Por: Raphael Rocha Lopes | 5 anos atrás

Eu tenho alguns jornais e revistas aqui em casa que, por conta de alguma matéria que me chamou atenção, deixo separado. Na maioria das vezes acabo lendo semanas, meses e às vezes até mais de ano depois. E foi isso que aconteceu com um jornal (caderno de fim de semana do Valor), de agosto do ano passado. O assunto era sobre como estará o mundo daqui 40 anos. A projeção era para 2052.

O cinema, a literatura e os entendidos já nos apresentaram todas as possibilidades imagináveis. Desde a visão mais catastrófica, onde tudo vai dar errado seja por uma guerra, um supervírus, ou uma catástrofe natural vinda das profundezas ou do espaço, até as mais otimistas, com curas para todos os males, pessoas civilizadas, vida sublime, com ultratecnologia conduzindo nossos rumos, sem fome e sem violência. De vez em quando aparece alguém com uma versão nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

E lendo a matéria recordei-me de um pai relativamente jovem e absolutamente obeso na fila da padaria do supermercado, acompanhado de sua filha sentada naquela cadeirinha do próprio carrinho de compras. “Um saco de pão de queijo, mas pode deixar aberto que minha filha vai querer comer”.

Abre parênteses. Aviso aos navegantes. Sei que sou chato e para previni-los, indico o seguinte texto (“Eu sou um chato”).Fecha parênteses.

Fiquei pensando como o mundo poderá ser melhor se os nossos filhos estão cada vez com menos limites. Se coisas simples que não deveriam ser admissíveis acontecem a todo momento como se fossem corriqueiras. Meus pais, por exemplo, nunca nos deixaram, a mim e meus irmãos, abrir ou comer qualquer coisa dentro de um supermercado. Simplesmente porque existe hora e local para comer. Hoje em dia, porém, o que mais se vê é a pirralhada comendo salgadinho, bebendo iogurte, lambuzando-se com chocolate nos corredores dos supermercados. E não adiantam os avisos escritos ou sonorosos, já que alguns pais também tem esse péssimo hábito e dão esse horrível exemplo.

Aquela menininha do exemplo, além de folgada, se puxar a tendência do pai, ainda vai ficar gorda, pois nessa tenra idade iria comer parte daquele pacote de pão de queijo, deitada num carrinho de supermercado, em horário e local inadequados.

Desses pequenos atos surgem os grandes moleirões intelectuais que serão os adultos que urinam no meio da rua, que entram sem camisa em locais fechados (ainda que seja na praia, é pura falta de educação o “ser” entrar seminu num supermercado), que não respeitam uma fila…

Não sei como estaremos em 2050, mas pelo que parece não vai ser muito melhor.