Por: Ariston Sal Junior | 4 anos atrás
Protesto contra a Copa do Mundo em São Paulo (SP), nesta quinta-feira (15) - Nacho Doce/Reuters

Protesto contra a Copa do Mundo em São Paulo (SP), nesta quinta-feira (15) – Nacho Doce/Reuters

Faltam 28 dias para a Copa do Mundo. No portal oficial da Copa 2014, a contagem regressiva é feita em meio ao verde, amerelo e azul da bandeira do Brasil. Já no site do Comitê Popular da Copa de São Paulo, ela é feita em preto, com a pergunta: “Copa pra quem?”.

O questionamento expressa a indignação de movimentos sociais, organizações civis, partidos políticos, pessoas atingidas por grandes obras e ativistas que irão às ruas nesta quinta-feira, 15, com a bandeira: “Copa sem povo: tô na rua de novo”.

Milhares de manifestantes de todo o Brasil se reuniram em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Brasília contra a realização da Copa do Mundo no País e por moradias, melhores serviços públicos e de condições de trabalho.

No início da noite, dois mil manifestantes se concentravam na praça do Ciclista, na avenida Paulista, enquanto cerca de cinco mil professores em greve marchavam para a a sede da Prefeitura de São Paulo.

Logo que a manifestação deixou a praça do Ciclista e tomou a rua da Consolação, um grupo de black bloc iniciou um tumulto, construíndo uma barricada com lixo e ateando fogo. Houve bastante tumulto e corre-corre. Um grupo de manifestantes pichou alguns portões e tentou invadir uma loja. Eles impediram a passagem de ônibus e provocaram a Polícia Militar, que reprimiu o ato com bombas de gás, dispersando parte dos manifestantes. Meia hora antes, e 20 pessoas já haviam sido detidas pela PM portando coquetéis molotov e martelos enquanto subiam a rua Augusta.

A partir de então, grupos se dispersaram pela região. Alguns desceram a Augusta, enquanto a maioria foi para a frente do estádio do Pacaembu, onde foi recebida por um ônibus do choque. A Polícia Militar prendeu mais sete pessoas e os encaminhou para 78° Distrito Policial, nos Jardins.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, quatro manifestantes, entre eles o Batman Eron de Melo, subiram na estátua do Zumbi dos Palmares. Em cartazes, lia-se em inglês “Queremos escolas e hospitais padrão Fifa” ou “F*** a Copa do Mundo”. Às 19h10, o grupo chegou na Prefeitura e todas as pistas da Presidente Vargas ficaram fechadas.

Manifestantes protestam contra a Copa no Rio de Janeiro. Foto: Agência Brasil

Manifestantes protestam contra a Copa no Rio de Janeiro. Foto: Agência Brasil

Por volta das 19h40, professores e membros de partidos políticos terminaram a passeata. Cerca de 200 manifestantes, entre eles vários mascarados  voltaram em direção à Central do Brasil. Antes, uma pequena confusão entre black blocs e PMs foi contida quando os policiais foram cercados pelo grupo e dispersaram usando spray de pimenta. Alguns deles quebraram luminárias e pararam o trânsito novamente no sentido zona norte.

Os mascarados pegaram paus e pedras e ainda bloquearam a Presidente Vargas, quando o clima ficou tenso. Às 20h10, PMs foram dispersando os ativistas com spray de pimenta e revistas individuais, com três policiais para cada manifestante.

Em Belo Horizonte, Minas Gerais, cerca de 2 mil manifestantes queimaram objetos em frente à prefeitura, como catracas. Durante a caminhada contra a Copa, eles bloquearam ruas e contiveram os focos de tumulto. Sem confusão, a marcha foi encerrada na Praça da Liberdade, no centro.

Copa sem povo

O próprio local de abertura da Copa foi palco de uma das manifestações desta quinta-feira, quando integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) marcharam para lá a partir de um acampamento montado em um terreno ocupado a 3 quilômetros do estádio. Além dos gritos de ordem, eles atearam fogo a pneus.

A polícia formou um cordão de isolamento no entorno da arena para impedir o avanço dos manifestantes, que montaram uma barricada com pneus em chamas em uma rua de acesso ao estádio. De acordo com o MTST, cerca de 1.500 pessoas participaram da manifestação.

Em alusão ao Mundial e às manifestações que levaram milhares de pessoas às ruas no ano passado, o MTST divulgou um manifesto com o nome “Copa sem povo, tô na rua de novo!”. O documento reivindica mais recursos para transporte, saúde e educação, demandas que também motivaram os protestos de junho do ano passado.

Brasília e Recife

Já em Brasília o mesmo movimento invadiu um prédio da empresa Terracap, estatal do governo do Distrito Federal responsável pela construção do Estádio Nacional Mané Garrincha, o mais caro da Copa com custo estimado em R$ 1,4 bilhão.

O MTST disse em sua página oficial no Facebook que membros do grupo foram expulsos do local em uma “ação truculenta da polícia” e que permaneceriam do lado de fora do prédio até serem recebidos por autoridades para apresentar suas demandas.

De acordo com uma porta-voz da polícia do DF, houve uma “ação normal e sem violência” para retirada de cerca de 300 manifestantes do interior do prédio, e o grupo que permaneceu do lado de fora era inferior a 100 pessoas.

Em Recife, cidade que receberá cinco partidas do Mundial, uma greve de bombeiros policiais militares provocou episódios de violência e saques nas ruas da cidade. No final da noite, uma comissão se reuniu com o governo do Estado para decidir o futuro da greve e decidiram acabar com a paralisação e voltar ao trabalho imediatamente.

Também será encaminhado à Assembleia Legislativa um projeto de cargos e carreiras para a categoria, além de incorporação do risco de vida ao salário. A proposta deverá ser votada até 30 de julho.

As manifestações nacionais de hoje começaram logo cedo, quando um grupo utilizou pneus queimados para bloquear a rodovia Anhanguera, na altura do limite entre São Paulo e Osasco, no sentido à capital paulista. A via acabou liberada, mas o protesto provocou enorme congestionamento na região.

Os protestos contra a Copa acontece no momento em que os atrasos nas obras de estádios ganha as manchetes no Brasil e no exterior.

*Com Reuters, Agência Brasil e O Dia