Por: João Marcos | 17/02/2014

Bom, quando decidi fazer o intercâmbio ninguém disse que seria fácil, nem eu queria que fosse. Lembro de ter comentado com alguns amigos que até torcia para passar por alguns “perrengues” por aqui durante minha estadia, mas não precisavam tantos.

Mas vamos lá. Comecemos pelo início.

Primeiro tenho que agradecer aos meus amigos pela puta homenagem que me fizeram na quinta-feira antes do meu embarque. De fato era algo que eu não esperava, o que até me deixou envergonhado pelo fato de não reconhecer o quão foda eles são, mas amigos, obrigado.

Sábado ok, dia do embarque e de começar a dar forma ao tão sonhado intercâmbio. Malas feitas, último rango numa churrascaria e zzzzzuuuuuuuum ~~le barulhos de turbinas~~ parte o primeiro voo – e o único sem atraso – sentido Dublin.

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That moment

O negócio começou a ficar triste em Guarulhos, minha primeira escala – saí de Curitiba – atrasa por duas horas e já acaba com qualquer programação que pudesse ter feito.

Ok, agora vamos sentido Amsterdã encarar QUATORZE HORAS de voo, sentado na poltrona do meio e, com um rango miserável no avião – nota do editor, esse era meu segundo voo. O primeiro aconteceu uma hora antes quando fui de Curitiba pra Sampa, então imaginem como eu estava.

Cheguei em Amsterdã, na tranquilidade, primeira vez pisando fora do Brasil e o que acontece? Escala atrasa mais uma vez, agora por 1h30 e o filhão aqui fica de rolê pelo aeroporto que é quase do tamanho da cidade de onde saiu.

Passado a imigração, ganhando o carimbo e entrando em Dublin e o que acontece? Essa é a parte que encarecidamente eu agradeço a KLM, uma das minhas malas extraviou – tudo normal se não fosse o fato de que no momento em que eu fechava post, completasse mais de UMA SEMANA que estou na cidade sem receber NENHUMA satisfação quanto a minha bagagem, obrigado mesmo feras, de coração. Alguém sabe o que devo fazer? Já preenchi formulário, já listei tudo que tinha na mala, já tentei contato, mas sabe como é né, se alguém puder me ajudar, a casa agradece.

Beleza, preenchi o formulário de perda da bagagem e fui pro lounge do aeroporto esperando ver alguém com uma plaquinha com meu nome, no estilo filme sabe? Mero engano, todas as minhas conexões atrasaram e meu transfer – profissional que contratei para que me buscasse no aeroporto e me levasse até meu hostel – simplesmente foi embora, assim, embora.

Eis que do nada eu estava numa cidade que nunca fui, que fala um idioma que não domino, sem nem saber pra onde ir. Bateu aquele desespero de leve, fui logo atrás de um adaptador, já que aqui as tomadas são diferentes e tanto meu celular quanto meu computador estavam sem bateria.

Corre daqui, corre de lá… Consegui contato com o pessoal da escola e eles me disseram:

– Cara, agora tu tens duas opções. Ou pega um táxi, ou pega um ônibus…

Eu não acreditava, mas pensei, beleza, vamos lá.

Fui meter um inglês Joel Santana com um cara aleatório que vi no aeroporto, para pedir informações quanto as opções que tive.
Eis que no meio do “papo” o rapaz manda um:

– Ta perdidin fi?

Vocês não sabem o alívio que senti ao ouvir isso, SÉRIO. Grande Reginaldo me fez entender que brasileiros fora do Brasil são tipo irmãos criados longe de casa.

O cara se ofereceu pra me levar até o hostel e eu na hora aceitei… Eis que durante o caminho passou pela minha cabeça a seguinte constatação:

– Estou a 20 minutos andando no carro de um estranho, num país que não conheço, que fala uma língua que não domino e indo pra um lugar que não faço ideia de onde seja… BELEZA CARA.

Mas, como ainda existem pessoas de bem nesse mundo, grande Reginaldo depois de me contar a história da vida dele me deixou em frente ao hostel. Enfim em casa, opa peraí.

Desci do carro, me despedi do cara e dou de frente com o hostel fechado – olhei pra cima e disse: Véi, tu só pode estar de sacanagem comigo.

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Do lado de fora -4C amigos, eu tinha saído do forno jaraguaense de 40C de sensação menos de 24h antes.

O dono do hostel simplesmente não estava, o lugar não tinha recepção e ninguém sabia onde era meu quarto – some isso a mais de 24h fora de casa sem tomar banho e sem sua mala na chegada.

Como você estaria? Cara, eu estava rindo. Não sei se de desespero, raiva ou felicidade. Mas eu estava rindo.

O que vale é que tudo se resolveu, encontramos o Mr Naille, achei meu quarto, tomei um banho e fui dormir – finalmente.

Bom, aguardem pelos próximos episódios, a cidade é linda e a experiência vem sendo única. Tem muita coisa pra contar por aqui ainda.

Ahh não posso esquecer. Quando cheguei aqui, descobri que minha escola estava fazendo uma promoção e com apenas um like no Instagram, você pode me ajudar a ir pra Paris na faixa.

Dá uma olhadinha nesse post aqui: Ajudem a mandar o João pra Paris.

Please.

Ah e pra quem pensa em vir pra cá, tem alguma dúvida ou qualquer coisa do tipo referente a intercâmbio, deixa um comentário aí – por mais que eu seja um marinheiro de primeira viagem, será um prazer poder ajudar.