Por: Diego Luis Jarschel | 3 anos atrás

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Recordar é viver, já diz a máxima do “ditado popular” e no passado jaraguaense, não tão passado assim, nada mexe mais com a nostalgia daqueles que já passaram dos 30 anos do que as baladas que a cidade oferecia. Casas Noturnas, Bares e Restaurantes e Festas Temáticas fizeram a alegria de quem viveu aqui naquela época. E por conta do teor alcoólico que acompanhava todas as festas, o texto abaixo não segue uma ordem cronológica de realização ou funcionamento dos locais citados. Mas temos certeza de que você gostará de recordar esse tempo… Enjoy it!

“Don’t you forget about me”, da banda britânica Simple Minds era uma das músicas daquele quadradinho que reunia pouco mais que 500 pessoas, talvez até menos. Um outro hit oitentista,  divertido e dançante, também tocava ali. Era “Solange“, do roqueiro Léo Jaime. A música é uma versão do So Lonely, da banda inglesa The Police. Naquele espaço charmoso, os rapazes e as garotas mais interessantes da região balaçavam seus corpos e seus copos.

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Veja também: Especial casas noturnas que marcaram noites dos jaraguaenses

Estreia Conversa Por Acaso, com Paulico da Silva

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O espaço referido é o Caesar’s Club , do empresário Luiz Cesar da Silva, era o agito na noite, em Jaraguá do Sul, no final dos anos 80, início dos 90. As pessoas que frequentavam eram bonitas, charmosas ou interessantes ou ricas. Ou tudo isso junto.

Havia também lugares alternativos para quem não era “boyzinho” ou não queria perder com paqueras e procurava gente “que sabia o que queria”. O Doering e o Botafogo, este também frequentado pela turma do Centro.

O começo da noite (da vida noturna) reunia pouca gente, apesar de muitos reclamarem da falta de opção. Mas os hábitos eram outros naquela época. Havia, como ainda hoje, o repentino surgimento de ambientes que viravam febre, reuniam todos os descolados e eram abandonados em questão de meses. Ou reabriam sob nova direção (quando podia ou não ocorrer o tal sucesso imediato) ou agonizavam assistindo o novo concorrente “bombar”.

Isso aconteceu com o Da Casa, Gargamel, Choperia da Praça e uma pá de outras casas noturna. Mas, enquanto duraram, essas casas tiveram bons momentos para algumas pessoas. De vez em quando até parecia coisa boa para se ouvir, já que a maioria das bandas que se apresentava era igual as de hoje: se limitava ao repertório básico do rock nacional ou da MPB.

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O início dos anos 90 foi legal porém, e o Caesar’s Club foi fechado. Não que acabou, apenas fechou pra reforma. Voltou maior, mais bonito. Os hits da dance music formavam coro naquela época. Posteriormente a casa foi vendida ao empresário Sérgio Cunha e virou Marrakesch. Foi uma época efervescente da dance. Black Box, KLF, Madonna, Diana King, Robin S., Dee Lite, Everynthing But The Girls e uma dezena de sons bons outros nem tanto que assolaram as pistas. Foi uma época efervescente. Personagens da noite eram mais ousados.

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Antes da Notre, foi reaberto o Ceasar’s ao lado do antigo cinema. Posteriormente, o proprietário iniciou a construção de uma nova casa, batizada Notre Dame e que  abriu enquanto a Marrakesh ainda bombava. Era época da baba dance. Os hits eram aquilo que na indústria se chama de projeto, ou blockbusters: gente para cantar uma, duas ou três músicas e sair fora logo. Eram Nick French (Total Eclipse od the Heart), Corona, Taleesa, Wigfiled, 20 fingers, Alexia, Double You, Shakira (a única sobrevivente disso tudo). Mas os tempos mudavam e a Marrakesh estava em seus dias finais, enquanto a Notre Dame tentava decolar.

