Por: Ricardo Daniel Treis | 5 anos atrás

Traficantes homens de “fé”, eis o pico do esdrúxulo.

“A roupa branca no varal era o único indício da religião da filha de santo, que, até 2010, morava no Morro do Amor, no Complexo do Lins. Iniciada no candomblé em 2005, ela logo soube que deveria esconder sua fé: os traficantes da favela, frequentadores de igrejas evangélicas, não toleravam a ‘macumba’. Terreiros, roupas brancas e adereços que denunciassem a crença já haviam sido proibidos, há pelo menos cinco anos, em todo o morro. Por isso, ela saía da favela rumo a seu terreiro, na Zona Oeste, sempre com roupas comuns. O vestido branco ia na bolsa. Um dia, por descuido, deixou a ‘roupa de santo’ no varal. Na semana seguinte, saía da favela, expulsa pelos bandidos, para não mais voltar.

(…)Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, chefe do tráfico no Morro do Dendê, ostenta, no antebraço direito, a tatuagem com o nome de Jesus Cristo. Pela casa, Bíblias por todos os lados. Já em seus domínios, reina o preconceito: enquanto os muros da favela foram preenchidos por dizeres bíblicos, os dez terreiros que funcionavam no local deixaram de existir.

Guarabu passou a frequentar a Assembleia de Deus Ministério Monte Sinai em 2006 e se converteu. A partir daí, quem andasse de branco pela favela era ‘convidado a sair’. Os pais de santo que ainda vivem no local não praticam mais a religião. (…)”

E como ficam os “pastores”? Ditos representantes de Deus, limitam o poder de influência sobre “ovelhas” desse calibre a seus interesses, sendo coniventes com intolerância, roubo, tráfico e assassinatos. Gente ruim, vivem do Céu mas quem faz o Inferno são eles.


Via O Globo, leia a matéria completa.