Por: Deivis Chiodini | 4 anos atrás

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Quem será o próximo na fila dos médios? O campeão Chris Weidman mede forças com Vitor Belfort em maio, e vários nomes almejam ser o próximo a buscar o cinturão. Ronaldo Jacaré seria a escolha natural por ser o melhor ranqueado, mas o fato de sua luta contra o também bem ranqueado Yoel Romero ter caído a 8 dias do evento, por uma lesão do cubano (lembrando que já havia sido adiada por uma pneumonia do brasileiro), o fará enfrentar o inexpressivo Chris Camozzi, numa revanche em que nada agrega ao cartel do capixaba.

Com isso, caso o vencedor da luta principal da noite, entre Luke Rockhold e Lyoto Machida tenha uma performance chamativa, poderá furar a fila e deixar Jacaré a ver navios.

Outras boas lutas agitam esse card de sábado, que tem transmissão pelo Combate a partir das 18 horas. Vamos as principais da noite:

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Ovince St-Preux x Patrick Cummins (categoria dos meio pesados): Dois dos lutadores mais atléticos da divisão se enfrentam numa luta que poderá lhes dar oportunidades de voos maiores. St-Preux vem de uma vitória bastante contundente sobre Shogun, com um petardo logo no início da luta e vem ostentando um bom cartel de 5-1 no UFC.

Dono de kickboxing decente, St-Preux é extremamente forte, gostando muito de derrubar e jogar por cima no ground and pound. O problema é seu wrestling defensivo e ele terá pela frente um especialista nisso. Cummins é outro touro, e se menos habilidoso na trocação, é muito superior no wrestling, com grande controle posicional e duas marretas nas mãos. A chave para St-Preux será manter a luta de pé na longa distância se valendo de seus 10 cm a mais de envergadura, porque no clinche e na curta a vantagem é ampla de Cummins.

Palpite: Cummins achando a distância na grade e controlando no ground and pound, levando por decisão.

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Jim Miller x Beneil Dariush (categoria dos leves): Jim Miller sempre está na elite dos leves, mas na hora de vencer a luta decisiva para ter a chance do cinturão, acaba escorregando. Foi assim recentemente contra Cowboy Cerrone, e já havia sido contra Ben Henderson e Nate Diaz.

Ele tenta recomeçar sua caminhada contra o ascendente pupilo de Rafael Cordeiro, Beneil Dariush, que vem de três significativas vitórias consecutivas. Miller é um lutador muito versátil, usa muito seu boxe, com combinações gerando grande volume de golpes. Na parte de grappling, o wrestling entra em ação, mas o jiu jitsu é apurado e seu cartel de finalizações é grande, com destaque para as guilhotinas.

Já Beneil Dariush lutou a pouco mais de um mês e acabou aceitando essa luta quando Paul Felder se machucou. Vindo de uma das escolas mais fortes na luta greco romana (a iraniana), e faixa preta de jiu jitsu de Romulo Barral, Dariush é um excelente grappler, tendo três das suas quatro vitórias no UFC por finalização. Em pé, se o poder de nocaute ainda não apareceu, o muay thai vem evoluindo a passos largos, com destaque para poderosa combinação jab-direto-chute baixo ou no corpo.

Palpite: Miller é mais experiente, mas Dariush parece estar num ascensão interessante. Numa luta equilibrada, Dariush por decisão.

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Cub Swanson x Max Holloway (categoria dos penas): Após uma sequência de seis vitórias, Cub Swanson já cogitava disputar o cinturão. Tudo acabou quando ele foi brutalmente surrado e finalizado por Frankie Edgar. Já Max Holloway vem de uma sequência de cinco vitórias e vencer Swanson o colocaria próximo ao topo da divisão.

Swanson é dono de um jogo de pernas dos mais fluídos do MMA, e o usa muito bem para cortar ângulos e usar o boxe de grande volume. Swanson usa também muito os chutes no corpo, conseguindo bom efeito. No grappling, boas quedas de quadril e projeções de judô lhe ajudam, mas ele se complica de costas no chão.

Já Holloway segue a mesma fórmula. Boxe alinhado, com grande volume e combinações que terminam no corpo do oponente, uma defesa de quedas apenas decente e um jiu jitsu que permite se defender. No clinche, bom dirty boxing e cotoveladas dão a tônica.

Palpite: Swanson tem mais punch e vai conseguir um nocaute no segundo round.

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Ronaldo Jacaré x Chris Camozzi (categoria dos médios): Como já falei acima, Camozzi caiu de tampão nessa luta com a lesão de Yoel Romero. Essa luta aconteceu no primeiro UFC em Jaraguá e Jacaré finalizou no primeiro round. Camozzi retorna ao evento após ter sido demitido. Ele é aquele tipico lutador médio, não se destacando em nenhum campo do MMA, mas também não fazendo feio em nenhum deles. Gosta de usar o kickboxing e tem defesa de quedas razoável. O problema é que pela frente ele terá ninguém menos que uma máquina chamada Ronaldo Jacaré. O boxe evoluiu a ponto de permitir-lhe nocautear Yushin Okami e trocar porrada com Gegard Mousasi. O wrestling hoje o possibilita encurtar e jogar na sua especialidade: o jiu jitsu.

Um dos maiores nomes da história da arte suave, Jacaré tem um arsenal absurdo de raspagens, passagens de guarda e finalizações no chão. Suas transições são geniais e ele parece estar sempre um passo a frente. Some isso a uma mão muito pesada no ground and pound e as brechas no chão vão aparecer.

Palpite: prevejo o mesmo desfecho do primeiro combate. Jacaré por finalização no primeiro round

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Lyoto Machida x Luke Rockhold (categoria dos médios): Dois dos mais dinâmicos lutadores da categoria se enfrentam em luta fundamental na busca pelo cinturão.

Rockhold, ex campeão do Strikeforce estreou no UFC sendo nocauteado por Vitor Belfort, mas depois enfileirou seus três adversários, inclusive finalizando Michael Bisping numa guilhotina com uma mão. Faixa preta de jiu jitsu, conta com finalizações criativas e bom jogo de chão. Em pé, tem habilidade para golpear na longa distância em grande volume sem se expor e com bom poder de nocaute. Os chutes no abdômen foram acrescentados recentemente ao seu jogo e o wrestling dá as caras quando se sente acuado, trazendo as lutas pro grappling. Some isso a um cardio impecável moldado na AKA, e temos um contender ao cinturão dos médios.

Já o carateca Lyoto Machida tem seu nome escrito na história do MMA. Ex campeão dos meio pesados, com vitórias sobre Shogun, Rashad, Tito, Couture entre outros, ele tentará mais uma vez uma corrida pelo cinturão dos médios, após ter perdido a sua chance contra o campeão Weidman. Dono de um jogo enigmático, muito difícil de decifrar, Machida adora lutar no contra golpe e usa e abusa dos chutes frontais bem como as sequências rápidas que começam na pernas e terminam com cruzados no rosto. Sua movimentação é constante e é muito difícil acha-lo no octógono. seu wrestling é de alto nível, principalmente defensivamente. No chão, se não tem muitas armas para ser perigoso, também não se ve em risco. Uma lutaça.

Palpite: moedinha pra cima, deu Machida, numa luta dura por decisão dividida.