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A Marrakesh terminava seus dias de glória, enquanto a Notre, que começara bem, buscava a afirmação. Foi uma nova era da night. Vieram a Festa Brega e a Festa a Fantasia, além de diversos shows nacionais, como Paralamas do Sucesso, Cidade Negra, Pato Fu, Engenheiros do Hawaii, Planet Hemp, e shows internacionais como Outifield, Papa Winnie e Information Society, que foram realizadas por diversos anos.

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Os Promotores Mário e Aléssio também contribuiram com a noite por meio das casas Hangar 21, Eleven e Atomium, estas em sociedade com o empresário Max Wilhelm. Foram inovadores ao trazer elementos diferenciados para as festas, como performes e decorações alternativas.

No final dos anos 90 o Brasil conhecia, com 10 anos de atraso, o fenômeno da música techno. Prodigy, Chemical Brothers, Daft Punk e uma galera que fazia também outros ritmos da música eletrônica como o house, drum’n’bass, garage e outros. Tempo de experimentação. Neste cenário surgiu o Café Confusão, uma casa hiper-ultra-super modernex. Gente linda, roupas da temporada, drinks diferentes, pistas enlouquecidas. Bandas e perfumes deliciosos se misturando. Era o templo da gente bonita e do alternativo.

Café Confusão !

As pistas tocavam o que havia de melhor da baba dance (Funk Green Dog, por exemplo) e da música eletrônica “cabeça”.

Entre os anos 90 e os dias de hoje, ficaram famosas as festas em locais inusitados. Uma das mais divertidas delas era as que ocorriam na chácara da família Marcatto e a Festa 0800, realizada na casa 800 da rua Max Wilhelm, era uma ambiente muito bacana e reunia as pessoas legais da época.

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Vale muito a pena assistir o vídeo acima! SÉRIO!

Havia ainda os eventos do tradicional Clube Baependi também merecem menção honrosa. Jaraguá parava nas férias de verão e a cidade voltava com o tradicional de Carnaval no Clube. Em junho ocorria o tradicional Baile de Férias, onde era eleita a Rainha dos Estudantes (motivo que diversas festas feitas pela escolas eram realizadas antes dessa data). Nesse baile também, importava a beca. Mulheres muito bem vestidas para uma festa tradicional e os homens com impecáveis ternos. Em novembro rolava a festa mais esperada do ano. Um dos poucos eventos da cidade que mexia com a economia da cidade, o Mares do Sul, reunia jovens e adultos, não importava a idade e sim a confraternização. Uma tonelada de frutas eram “servidas” aos convidados

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Claro que além dessas tradicionais casas, não podemos deixar de mencionar as baladas mais recentes, mas que também já fecharam em Jaraguá do Sul, como a Moinho Disco (situada onde é a Patuá) , com música eletrônica no sábado e as presenças sempre constantes dos DJs Fabrício Peçanha, Mary Zander e o DJ Puff, e nas quintas festas com temáticas especiais, com bandas de rock e pagode.

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A Hari Om chegou com a proposta de ser uma das mais modernas do País, com uma estrutura bacana, grandiosa e decoração suntuosa. Três ambientes, área externa e cascata, só pra mencionar um pouco do que a casa oferecia. Infelizmente não durou muito tempo e o local foi arrendado para o promoter Chico Piermann, que fundou a Combat.

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O Big Bowlling ficava no segundo piso do atual Jaraguá Park Shopping. A casa chegou para bater de frentecom a Notre, na realização de shows nacionais. Nenhum de Nós, Rita Lee, Cidade Negra, o Rappa, Titãs, Capital Inicial, Skank , Engenheiros do Hawaii entre outros passaram pelo palco da casa. Além disso o Big Bowlling promovia o Big Bistrô com bandas de rock da região.

