas nesse meio tempo. De cara quase acabado nos médios e tido como ruim de chão em outros eventos, Lawler ressurgiu nos meio médios do UFC. Dono de um queixo de granito, sua movimentação evoluiu muito, seja nas pernas ou no balanço de cabeça. Bons chutes no corpo e combinações que terminam com pedradas com os punhos que já lhe garantiram 20 nocautes são suas armas. O chão evoluiu e faz com que possa ao menos sobreviver, mas a defesa de quedas ainda é falha e esse foi o fator decisivo no quinto round que decidiu a última luta.

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Já o campeão é outro trocador insano, que tem sempre a esquerda potentíssima que já levou a nocaute em menos de um minuto Kampmann e Fitch. Wrestler de alto gabarito, ele gosta de clinchar e dali aplicar belíssimas quedas, aproveitando para usar seu ground and pound. Outra característica importante do campeão, é sua capacidade de se adaptar ao o que o adversário vem fazendo, tendo sempre o antídoto. O que pode pesar contra o campeão é a falta de ritmo, o que numa luta mais longa pode ser sentido.

Palpite: O conto de fadas do ressurgimento de Robbie Lawler terá finalmente um final feliz. Aproveitando a falta de ritmo de Hendricks, Lawler vai levar com uma nocaute no 4° round.