Por: Anderson Kreutzfeldt | 4 anos atrás

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O UFC esta de volta ao Canadá, seu segundo maior mercado, mesmo após perder seu principal ídolo no país, o campeão dos meio médios George St-Pierre, que se aposentou.
GSP transformou o MMA em paixão nacional e por isso o UFC sempre se faz presente no país vizinho. Nessa edição, uma disputa de cinturão dos moscas será o main event, e o pupilo de GSP, Rory MacDonald, buscando seu title shot e ser o novo ídolo nacional será o co main event. No card preliminar, o brasileiro finalista do TUF Brasil 1, Daniel Sarafian faz sua estréia entre os meio médios. Vamos a análise do card principal:

Ryan Jimmo x Ovince St-Preux (categoria dos meio pesados): O carateca Ryan Jimmo volta a lutar em casa após boa vitória e terá ela frente Ovince St Preux, que vem numa sequência de 4 vitórias e almeja o top 10 da categoria. Jimmo costuma trabalhar as combinações socos e chutes, com as constantes trocas de base típicas do caratê, e isso terá de ser sua arma para evitar que ex jogador de futebol americano St-Preux use seu bom wrestling e a potente mão esquerda. Jimmo tem mais velocidade e também tem boa potência, mas trocar abertamente com St-Preux é arriscado e encurtar demais também pode lhe colocar com as costas no chão, o que pode ser um complicador. Portanto ele deve abusar da movimentação enquanto seu gás aguentar. Se não durar muito, St-Preux deve controlar a luta no solo ou no clinche.
Palpite: Jimmo começara melhor, com velocidade, mas depois vai morrer no gás. St-Preux por nocaute técnico no 3° round

Andrei Arlovski x Brendan Schaub (categoria dos pesados): A falta de bons novos nomes nos pesados é tão grande que o UFC tem que apelar aos renegados por ela mesmo. Depois de Josh Barnett, o ex campeão Andrei Arlovski está de volta, após 6 anos. Pitbull terá a eterna promessa Brendan Schaub pela frente, numa luta que não deve definir nada mais que um lugar no meio da categoria. Arlovski é o mesmo de sempre, apesar de ter dado uma melhorada no wrestling treinado com Greg Jackson: trocação, mãos pesadas, alguns bons chutes, aquelas combinações com chutes nas pernas. O queixo não é dos mais confiáveis desde o nocaute sofrido para Fedor. Já Schaub era tido como um top prospect, mas depois da derrota para Minotauro no UFC 134 ele perdeu um pouco do eixo, e teve de de recomeçar, usando mais seu wrestling e jiu jitsu e deixando de ser apenas um trocador. Essa nova fórmula lhe rendeu boas vitórias sobre Lavar Johnson e Matt Mitrione (com um belo triângulo de mão), e essa deve ser novamente sua estratégia contra Arlovski: derrubar e controlar, buscando brechas pra finalização ou nocaute.
Palpite: Arlovski não tem muito recursos no chão, mas defende bem as finalizações. Schaub vai derrubar e controlar, levando por decisão.

Ryan Bader x Rafael Feijão (categoria dos meio pesados): Dois lutadores que buscam o seu lugar no top 10 sem enfrentam pelos meio pesados. Ryan Bader teve essa oportunidade duas vezes, mas acabou nocauteado por Machida e Glover em ambas e uma boa vitória sobre o ex campeão do Strikeforce, Rafael Feijão pode lhe dar uma nova chance. Feijão estreou com derrota, mas se recuperou com um bom nocaute sobre Igor Pokrajac. Bader é um wrestler de alto nível e com as mãos pesadas (chegou a deixar Glover tonto), e que tem um ground and pound poderoso. Feijão, apesar de ser um faixa preta de JJ não costuma se dar bem com as costas no chão, mas em pé tem bom poder de nocaute, usando bem também os cotovelos e Bader não mostra tem um queixo muito poderoso. Pesa contra ele a pouca velocidade e falta de gás latente. Bader em compensação tem um condicionamento físico impecável e isso pode ser fator decisivo.
Palpite: Feijão pode até conseguir bons momentos de pé, mas a tônica indica Bader derrubando e controlando no chão, levando por decisão.

Rory MacDonald x Tyron Woodley (categoria dos meio médios): Uma luta que pode colocar os dois lutadores muito próximos de seu title shot, é o que temos no main event. Vindo de 2 nocautes sobre Koscheck e Condit, Woodley deixou pra trás aquele estigma de lutador modorrento que o acompanhava no Strikeforce. Seu carro chefe continua sendo o wrestling de alto nível e o ground and pound, mas agora seus adversários tem que se preocupar com seus chutes e socos, pois sua trocação subiu de nível. No outro córner esta o jovem de apenas 24 anos e pupilo de GSP, o canadense Rory MacDonald. Vindo da nova safra, que treina todas as categorias desde cedo, Rory é um lutador bem completo, com bastante gás no tanque. Como seu mentor, ele é extremamente estratégico, buscando controlar seu oponente, evitando grandes riscos. Isso o faz não ser um dos favoritos do grande público. Sua boa envergadura combinado com um kickboxing eficiente lhe garante bom controle na distância, evitando as quedas. Mesmo com as costas no chão, mostra bom nível, como ao sobreviver a Demian Maia no 1° round da sua última luta. As vezes um pouco mais de ousadia já teria lhe dado o title shot.
Palpite: No melhor estilo GSP, aproveitando das brechas de Woodley, MacDonald por decisão.

Demetrious Johnson x Ali Bagautinov (cinturão dos moscas): Se Demetrious Johnson antes era questionado por sempre levar suas lutas por decisão, nas duas últimas defesas de cinturão, ele provou que pode finalizar e nocautear, fazendo isso contra Moraga e Benavidez, respectivamente. O desafiando estará mais um representante da ótima safra russa, Ali Bagautinov, que vem de 3 vitórias ótimas, a última inclusive sobre John Lineker. Demetrious Johnson usa e abusa da velocidade e do gás em 5 rounds. Seu bom kickboxing é sua arma em pé e faz com que seus adversários se obriguem a ficar atentos as suas combinações, que com fintas velozes, viram double legs, acinturadas e quedas. No chão, o JJ vem evoluindo, mas o ground and pound ainda é marca maior, mas lhe falta um maior controle do oponente no chão. Já Bagautinov nunca foi testado durante 5 rounds e isso pode ser um diferencial. Sua velocidade não é tão grande, mas seu boxe é de altíssimo nível e sua mão muito pesada. Seu grappling é melhor que o de Johnson, com maior variação e controle posicional no chão. Quem conseguir ficar por cima mais tempo deverá levar essa luta que deve se desenrolar no chão.
Palpite: Vou arriscar. Numa decisão apertadíssima, Bagautinov por decisão.