Por: Raphael Rocha Lopes | 6 anos atrás

Todos os dias vemos coisas que nos espantam. Penso que isso não deva ser exclusividade dos meus olhos. Coisas simples que nos incomodam, e muitas das quais já comentei aqui e, tenho certeza, os leitores também devem tratar nas rodas de conversas com os amigos.

Esta semana algumas coisas surpreenderam-me de novo (na realidade não sei como ainda consigo ficar surpreso. Talvez indignado caberia melhor). Em São Paulo policiais estão sendo mortos todos os dias e o Governo simplesmente não consegue controlar a situação. Em Jaraguá do Sul repintaram as ciclofaixas e as transformaram, em alguns trechos, em vias de autorama, de tão estreitas. Falando em ciclofaixa, em frente a um comércio na Marina Fructuoso, ainda aqui em Jaraguá, um carro e depois outro simplesmente estacionaram numa tarde chuvosa de sábado em cima da ciclofaixa. Ou seja, se naquele momento passasse um ciclista teria que seguir pelo meio da rua por conta da folga individualista daqueles cidadãos. Em uma pista escorregadia, debaixo de chuva.

E o que mais me assustou: o estabelecimento tinha estacionamento, os carros eram novos (uma caminhonete Mitsubishi grande e um modelo 2013 da Ecosport, ambos os veículos coincidentemente brancos) – não que riqueza signifique sabedoria ou educação, mas inconscientemente é o que se espera. Por fim, um das famílias tinha uma pequena filha, que provavelmente vai seguir o feio exemplo dos pais de desrespeitar os outros ou de pensar apenas em si mesmos. Ah, claro, tinha o mágico pisca-alerta do qual já falei aqui, que transforma qualquer automóvel em avião da Mulher Maravilha, ou seja, invisível.

Não venham dizer, talvez, que era só uma paradinha rápida, pois um razoável tempo depois passei novamente pela rua e o automóvel maior ainda estava lá.

Claro, nem todas as pessoas são completamente boas ou ruins. Todos cometemos erros. Entretanto, alguns são extremamente infantis ou fruto puro da falta de consideração ou respeito.

Nessa linha deixo claro que não acredito em pessoas lineares, aquelas que não se alteram nunca, que não esfriam e nem esquentam, que querem eternamente passar a imagem de bons moços. Esse tipo de gente me preocupa, pois não transmitem qualquer confiança e parecem sempre que vão dar o bote. Por outro lado, eu não gosto dos exagerados, dos que falam sempre alto, dos que vivem arrotando camarão, dos que adoram o tempo todo dizer quem são ou o que têm. Estes tipos pernósticos embrulham o estômago.

E tudo isso me lembra um poema de Mario Quintana, com o mesmo título do texto de hoje:

“Nossa alma incapaz e pequenina
Mais complacência que irrisão merece.
Se ninguém é tão bom quanto imagina,
Também não é tão mau como parece.”