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No local onde hoje se encontra o restaurante e bar Lehmann’s, passaram o Estação do Tempo e o Zum Schlauch. O “Estação” foi o responsável por abrir o caminho do lugar para as festas. A decoração remetia ao passado, lembrando um armazém de meados do século passado. Tinha requinte, bom gosto e dava ao lugar a sensação de aconchego. Após ser vendido para a tradicional casa joinvillense Zum Schlauch, o point veio com uma proposta de cozinha internacional e realizou grandes eventos em parceria com a Fuel, dos promoters Thiago Mattos e Pepe Narloch.

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Os eventos da Bierbude tem grande influência do Blog Por Acaso, pois foi a gente que realizou o primeiro evento na casa. O proprietário Amarildo Silva gostou tanto da ideia que contratou os rapazes da Fuel Eventos para tocar outras festas da casa. Após ser comprada pela Sallon, a casa manteve os eventos organizados pela Fuel.

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Combat bombou enquanto esteve funcionando. Festas itinerantes, DJs famosos, artistas nacionais (Reação em Cadeia, Marcelo D2), abrilhantaram a casa com suas presenças. Grandes marcas como Colcci e Triton promoviam altas festas por lá.

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Sons e Vinhetas ficava na Mal. Deodoro, onde é hoje o Jet Chicken, próximo ao Marcatto Center. Uma cachaçaria em sua essência, a Sons e Vinhetas oferecia uma variedade enorme de marcas de cachaça e organizava eventos com bandas da região.

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O Barcelona foi aberto na rua João Marcatto, no local onde funciona uma igreja evangélica. A casa tinha o foco total na música eletrônica e das lembranças, no segundo piso, ao invés de sofás, haviam camas para uma pausa. O Barcelona depois de certo tempo de atividade deu lugar a Box Music Hall, do Pepe Narloch.
10581724_10201386831232865_170799808_nFestas que rolaram na Flora e Botequim, lá na Bertha Weege. O evento tinha a organização dos promoters Eduardo Fogaça e Nando Raboch e trouxe grandes nomes da cene eletrônica e do Hip Hop da época.
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O La Santidad ficava em um casarão antigo, próximo ao Mime do Kolbach. A casa trabalhava com bandas na área externa e DJs na área interna. O La Santidad bombou também enquanto esteve em funcionamento.

Festa do Casarão tem um história tão peculiar que mereceu uma galeria a parte.
Menção honrosa: A festa do Casarão. Como não falar da festa realizada em um casarão antigo na Barra do Rio Cerro e que acabou por se tornar a festa mais famosa e com mais edições já realizadas, porém, em locais diferentes e nunca mais no tal “casarão”. O nome da festa virou uma “marca”. Essa mesma festa chegou a ser realizada por diversos promoters que nunca tiveram relação com o primeiro evento.
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Menção honrosa II: A Festa Santo Mariachi, realizada pelo, hoje médico, Bernardo Camargo e alguns amigos, aconteceu em vários locais e fez muito sucesso em Jaraguá do Sul.

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Menção honrosa III: A Fly One foi uma festa realizada pelo empresário Guilherme Weege e Cristiano Raboch. A primeira edição aconteceu em Jaraguá do Sul, no hangar da empresa Malwee. A festa ficou conhecida por trazer os maiores nomes da música eletrônica da época, além do que existia de mais moderno em som e luz. A segunda e última edição, também ocorreu em um hangar da Malwee, só que dessa vez no aeroporto Quero-Quero, em Blumenau.

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Menção honrosa IV: A Eco Radical, foi um evento focado, óbvio, em eventos radicais, realizado na Praça Ângelo Piazera. Contou com aproximadamente cinco edições e oferecia pra galera diversas atrações como Parede de Escalada, Bungee Jump, Rapel, Festival de Vôo Livre e Festival de Bandas.

E então? Deu saudades? Curtiu a postagem? Então deixe seu comentário sobre as lembranças dessa época, curte e compartilhe o post. Se tiver um bom engajamento de vocês leitores, iremos publicar uma série com as casas que bombaram em Jaraguá do Sul nas décadas passadas.

 

Adaptação de um texto escrito pelo redator Marcio Martins
Adaptado por Max Pires e Sal