Por: Ricardo Daniel Treis | 3 anos atrás

Matéria pelo jornalista convidado Serginho de Almeida:

Quatro décadas vendo o trem passar… E com ele, pessoas indo e vindo, prédios crescendo, cidade aumentando de dimensão e população. Em mais de 40 anos de funcionamento, o Hotel Nelo, o mais antigo de Jaraguá do Sul em operação, recebeu muitas dessas pessoas, milhares, talvez, que ou estavam de passagem, ou vinham fazer morada no Vale do Itapocu.

Uma vista da Marechal na década de 60, pouco tempo antes da construção do hotel

À direita, vista da Marechal na década de 60, algum tempo antes da construção do hotel. Foto: Antigamente em Jaraguá do Sul

Da necessidade por conta dos Jogos Abertos de 1980, à contingência de acompanhar o progresso e o crescimento da cidade, o Hotel Nelo foi crescendo junto com Jaraguá do Sul.

Quem nos conta a história é um dos três irmãos que hoje são sócios do Hotel Nelo, Celso Roberto Berri, sócio-administrador do negócio há 10 anos. Além, dele também participam da sociedade Vera Lúcia Berri Wilhelm e Luiz Carlos Berri.

Segundo Celso Berri, o prédio onde abriga o Hotel Nelo foi criado, inicialmente, para atender a demanda de salas comerciais. Uma “mudança nos planos”, no entanto, ocorreu pela necessidade da oferta de leitos para os Jogos Aberto Abertos de Santa Catarina, o JASC, em 1980, em que Jaraguá do Sul seria a sede. Celso conta que, na época, foram reservados os dois últimos andares para servir de hotel.

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O nosso “calçadão”, na década de 70, onde o Hotel Nelo estava em seus primeiros dias. Foto: jaraguadosul.blogspot.com.br

“Na atual recepção funcionava um escritório contábil e no primeiro andar havia lojas comerciais”, lembra Celso, que praticamente cresceu dentro do Hotel. Ele destaca que o prédio fora construído e finalizado no final de 1973 por seu pai, Aléssio Berri que, na época, era bancário e trabalhava no Banco do Brasil. Celso explica que o prédio foi edificado em cima de uma estrutura pré-existente – onde hoje funciona o Stannis Pub -, adquirida do senhor Wolfgang Weege.

Acesso de Joinville, pela Ponte Abdon Batista, Recém inaugurado, Déc. de 70 - Foto iazera - Acervo Victor Bauer

Acesso de Joinville, pela Ponte Abdon Batista, Recém inaugurado, Déc. de 70 – Foto Piazera – Acervo Victor Bauer

A adaptação estrutural do projeto, ressalta Celso Berri, foi feita pelo falecido engenheiro Fruet.

Celso relata que, uma vez pronto o prédio, os dois andares superiores foram alugados para o Nelson Klitzke, que, na época, também era bancário, e que operacionalizou o espaço como hotel. “Daí surgiu o nome Hotel Nelo”, conta Celso.

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Em dezembro de 1976 o Sr. Aléssio Berri, agora aposentado do BB, resolveu assumir o Hotel, já que Nelson não queria mais dar continuidade ao negocio. “Na época, uma pessoa ficou muito conhecida, que era o Sr. Pedro Schmitz, que desde a fundação do Hotel foi seu gerente, ficando ali por mais de 20 anos”, destaca Celso.

Jaraguá do Sul em 1980 - Foto: jaraguadosul.blogspot.com.br

Jaraguá do Sul em 1980 – Foto: jaraguadosul.blogspot.com.br

A cidade crescia em movimento e, em 1983, vendo a necessidade de ampliação, Aléssio Berri construiu um segundo prédio, sendo este todo destinado a ser hotel, com 36 novos apartamentos. Nesta época, lembra Celso, Jaraguá do Sul tinha menos da metade da população de hoje e as ruas não tinham asfalto.

Av. Marechal Deodoro, entre os anos 60 e 70

Av. Marechal Deodoro, entre os anos 60 e 70. Foto: Antigamente em Jaraguá do Sul

”O Edifício Berri, que abriga o Hotel Nelo, foi o primeiro prédio com quatro pavimentos de Jaraguá”, destaca Celso. Ele ainda lembra que, ao lado do Hotel, no lugar do Beber Calçados, funcionava a Calçados Mendonça, que foi atingida por um incêndio. “Naquela época, a cidade já tinha um sangue progressista correndo pelas veias”, afirma Celso.

