Por: Ricardo Daniel Treis | 5 anos atrás

Quem ai nunca ouviu do modus operandi de uma dessas agências e pensou “Vish”?


MÃES PROCURAM DELEGACIA

Os caça-talentos procuram por crianças e adolescentes em escolas, shoppings, supermercados e hospitais. Depois de muitos elogios e bajulação, vem a promessa de participar de um desfile ou catálogo de grandes empresas da região. Quando o jovem está sonhando alto, o agenciador informa de que é necessário pagar entre R$ 150 e R$ 1,8 mil para fazer as fotos de apresentação, o “composite”. Mas garante que o cachê com o trabalho de modelo pode chegar a R$ 3 mil.

Pelo menos três pessoas registraram um boletim de ocorrência na Delegacia da Comarca de Jaraguá do Sul contra a agência de modelos Jr Leffer. “Falaram comigo no Calçadão da Marechal, dizendo que minha filha de 5 anos era o perfil ideal para participar de um desfile, que ia acontecer na semana seguinte. E me pressionaram a decidir logo”, conta uma das denunciantes de 26 anos. “Paguei R$ 180, em março do ano passado e não chamaram para nenhum trabalho. Até hoje minha filha pergunta quando vai fazer mais fotos”, completa.

Os relatos se repetem, e a maneira de abordar pais é sempre a mesma. Uma ex-funcionária da agência conta que existia muita pressão para trazer clientes das ruas. “Tínhamos que cumprir metas, a minha era fazer a agência faturar pelo menos mil reais por dia com as fotos de apresentação”, explicou. “Eu recebi treinamento sobre o que devia falar para as pessoas, garantindo que seriam chamadas para trabalhos fotográficos nas empresas da região como Marisol, Lunender, Malwee. Só depois vi que era tudo mentira”, conta

A delegada Lívia Marques da Motta começou a receber estas denúncias e garantiu que a Polícia Civil vai investigar o caso. “Ainda não sabemos se a situação é criminosa, vamos apurar todas as informações”, disse. Segundo a delegada, pelas características dos relatos, este seria um caso de estelionato, que prevê penas de um a cinco anos. Ela orienta que todos que se sentirem prejudicados, devem vir à delegacia e registrar um boletim.

A reportagem do OCP preferiu preservar o nome das pessoas que fizeram a denúncia.

Modo de trabalho
O dono da agência, Orides Júnior Leffer, foi procurado e indicou o consultor jurídico como única pessoa autorizada a falar pela empresa. O advogado Marcel Tavares disse que não tem conhecimento de denúncia contra a agência de modelos e por isso não teria como se pronunciar sobre o assunto. “A atividade envolve uma concorrência muito forte, o que leva muitas vezes à difamação. A Jr Leffer trabalha da mesma forma como todas as outras, exatamente igual”, disse Tavares.

A prática de abordar pessoas em locais públicos e cobrar preços altos pelas fotos de apresentação é repudiada por outras agências da cidade. “Nosso trabalho fica comprometido com gente que usa da boa fé das pessoas para iludí-las. Colocamos um outdoor explicando que para ser modelo não é preciso pagar nada”, disse a proprietária da Cekat, Irma Marquardt. “O modelo não deve pagar pelo trabalho, muito pelo contrário, deve receber.”

Matéria via O Correio do Povo.