Por: Gabrielle Figueiredo | 2 anos atrás

Chegando perto do fim do ano, muitas pessoas tendem a mudar bruscamente a alimentação ou até começarem a prática de exercícios físicos repentinamente, situações que caracterizam a maior parte das entradas no chamado “projeto verão”.

Quem leu atentamente, viu que alguns dias atrás abordamos o tema fazendo as devidas ressalvas, então agora vamos aos motivos delas.

Perguntamos à nutricionista Luana Gruber e ao personal trainer e fisiologista Anderson Bortolini sobre os danos e consequências de se entrar de forma brusca no “projeto verão”, confira:

1 – De que maneiras o corpo reage a mudança de alimentação repentina?

Luana: Depende muito do tipo de “dieta” que a pessoa vai seguir para dar uma “secada” pro verão. Normalmente, ela perde muito peso facilmente, mas esses quilos perdidos, muitas vezes, são massa magra, ou seja, músculos.

Por isso, quando ela voltar a comer o que ela comia ela vai ganhar mais massa gorda, tecido adiposo, além do que já estava acumulado, pelo fato de ter perdido músculos e não gordura em si. Além disso, intestino vai desregular, podendo gerar constipação intestinal.

2 – Como é avaliado o impacto dessas dietas rápidas, vistas em capas de revistas?

Luana: Elas não são nada saudáveis. É um emagrecimento falso, onde a pessoa perde massa magra e quando voltar a sua alimentação normal pode ganhar gordura. São dietas muito restritas, que trazem resultados, mas que não são bons.

3 – Na hora do treino por conta própria, quais problemas a pessoa pode sofrer?

Anderson: O indivíduo pode ter problemas cardíacos, com risco de taquicardia, por exemplo. Isso pode ocorrer porque as pessoas não costumam fazer um check-up para ver a situação do corpo e acabam exigindo demais dele para compensar o tempo perdido.

Já lesões musculares podem variar desde leves até mais sérias, e normalmente acontecem nas articulações, como joelho e ombro, por exemplo. Isso acontece porque o corpo não está preparado para receber todo esse impacto, principalmente em indivíduos com sobrepeso.

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4 – Quando alguém que não está em perfeita forma deve começar a malhar se quiser estar bem pro verão?

Anderson: Em seis meses a pessoa consegue ter um resultado mínimo. É importante lembrar que não existe projeto de curto prazo para o corpo. As pessoas precisam inserir a atividade física como um hábito.

5 – Se a pessoa quiser “dar um gás” no fim do ano, quais os cuidados mínimos que ela precisa ter durante o ano todo?

Luana: A alimentação equilibrada durante o ano é importante para que não ocorra  a perda de nutrientes rapidamente e baixa na imunidade, o que pode desencadear muitas doenças. Que ela tenha um ganho de massa magra também é importante, e que consiga manter a massa magra mesmo alguns dias longe da academia ou atividade física.

Manter o corpo sempre hidratado também é importante, principalmente no verão, por ocorrer um fluxo maior de suor.

Anderson: Como dito, quanto exercícios a situação é delicada. O ideal é desenvolver o trabalho com mais tempo, progredindo em carga e intensidade conforme a resistência da pessoa. Atividade física não é uma questão de modismo e sim qualidade de vida.