Por: Sistema Por Acaso | 6 anos atrás

“Pouco importa o que essa gente vá falar mal, falem mal. Eu já to pra lá de rouco, louco total… Eu sou o teu amor entenda. Você precisa descobrir o que está perdendo. É, o que está perdendo!”

Assim o Barão Vermelho estreava em 1982, no primeiro álbum do grupo, batizado simplesmente como “Barão Vermelho”.

Vivendo ainda sob o regime da ditadura, um período mais “brando”, com o general João Figueiredo no poder, a juventude brasileira não se identificava muito com o que rolava no dial. Bastou uma cena carioca, uma rádio e um local para show para impulsionar as bandas que já existiam, para que fosse dado o pontapé inicial no que foi considerado o “boom” do rock nacional, com Blitz, Lulu Santos e Barão Vermelho abrindo as portas.

Gravado em dois finais de semana e lançado pela Som Livre em 27 de setembro, o primeiro disco do Barão é o disco mais cru e genial do rock brasileiro. Seu som de garagem, gravado cor urgência e pujança, foi mal gravado, é verdade, o som é abafado e chapado, pois a mixagem não prezou pela qualidade, mas esse fato é menor ante a qualidade de suas canções. Letra e Música combinavam perfeitamente, com o punch stoneano que era evidente no som da molecada na faixa dos seus 18 anos. Guto Goffi, Maurício Barros, Dé Palmeira e Roberto Frejat possuíam o feeling das músicas, do rock travesso e Cazuza, o principal letrista e vocalista encaixava como uma luva com sua poesia e escracho.

Misturando Dolores Duran e Cartola, com Rolling Stones e Bob Dylan, blues, rhythm blues, rock e MPB fazem a fusão do caldeirão do Barão e faz com que o disco traga tantos petardos, que fica difícil imaginar que uma garotada pudesse produzir som tão maduro. Produzido pelo saudoso Ezequiel Neves e Guto Graça Mello, “Down em Mim”, “Ponto Fraco”,” Billy Negão”, “Conto de Fadas”, “Bilhetinho Azul” e a clássica Todo Amor que Houver Nessa Vida, entre outras, não foram totalmente compreendidas pela galera que estava ouvindo “A vida melhor no futuro”, do Lulu, ou o “Chope com batata-frita” da Blitz. Mas o tempo se encarregou de colocar o álbum e suas canções para a história.

A partir deste disco, que vendeu muito pouco, o Barão Vermelho deixou sua marca na história do rock brasileiro, sendo, ao lado de Titãs, Paralamas e Legião, uma das mais influentes bandas nacional. O Disco completa três décadas esse ano e está sendo remasterizado pelos Barões remanescente para lançamento comemorativo em CD e LP novamente. Talvez, e os fãs torcem para isso, o grupo se reúna para alguns shows esse ano, em alusão ao aniversário do disco. Tomara. Ah, e nem preciso lembrar, Né? Esse não pode faltar na sua coleção!

 

Por Sal Ariston Junior