Por: João Marcos | 16/04/2012

A promessa era de que os Jogos Olímpicos de Londres seriam os mais “éticos” da história. Mas uma investigação publicada neste sábado pelo jornal inglês “The Independent” pode macular a tentativa dos organizadores. Segundo o periódico, os uniformes de atletas e voluntários britânicos são fabricados por operários que sofrem agressões, trabalham por 65h na semana e recebem, no máximo, R$ 1,03 por hora. As nove fábricas acusadas de exploração, na Indonésia, foram contratadas por uma das patrocinadoras oficiais do evento.

– É difícil conseguir permissão para ir ao banheiro. Se você é realmente obrigada a ir, a pilha de trabalho fica tão grande que o líder da linha de produção te chama de cachorra, sem cérebro, sem educação… Às vezes nós deixamos de almoçar para atingirmos os objetivos – diz Yuliani, uma costureira de 23 anos de idade.

Os abusos físicos mais comuns, segundo os trabalhadores, são tapas, beliscões nas orelhas e até agressões com os próprios tênis da linha de produção. Revoltados, dez trabalhadores decidiram se unir para tentar reivindicar seus direitos. Acabaram suspensos por um mês e, mais tarde, foram demitidos.

Em nota, a Adidas afirmou que apenas uma das fábricas pagava menos que o obrigatório, e que funcionários que trabalham excessivamente são “uma exceção, e não a regra”. Segundo o comunicado, a empresa sabia de casos isolados de perseguição e abusos, mas ficou “perturbada” com a denúncia de trabalhadores sendo trancados por não atingirem as metas.