Fonte: Arquivo Histórico Eugênio Victor Schmöckel

Fonte: Arquivo Histórico Eugênio Victor Schmöckel

Nessas quatro décadas de funcionamento, o Hotel Nelo até que não recebia personagens ilustres. Era a “casa” de muitas pessoas que passavam pela cidade pelos mais diversos motivos: profissionais, turísticos ou simplesmente quem fazia dele sua primeira casa, antes de instalar-se definitivamente na cidade.  De acordo com Celso, os “personagens ilustres” acabavam ficando hospedadas no Hotel Itajara, que abriu suas portas pouco mais de seis meses após o Nelo ter iniciado suas atividades.

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Jaraguá do Sul, anos 90 – Foto: jaraguadosul.blogspot.com.br

“O que acredito serem personagens importantes na história do Nelo são e foram seus funcionários e os clientes”, afirma Celso. Estes, em sua maioria, representantes comerciais que, muitas vezes, voltavam e voltam depois de 20 ou 30 anos trazendo a família, agora a passeio, fazendo questão de passar no Nelo para mostrar aos familiares, com orgulho, onde se hospedava em seus anos de atividade profissional. “É gostoso ouvir as histórias que para essas pessoas foram passagens tão importantes em suas vidas”, diz Celso.

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No início dos anos 2000, a construção do Calçadão da Marechal como conhecemos hoje. O Nelo também viu essa… Fonte: Arquivo Histórico Eugênio Victor Schmöckel

E nessas quatro décadas de atuação em Jaraguá dói Sul, em estando situado naquele ponto da cidade, algo não poderia faltar na história do Hotel Nelo: o trem.

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Para Celso, talvez o que seja mais marcante no Nelo, não seja exatamente no hotel, mas sim, próximo a ele – justamente a passagem do trem! “O que para nós jaraguaenses tem se tornado uma dor de cabeça, para várias pessoas – depois de acordarem assustadas na madrugada – é algo, no mínimo, nostálgico ou curioso, que é a passagem do trem”, define. Celso conta que não são raros os hóspedes que chegam a descer de pijama ou se debruçam sobre as janelas para ver o trem passar…

Esse “debruçar-se na janela” é algo que caracteriza o Hotel Nelo em toda a sua trajetória, pois retrata esforço da administração em torná-lo a segunda casa dos seus hóspedes. “Somos uma empresa de serviços, portanto entendemos que nosso negócio é o de servir. E assim, para trabalhar com hotelaria, é necessário gostar de pessoas, de bem acolher, de se importar”, define Celso.

Acolhida ao melhor estilo no café da manhã =]

Acolhida ao melhor estilo no café da manhã =]

 

Para Celso Berri, o que mudou em Jaraguá do Sul nesses 40 anos, em Jaraguá do Sul é o atendimento. Sendo do ramo hoteleiro, ele destaca que a receptividade do jaraguaense cresceu nestes últimos anos. “As pessoas já conseguem entender que o progresso demanda pessoas e que muitas vezes precisamos buscar essas pessoas fora”, afirma. E com relação ao turismo, ele diz que se está começando a enxergar o potencial que a região tem e que é preciso acolher bem essas pessoas, pois essa é uma indústria limpa e economicamente viável.

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E assim vai seguindo o mais antigo hotel de Jaraguá do Sul. Aliás, Celso diz que o mais importante para um hotel de mais de quatro décadas tem sido tentar se renovar, dentro de um universo nem sempre estimulante, economicamente falando, mas, ao mesmo tempo mantendo sua identidade ante o seu público, clientes e amigos.


Matéria pelo jornalista convidado Serginho de Almeida.

Nota do editor: faço uma emenda dado que estamos por dentro que logo mais os amigos do Estúdio Self estão por apresentar a nova identidade visual do Hotel Nelo. A ideia deste artigo especial partiu de informações que compartilharam conosco.

“Tivemos a chance de trabalhar com uma parte da história de Jaraguá do Sul, em um projeto que abraçou desde a concepção visual até apelo estratégico.” Logo mais o trabalho será apresentado à cidade, aguardem, que o resultado ficou fino. 🙂

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