Por: Ariston Sal Junior | 4 anos atrás
Reprodução/Internet

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Chega a assustar a notícia de que o cinema brasileiro entrou na onda de parodiar seus sucessos de bilheteria, como os americanos fazem em franquias do tipo “Todo Mundo em Pânico”. Mas “Copa de Elite” até que surpreende.

Há boas piadas num filme que não esconde suas armas para fisgar o público: um gancho oportunista (a Copa no Brasil), uma referência conhecidíssima (“Tropa de Elite”) e um elenco que mistura bons atores de comédia e convidados famosos de outras mídias, como Anitta.

Além de fazer rir, o roteiro consegue vingar com uma história bem amarrada: o maior herói do BOP, Jorge Capitão, passa a ser odiado pela população ao resgatar Lionel Messi de um sequestro no Rio, às vésperas da Copa.

Execrado ao extremo —se a Argentina ganhar a Copa, a culpa será dele, dizem nas ruas— e suspenso da polícia, ele descobre a existência de um plano para matar o papa argentino que vem ao Brasil assistir ao Mundial.

O enredo conta as agruras dele tentando salvar o pontífice com a ajuda de Bia, uma ex-prostituta dona de sex shop. As referências a outros filmes, além da escancarada a “Tropa de Elite”, não ocupam tanto espaço na trama e nem sempre funcionam.

Exemplos: as cenas dentro de uma prisão, que lembram mais “TV Pirata” do que “Carandiru”, e a presença grotesca de Alexandre Frota como a mãe de Capitão, alusão nada sutil a Paulo Gustavo em “Minha Mãe É uma Peça”.

Quem leva o filme nas costas é Marcos Veras, ator do Porta dos Fundos e protagonista de stand-up.

Seu Jorge Capitão tem entonações de voz divertidas e o ritmo de comédia afiado, numa composição ótima.

Ele recebe ajuda de Júlia Rabello, sua colega de Porta dos Fundos, muito à vontade como Bia, construindo sua personagem com muito humor e alguma safadeza.

O nome que provavelmente mais público atrai ao cinema é justamente aquele que põe o filme pra baixo.

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É o apresentador e comediante Rafinha Bastos, como um ator famoso e megalomaníaco. Ele é tão canastrão quanto o tipo que interpreta, e tamanha superposição de falta de talento para atuar não tem graça, só irrita.

Outro rosto nos cartazes para chamar público é a cantora Anitta. Enquanto Rafinha atrapalha o filme, ela tem poucas falas como uma repórter de TV. Está lá apenas para enfeitar, e enfeita.

Marcos Veras consegue convencer o espectador de que ele não perdeu duas horas no cinema. “Copa de Elite” fica como o início no cinema de um comediante que promete bastante.

Via Folha/UOL