Por: Gabrielle Figueiredo | 10/11/2015

Post publicado originalmente em 21 de julho de 2015

Você sabe como surgiu o Wilfred, o mascote da Schützenfest? Fomos atrás da primeira pessoa a dar vida à este personagem para descobrir.

A tradicional Festa dos Atiradores, conhecida como Schützenfest, é celebrada desde 1989 em Jaraguá do Sul, e tem o intuito de promover e resgatar a cultura germânica. Mas não foi desde seu início que ela contava com a presença do Wilfred, seu mascote.

Antes, a festa utilizava o “vovô e vovó Choppona” durantes os dias de celebração, um modelo inspirado no mascote utilizado na Oktoberfest. Foi só a partir de 1998 que o mascote Wilfred começou a fazer, oficialmente, parte da Schützenfest.

Schutzenfest 1996 - 15 - abertura

Antigo mascote, em 1996. Foto cedida pelo Arquivo Histórico de Jaraguá do Sul

O mascote foi criado por Fernando Bastos a partir de um concurso elaborado pela Associação de Clubes e Sociedades de Tiro do Vale do Itapocu, que desenvolveu algumas diretrizes para este personagem. Ele deveria ser alegre, jovem, que retratasse a comunidade e que tivesse sua imagem voltada para a tradição germânica do tiro.  E o resultado foi esse:

wilfred cartaz

O Wilfred foi interpretado pela primeira vez pelo atual presidente da Associação de Clubes e Sociedades de Tiro do Vale do Itapocu (ACSTVI), Wilson Bruch, quando ele tinha 39 anos, e ele seguiu na posição por três anos consecutivos.

Wilson, o primeio Wilfred - Foto: acervo pessoal

Wilson, o primeio Wilfred – Foto: acervo pessoal

Wilson relembra com carinho desses momentos e conta como foram os primeiros dias como o famoso Wilfred. “No primeiro ano eu desaparecia da festa e ninguém percebia, então não havia como saber que eu era o personagem”, conta. Wilson também conta que a curiosidade do público era tanta, que ele até passava por umas provas de alemão, testando se o Wilfred era mesmo germânico. “E as pessoas se surpreendiam, porque como eu sei falar a língua, eu também respondia em alemão”, relembra.

Schützenfest 1998-1999 - 03

Primeira versão do Wilfred, em 1998.

Mas quem acha que é fácil interpretar o Wilfred está enganado. O personagem precisa ser espontâneo e entrar no clima da festa, já que precisa estar presente em festas e eventos relacionados. Além, é claro, de ter que usar a fantasia. A cabeça grande, apesar de não ser pesada, é muito quente, pois é feita de espuma. O resto da fantasia é composta por camisa, calção e um sapato também forrado com espuma. A arma que o Wilfred carrega é de materiais leves, já que o acessório é constante na rotina do personagem.

Segundo Wilson, o personagem tem a característica de ser “namorador”, gosta de dançar, e isso acabou causando um episódio engraçado na sua vida. Em uma das tardes da Terceira Idade, ele foi caracterizado e tirou uma das senhoras para dançar. O que aconteceu a partir daí foi que uma fila de senhoras querendo dançar com o personagem se formou. Resultado: ele passou a tarde inteira dançando, tentando acompanhar as mulheres na dança.

Aqui uma versão mais atualizada do mascote, em 2009. Foto: Marcelo Odorizzi

Apesar das dificuldades para manter a tradição do Wilfred, Wilson tem recordações muito positivas a respeito desse período, e se orgulha de poder ter representado a cultura dessa maneira.

E nós não precisaremos esperar até a Schützenfest para rever o personagem. No desfile de comemoração dos 139 anos de Jaraguá, o mascote deve desfilar com a ACSTVI. O desfile será realizado no dia 25, na Rua Walter Marquardt, a partir das 15h.