Por: André Marques | 3 anos atrás

“O Deus da Fortuna”, do Coletivo Alfenim, de João Pessoa (PB), é uma parábola cômica sobre o capitalismo financeiro, que utiliza como ponto de partida um argumento do dramaturgo alemão Bertolt Brecht. O espetáculo terá apresentações gratuitas e nove cidades catarinenses, na programação do Palco Giratório Sesc: Joinville (19/10), São Bento do Sul (21/10), Jaraguá do Sul (23/10), Blumenau (25/10), Itajaí (26/10), Florianópolis (28/10), Laguna (30/10), Tubarão (01/11) e Criciúma (03/11). Em Joinville o grupo ministra a oficina “Exercícios para uma cena dialética”, nos dias 17 e 18/10 (inscrições gratuitas podem ser realizadas na Central de Atendimentos da unidade). A programação detalhada pode ser consultada aqui

O deus da fortuna_Coletivo de Teatro Alfenim_Fotografia por Bruno Vinelli1 (1)

Com texto de Márcio Marciano, criado em processo colaborativo com os atores do grupo, a comédia narra a história de um proprietário de terras na longínqua China Imperial. Afundado em dívidas em virtude da crise da produção do arroz e da seda, o Senhor Wang, manda erguer um altar em honra de Zhao Gongming, o Deus da Fortuna, com a intenção de se salvar da falência. Porém as oferendas são inúteis e o proprietário vê-se obrigado a vender a própria filha a seu credor, como forma de amortização da dívida.  Em meio aos rituais do matrimônio, o Deus surge à sua frente e lhe desvenda o futuro, com a condição de que seja erguido o grande Templo da Fortuna. O proprietário deixará as formas primitivas de acumulação do capital para dedicar-se à especulação e aprenderá “como o ouro se transforma em pura aparência”.

Em tempos de crise sistemática do capitalismo, cuja lógica é a de se alimentar de trabalho não pago e da promessa fictícia de que o capital especulativo promoverá a felicidade futura, comprometendo não apenas as gerações de hoje como também as gerações vindouras, o Coletivo de Teatro Alfenim experimenta a comédia com o propósito de desmascarar a maquinaria teatral utilizada para escamotear a lógica do capital especulativo e seus derivativos “metafisicantes”.

O deus da fortuna_Coletivo de Teatro Alfenim_Fotografia por Bruno Vinelli1 (2)

Esta é a 17ª edição do Palco Giratório – Rede Sesc de Intercâmbio e Difusão das Artes Cênicas, projeto consolidado no cenário cultural brasileiro. Neste ano, o circuito contará com 768 apresentações artísticas e mais de 1.200 horas de oficinas em 126 cidades diferentes. Ao longo dos anos, o projeto se consolidou no cenário cultural levando uma grande variedade de gêneros e linguagens artísticas para um público diversificado de mais de 3 milhões de pessoas.
Classificação etária: 14 anos
Duração: 95 minutos
Direção: Márcio Marciano
Atores: Adriano Cabral, Lara Torrezan, Paula Coelho, Ricardo Canella, Suellen Brito e Vítor Blam. Músicos (em cena): Mayra Ferreira e Nuriey Castro
Produção Executiva: Gabriela Arruda