Por: Ricardo Daniel Treis | 4 anos atrás

Artigo que li ontem e me deixou ligeiramente perturbado com o que encontrei após algumas buscas por palavras-chave citadas. Pode ser lenda urbana, mas como duvidar do potencial do ser humano para a podridão?

DEEP WEB – O Submundo da Internet
Por Fabricio Sacramento @ Noo Magazine

Há algo de muito podre no maravilhoso reino da internet, e você, provavelmente, nem desconfia disso. Não, não se trata dos memes infames ou das notícias irrelevantes sobre celebridades-desconhecidas. Ou até mesmo vídeos de violência, morte e etc. Ali a coisa toma uma face muito, muito mais sombria. A deep web, como é mais conhecida, é, na verdade, um mundo à parte.

O termo é atribuído a Michael K. Bergman, CEO e cofundador da Structured Dynamics LLC. Ele se refere a todo aquele conteúdo que não pode ser indexado pelos sites de busca e, dessa forma, não está disponível diretamente para quem navega na internet. Basicamente, quando um site é criado, ele pode ser configurado de duas formas: “follow“ e “nofollow”. A primeira permite que os mecanismos de busca tradicionais como Google e Bing encontrem o conteúdo ali disponibilizado. Na segunda opção, não. Mas isso não significa que essa informação não esteja na rede.

Um mundo de 8 níveis de profundidade em que quanto mais pra baixo se vai, mais podre e perigoso fica. Para se navegar pela deep é necessário um conhecimento aprofundado das tecnologias. Por exemplo, para passar do quarto nível é necessário utilizar um browser específico chamado Tor. É necessário também desativar funções de JavaScript do computador e instalar um bom antivírus. Recentemente a empresa responsável pela criação do browser fez um comunicado oficial não recomendando a utilização do mesmo nas plataformas Windows, por questões de segurança.

Por ser um território longe de fiscalizações rígidas, a divulgação de conteúdos perversos é corriqueiro. Atualmente o fluxo de conteúdo na deep web é 500 vezes maior do que na internet comum – 80% do conteúdo da web está lá embaixo, bem longe dos nossos olhos. Todo o perigo da rede acontece porque as informações que ali estão não são para qualquer um mesmo. Mas há muitas coisas boas; o WikiLeaks, que teve seu berço na deep web, é um bom exemplo do conteúdo útil e interessante que pode ser encontrado. Segredos de Estado, espionagem e tudo mais que você pode imaginar.

O problema é que, exatamente por esse anonimato, sites que escondem o IP do usuário e outras coisas dessa natureza tornam a deep web o local perfeito para a existência, o desenvolvimento e o encontro de pessoas com desejos absurdamente repulsivos. Filmes como “O Albergue” são historinhas de dormir. Só pra se ter um ideia, um dos casos saídos da deep web para o nosso mundo é o do canibal que, em 2003, na Alemanha, confessou em um tribunal ter matado e comido uma pessoa a pedido da própria vítima. O “Canibal de Rotenburg”, como ficou conhecido, diz ter conhecido a vítima e combinado como tudo seria feito através da internet. Uma investigação da polícia levou a uma rede de fóruns de canibalismo escondidos na deep web. “Cannibal Cafe”, “Guy Cannibals” e “Torturenet” eram páginas usadas pelos canibais para marcar encontros e selecionar vítimas para a prática de canibalismo.

Pedofilia macabra, satanismo, assassinos de aluguel, tortura, canibalismo, amputações, trocas de membros, dolls makers (se ficar curioso com essa, tenha cuidado na procura), escatologias, zoonecrofilia e outras coisinhas “bacanas” estão em monte por lá. Porém o que me choca mais é saber que sites e fóruns com esses temas só estão ali porque tem gente que assiste e consome isso. Se você está movido por uma curiosidade enorme e está pensando em se aventurar pela área, cuidado, só pra se ter ideia, um dos níveis da deep se chama Virus Soup, ou “Sopa de Vírus”, o que já dá pra se ter uma noção do que pode acontecer com seu computador e dados pessoais, como os acessos e senhas bancárias.

Os últimos níveis são praticamente inacessíveis. Na verdade, o nível 5 Marianas Web é o divisor de águas entre a deep web conhecida e a deep web oculta, onde se encontram as pessoas com um conhecimento avançado em computação, os verdadeiros hackers, crackers, bankers etc. A partir desse ponto a coisa fica tensa; daí pra baixo existem três níveis, que seriam: Level 6 (vídeos e documentos governamentais, sendo uma rede fortemente criptografada e segura); Level 7 (The Fog/SoupVirus, poder monetário em jogo, onde se negociam bilhões de dólares) e Level 8 (The Primarch System, controle tecnológico global, documentos relacionados a computação quântica, elites de hackers, onde se conquista poder e dinheiro). O último nível é, na realidade, uma espécie de anomalia da web. Descoberto nos anos 2000, ele é um sistema que manda aleatoriamente informações pela web. O nível 7 é uma zona de guerra entre pessoas que querem entrar no nível 8 e os que já estão lá e não querem que ninguém mais entre. Acredita-se que o nível 8 seja protegido por uma função quântica “level 17 quantum t.r.001 level function lock”, impossível de ser acessado por computadores comuns. Quem chega lá fica conhecido como Chefão Final da Internet.


Faço minhas ressalvas quanto esta parte final, que convenhamos, o conceito soou infantil apesar do assunto. Agora a questão que ficou para o dia é: se só pelo que vemos explícito em redes sociais já dá pra ficar de orelha em pé, que dizer do que está rolando entre usuários com intenção mais hardcore?