Por: João Marcos | 5 anos atrás

Um estudo feito no sul do país comprovou que o hábito comum de cortar comprimidos ao meio traz riscos à saúde. Os pesquisadores descobriram que os medicamentos partidos podem até provocar intoxicação.

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O laboratorista Manoel Pereira Vaz toma um remédio para hipertensão oferecido de graça pelo programa Farmácia Popular. Mas a dose fornecida é o dobro da que ele precisa. A solução foi cortar o comprimido ao meio.

“Às vezes tem que cortar e esfarela um pouco. Quando esfarela e eu não sei o que estou tomando, deixo de lado”, conta.

Para evitar desperdícios, a comerciante Carla Meyer comprou até um cortador. “É uma confiança para eu tomar a metade do comprimido”, diz.

É prático, mas, de acordo com a pesquisa feita na Universidade Católica de Pelotas, pode não garantir a dose correta para o tratamento. O remédio analisado foi o diurético mais receitado para hipertensão no país, a hidroclorotiazida.

Durante os testes, os pesquisadores partiram cerca de 750 comprimidos. Em nenhum deles as duas metades tinham a mesma quantidade do princípio ativo, que é a substância que age no organismo. A diferença chegou a 15%, ou seja, um dos pedacinhos faz menos efeito que outro.

Parte do medicamento também pode se perder durante a quebra. Por isso, o ideal é tomar os remédios inteiros e sempre com água. Suco ou leite podem reduzir a eficácia. Os comprimidos revestidos, que liberam aos poucos o princípio ativo, nunca podem ser cortados.

“Eu vou tomar um comprimido que é para se dissolver em meia hora. No momento em que eu cortar, não vai acontecer neste tempo. Ele não vai ser absorvido em meia hora. Eu não sei como vai ser absorvido porque não temos estudos sobre comprimidos partidos”, explica a farmacêutica Analu Buttow.

E partir o remédio jamais pode ser uma decisão apenas do paciente. “Pode induzir a risco como subtratamento e, por outro lado, pode causar até intoxicações. Se for feito isso, o paciente deve discutir com seu médico, para que ele lhe oriente quais cuidados precisam ser tomados”, aconselha Jefferson Pica, do Conselho Regional de Medicina.

Via JN