Por: Marcelo Lamas | 6 meses atrás

Os comparsas criaram um grupo no WhatsApp com o nome de “Grupo de Estudos”. A intenção real era organizar a festinha anual entre colegas e ex-funcionários do departamento.

O Sid conhecia bem a dinâmica do evento. Começava com um almoço regado a muito chope e rapaziada só contando vantagens ao longo da tarde. Até alguém sugerir: “Vamos lá?’. Sid era malandro, não queria ficar queimado com a mulher. Foi para a festinha de bermuda, chinelos, camiseta surrada e de bicicleta, ou seja, inadequado para seguir adiante.

Só não contava que, até aquele amigo que se pagava de religioso resolveria ir junto, para conhecer a famosa casa da Mathilde. Sid sentiu-se pressionado, alegou sobre o traje impróprio. Só que alguém bradou a máxima: “Vai todo mundo ou não vai ninguém!”.

Rapidinho, o problema do Sid foi resolvido: era só passar na casa do Elton, que o manequim era parecido. Ele ficou sem saída e seguiu adiante.

Depois de boas risadas, de ter visto quatro “streap-teases” e de ter tomado várias cervejas, resolveu arrematar com duas águas para disfarçar seu estado. Pagou a conta de R$ 150,00 e foi embora.

Destrocou a roupa na garagem do Elton, pegou a bike e tomou o rumo de casa. No caminho, desiquilibrou-se, machucou o joelho e estragou a bicicleta.

Por mais paciente que a Susana fosse, não perdoou Sid. Nem ligou para os vizinhos do condomínio. Fez um escândalo ao vê-lo chegar daquele jeito. Ele ficou cabisbaixo e foi para o banho.

Curiosa, resolveu “estalquear” o celular do Sid e viu ali toda a conversa prévia e uma mensagem recém-chegada ao “Grupo de Estudos”: “Sidão, devias ter ficado com a gente, o streap da Roberta foi agora, aí sim tu irias te apaixonar!”.

Ela não esperou o marido para conversar. Respondeu na hora: “Aqui é a Susana, o meu casamento terminou e o de vocês vai junto! Podem esperar!”.

Os caras conversaram e decidiram ir embora do inferninho. Fizeram várias resenhas pelo Grupo de Estudos II, pelo resto do finde, mas preferiram ficar com a dúvida, com a crença de que era brincadeira do Sid.

Monitoraram a rede social da Susana, que só fazia posts de frases do tipo: “Era o dono da bola. Até o dia que me dei conta, que o campo era meu!”.

No final da tarde de domingo, Susana compartilhou uma foto de rostinho colado com o marido e a legenda: “Nosso amor é maior que tudo!”.

Os caras ficaram ansiosos até ele aparecer com a habitual cara de paisagem na firma:
– Sid, foste tu que nos ameaçou?
– Foi a Susana!
– Ela te perdoou?
– Perdoou, mas teve condições…
– O que ela pediu?
– Ela me proibiu de sair com qualquer um de vocês!
– Só isso?
– Não! Ela também exigiu que eu passasse o nome de todos que estavam na festa, inclusive os que não apareciam no Grupo de Estudos. Assim, ela disse, conseguirá me monitorar.
– Então ficou sossegado pra gente?
– Da parte de vocês não tratei nada. Sugiro manter suas esposas longe dela.

Nota do Autor: Embora esteja na moda, a delação é um “crime” que nem o Cristianismo perdoou, ou você conhece alguém chamado Judas?

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Marcelo Lamas, cronista, colunista do PorAcaso há 10 anos. Autor de “Indesmentíveis”.
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